Candomblé

No começo dos tempos, Olodumare criou os homens […]
Orunmilá, também chamado Obá Jeunjeum,
ou “Rei-que-Come-Alimento”, na língua dos orixás,
ofereceu-se para levar os homens ao mundo e cuidar deles lá,
com o que Olodumare concordou plenamente.
Previdente, Orunmilá consultou o babalaô,
que o mandou oferecer sacrifícios antes de partir.
Ele deveria preparar sementes de legumes e tubérculos.
O ebó foi feito.
Do Orun, Orunmilá despejou essas ofertas na Terra.
Caindo no solo, as sementes germinaram, os tubérculos brotaram.
As plantas cresceram, dando folhas, frutos e sementes,
e foi com essa abundância que Orunmilá alimentou os homens.
Os serem humanos reproduziram-se e se espalharam pela Terra toda.

(Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás)

Conta a mitologia iorubana que o universo foi criado por Olodumare, mas, terminada a criação, ele se afastou e deixou que os orixás dessem forma ao mundo e o governassem. Por conta disso, embora os devotos do candomblé reconheçam a existência de um deus supremo da criação, não é a ele que prestam homenagem em seus cultos de grande complexidade, sutileza teológica e beleza, mas justamente a essas outras divindades mais próximas, participantes ativos do dia-a-dia das atividades mundanas.

Diversidade regional e étnica

O candomblé não é um único culto religioso, mas antes uma série de cultos estreitamente aparentados, à semelhança de outras religiões que possuem diversas denominações, com algumas diferenças nos preceitos teológicos e no ritual. Os vários templos e vertentes do candomblé são normalmente agrupados em “nações”, sendo a mais conhecida e disseminada nos meios de comunicação a chamada nação queto. Juntamente com outras nações como efã, ijexá, nagô e mina-nagô, ela pertence ao tronco conhecido como iorubá, com origens africanas localizadas em partes da Nigéria e do Benim. Existem ainda candomblés de nações angola e jeje, entre outras menos conhecidas. O nome candomblé está historicamente associado aos cultos da Bahia, mas religiões semelhantes recebem outras denominações regionais, como xangô em Pernambuco, tambor de mina no Maranhão e batuque no Rio Grande do Sul. O termo candomblé, contudo, tem se disseminado para outras regiões do Brasil e para outros países à medida que a religião ganha mais adeptos. Até por conta dessas variações, algumas pessoas preferem simplesmente denominar esse conjunto de cultos com o nome de religião dos orixás, deixando de lado as diferenças entre eles.

Divindades

Sabe-se que, na Nigéria e no Benim, mais de quatrocentas divindades eram cultuadas no total. No Brasil, contudo, a maior parte dos templos de candomblé reconhece em torno de 20 orixás diferentes, cada qual associado a um aspecto do mundo natural ou humano. Por exemplo, no rito queto, enquanto Ogum é o orixá da metalurgia, da guerra e da agricultura, Oxum é uma divindade feminina ligada à água doce, à beleza e à vaidade. Nenhum orixá é completamente “bom” ou “mau”. Como os homens, com os quais se assemelham, eles são capazes do melhor e do pior, têm defeitos e qualidades e exibem características que podem ser produtivas em alguns contextos e destrutivas em outros. Cada orixá pode se subdividir em algumas “qualidades” ou “manifestações” particulares, cada qual associada a uma passagem ou episódio de sua mitologia: assim, enquanto Oxaguiã é o Oxalá jovem e está associado à cultura material, Oxalufã é o Oxalá velho e se associa à criação do homem. Em muitos templos, cada orixá tem um correspondente entre os santos católicos: assim, é comum que Iansã, orixá que comanda as tempestades, seja associada a Santa Bárbara. Enquanto na África cada templo é dedicado a apenas uma divindade, os templos ou terreiros do candomblé, ainda que tenham um orixá patrono, dedicam-se ao conjunto total das divindades.

Os nomes das divindades, bem como sua importância relativa na mitologia, podem variar de acordo com as nações. Nos candomblés angola, por exemplo, elas são chamadas inquices, enquanto o candomblé jeje as denomina voduns. Utilizamos aqui a terminologia iorubana porque é a mais conhecida e disseminada. Outras divindades também são cultuadas nos terreiros de algumas nações. Assim, alguns templos angola incluem entre suas entidades, além dos inquices, também os caboclos, ou entidades às quais se atribui origem indígena. No tambor de mina, além dos voduns, os fiéis também cultuam entidades femininas infantis conhecidas como tobossas.

Fiéis e iniciados

Os participantes de cada terreiro se dividem em uma hierarquia organizada de acordo com o grau de proximidade do fiel com as divindades. Segundo o candomblé, toda pessoa tem seu espírito ligado a um orixá específico – ou a um conjunto de orixás, em alguns casos. Atribui-se ao indivíduo características de personalidade condizentes com seu orixá patrono. Essa ligação pode ser estreitada por meio de uma complexa série de rituais de iniciação, os mais simples dos quais são a lavagem do colar de contas e o bori, cerimônia destinada a fortalecer o espírito do fiel e prepará-lo para o contato direto com o orixá. Esses estágios iniciais podem ou não se desdobrar na iniciação completa, por meio da qual o fiel, então chamado iaô ou filho-de-santo, torna-se um veículo de seu orixá na terra. Durante as cerimônias e festas públicas do candomblé, os filhos-de-santo são possuídos pelos seus orixás: neste importante momento do transe divino, o iniciado entra em uma espécie de estado de inconsciência enquanto o orixá “baixa” e toma o controle de seu corpo para dançar e encenar cenas míticas. Um filho-de-santo que tenha se iniciado há sete anos pode ganhar o título de ebômi e então ocupar diversos cargos especializados no terreiro, culminando nos títulos de babalorixá (“pai-de-santo”) ou ialorixá (“mãe-de-santo”), autoridades espirituais máximas de cada templo. Em cada um desses estágios, o fiel fortalece sua força espiritual – o axé – e seus laços com o orixá, entrando em contato com saberes rituais e mitológicos cada vez mais restritos. Contudo, também se sujeita a restrições e tabus progressivamente maiores.

Além dos iniciados propriamente ditos, todo terreiro possui um número de fiéis que não completaram sua iniciação (alguns dos quais jamais chegam a completá-la) e que não são possuídos pelos orixás. Trata-se dos ogãs e das equedes, que executam tarefas fundamentais do rito, como tocar os tambores ou paramentar e auxiliar os filhos-de-santo enquanto estes se encontram no transe divino. Por fim, nem todas as pessoas que frequentam um terrreiro ou recorrem à ajuda dos orixás participam ativamente do culto. Muitos comparecem apenas para presenciar a beleza das cerimônias, enquanto outros realizam consultas particulares com os babalorixás e ialorixás, nas quais estes normalmente consultam a vontade dos orixás por meio do jogo de búzios e orientam os clientes a respeito de como propiciar os deuses para obterem a solução para seus problemas.

Os toques e festas

A parte mais pública e conhecida do candomblé são os toques, como são chamadas as cerimônias e festas públicas da religião. Cada terreiro possui um calendário litúrgico com diversas festas em homenagem aos diferentes orixás. Destacam-se as cerimônias que iniciam o ano-novo do calendário do candomblé, entre agosto e setembro, como as do “Inhame Novo” ou as “Águas de Oxalá”, bem como o ciclo de festas que se estende entre setembro e dezembro, homenageando várias divindades na sequência. Além disso, os orixás podem ser cultuados em várias outras circunstâncias.

A estrutura básica do toque se repete: ele se inicia pela manhã com o sacrifício ritual dos animais cujo sangue – veículo máximo do axé ou da força espiritual – é ofertado aos orixás, enquanto a carne é preparada para ser consumida pelos fiéis durante a festa. A festa se inicia com uma oferenda a Exu, divindade que abre os caminhos, e depois seguem-se os cantos e danças com os quais os orixás são homenageados em uma sequência conhecida como xirê. É neste momento de celebração que, ao som dos atabaques e dos cantos dedicados a cada divindade, os orixás descem à terra e dançam através dos corpos de seus filhos. É comum que uma primeira possessão seja seguida de um recolhimento do filho-de-santo, que depois retorna paramentado com as roupas e acessórios de seu orixá para a dança dos deuses. Os cultos do candomblé são conhecidos por sua rica iconografia, que fascina e encanta aqueles que assistem às cerimônias.

Uma “metafísica sutil”

Muitas vezes se dá demasiada atenção às festas do candomblé, que são seu aspecto mais público e visível, deixando de considerar que a religião dos candomblés também corresponde a toda uma visão de mundo. O candomblé propõe uma relação bastante individualizada entre o fiel e o orixá que é seu patrono. Com isso, sua diversificada mitologia fornece um instrumento a partir do qual organizar e compreender melhor a diversidade dos homens e de suas ações no mundo e orientar o comportamento das pessoas. Embora reconheça divisões e às vezes até conflitos entre os orixás e seus filhos, também afirma que o universo só se sustenta a partir de uma trama de comunicações, interações e complementaridades entre as partes. Cada fiel deve render homenagem a seu orixá, mas é toda a comunidade que se beneficia das bênçãos coletivas do conjunto dos orixás. O que seria de uma comunidade que preza pela guerra de Ogum, mas é incapaz de promover o amor de Iemanjá? Assim, o candomblé ensina a seus fiéis que diferentes tipos de ação ou personalidade, diferentes fenômenos da vida cotidiana, antes de serem intrinsecamente bons ou ruins, são necessários à continuidade saudável vida desde que se exerçam com harmonia. Além disso, o candomblé está longe de oferecer apenas força espiritual para os filhos-de-santo, pois esta vem sempre acompanhada de restrições e obrigações que correspondem também às suas responsabilidades perante os deuses e as comunidades das quais são apenas uma parte.

Tendências demográficas

Pode-se dizer que, longe de ser um resquício do passado, o candomblé é hoje uma religião moderna e em plena expansão em diversas regiões do país e também do exterior, haja vista seu crescimento em países como a Argentina ou os EUA. Historicamente, a religião dos orixás, em suas várias denominações, sempre esteve mais atrelada a centros urbanos como Salvador, Recife, São Luís ou Porto Alegre, tendo se consolidado no século XIX. A partir dos terreiros baianos, ela se disseminou para o Rio de Janeiro no início do século XX e depois para São Paulo, onde teve uma grande expansão nos anos 1960. Pode-se dizer que o candomblé, desde suas origens, sempre teve um potencial universalizador, pela sua capacidade de unir culturas e divindades africanas de diversas procedências diferentes, e também pelo fato de sempre ter atraído pessoas de diversas origens étnico-raciais para seus ritos. Apesar disso, até os anos 1960, ele podia ser considerado uma religião que abrangia predominantemente as populações negras, histórica e culturalmente vinculadas ao culto dos orixás. Isso mudou muito na segunda metade do século XX, com um movimento crescente de diversificação étnico-racial dos fiéis e com uma tendência do candomblé de atrair cada vez mais as classes médias e escolarizadas. Alguns autores atribuem essa tendência a um desencanto crescente com outras religiões dominantes no Brasil, ao tipo de ligação pessoal e individualizada do fiel com os deuses promovida pelo candomblé e a uma rejeição crescente à cultura moderna secularizada.

Segundo dados do censo de 2000 realizado pelo IBGE, mais de 127 mil brasileiros se declararam adeptos do candomblé. Esse número aumenta bastante se considerarmos todas as pessoas que frequentam os terreiros durante as festas públicas e consultas particulares, uma vez que muitas delas não podem se declarar fiéis por não terem passado pelos ritos de iniciação. Desse número, 23% se declararam negros, 38% pardos e 37% brancos. O candomblé está muito longe, portanto, de ser uma religião negra ou étnica, mostrando-se um culto capaz não apenas de encantar, mas de suprir as necessidades e aspirações espirituais de inúmeros e variados fiéis, que dedicam sua vida à beleza dos festejos e à honra de serem os filhos diletos dos orixás, os veículos do sagrado na terra.

Fontes de pesquisa:

– AMARAL, Rita; SILVA, Vagner Gonçalves da. Foi conta para todo canto: as religiões afro-brasileiras nas letras do repertório musical popular brasileiro. Afro-Ásia, Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais/UFBA, n. 34, p. 189-235, 2006.

– BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil: contribuição a uma Sociologia das interpenetrações de civilizações. São Paulo: Livraria Pioneira Editora/Editora da Universidade de São Paulo, 1971.

– O candomblé da Bahia: rito nagô. Ed. rev. e ampliada. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

– DANTAS, Beatriz Góis. Vovó nagô e papai branco: usos e abusos da África no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

– MATORY, James Lorand. Black Atlantic religion: tradition, transnationalism, and matriarchy in the Afro-Brazilian candomblé. Princeton/Oxford: Princeton University Press, 2005.

– PRANDI, Reginaldo. Herdeiras do axé: sociologia das religiões afro-brasileiras. São Paulo: Hucitec, 1996.

– Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. SILVA, Vagner Gonçalves da. Orixás da metrópole. Petrópolis: Vozes, 1995.

FONTE: http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/indice-biografico/manifestacoes-culturais/candomble

Omo Orixá

Para ser omo Orixá, para poder seguir nossas descendências africanas temos 3 princípios primordiais:

1º ser humilde sentando na esteira e apenas ouvir.
2º ter consciência e obediência aos mais velhos.
3º ter lealdade e honrar com o próximo.

A referência de uma criança e de um yao (iniciado para Orixá) é a sabedoria, capacitação e a solidariedade de seus responsáveis. Olodumare grande responsável de todos, criou junto aos seus auxiliares Títulos, esses títulos a base é: APRENDER COM EXEMPLO E ENSINAR DANDO EXEMPLO. Ser religioso é ser exemplo, ser religioso é aprender eternamente, nunca deixando o absolutismo próprio passar na frente, ser religioso é honrar os ancestrais que lutaram no passado para deixar esse legado, a natureza, o plantio e a evolução contínua. Precisamos ouvir mais, seguir princípios, precisamos amar mais, honrar mais, respeitar mais, precisamos aprender mais a lidar com a vida e para isso acontecer, precisamos valorizar nossos mestres.

Pèrègún: aquele que chama o transe

PÈRÈGÚN, erva gún, uma das folhas mais antigas é o “Pèrègún”, que é utilizada na grande maioria dos rituais aos Òrìsás. Diz o mito: Pèrègún presenciou o crescimento da humanidade. Sempre há de nos trazer a sorte. Pèrègún segura nossa sorte, segura a sua presa no dia de caça… E assim… Alimenta os seus filhos. Pèrègún nos protege de nossos opositores… E faz com que nos harmonizemos com os nossos semelhantes… Pèrègún fez pacto com “Aje” para a sua vinda à Àiyé ( Terra ou o mundo físico, paralelo ao orun )… Ifá dissera, quando Pèrègún o procurava pela sorte Pèrègún, se você quiser ter sorte, deverá ajudar a humanidade, fazendo um pacto com “Aje”, para poder sempre ter e poder emanar sorte, para quem lhe procurar por sua ajuda. Foi então, que Pèrègún tinha feito pacto com “Aje” antes de vir ao mundo, mas não tinha quem o pudesse levar para Àiyé. Novamente foi a Ifá, e este dissera: Pèrègún se você quiser realizar o seu trabalho em Àiyé procure por “Ògún”, pois ele sempre está indo para Àiyé. Pèrègún procurou por “Ògún”, mas ele só levaria Pèrègún, se ele dividisse a sua sorte com ele. Foi então que Pèrègún tinha aceitado, e por essa razão “Ògún” lhe dissera: “Vou dizer a toda humanidade, que Pèrègún emana a sorte, e quem com ele ficar será agraciado com a mesma”. Desde e Pèrègún então foi conhecido, e muito procurado por todos em Àiyé.

Pèrègún alára gígún o

Pèrègún alára gígún o

Oba kò ní jé o roró okán

Pèrègún alára gígún o

Pèrègún gbà agbára tuntun

Pèrègún tem o corpo excitado

Pèrègún tem o corpo excitado

Rei não deixa ter problemas de coração

Pèrègún tem o corpo excitado

Pèrègún dá nova força

PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ! (É Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra!)

PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN! (Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além!)

Gunfaremim
Nesta preparação encontramos referência a uma folha, conhecida pela maioria de nós: o Pèrègún, cujo nome é a contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com a palavra “EGÚN”, que significa espírito, ancestral, etc. Percebe-se então que esta folha tem a finalidade de “chamar (invocar) espíritos”, e que a própria pronúncia de seu nome já funciona como um ofò!. A sabedoria daqueles nossos ancestrais yorubanos que a elaboraram fez esse trocadilho: se Pèrègún pode chamar espíritos, pode chamar a riqueza!

Para algumas pessoas, principalmente para aquelas que não estão ligadas aos cultos de matriz africana, pode parecer um tanto “primitivo” pensar dessa maneira, digo, esperar resultados a partir da utilização de certas plantas, de sementes, etc., enfim de elementos da natureza, aparentemente inanimados. No entanto, repetimos, existe por traz da utilização desses elementos uma questão cultural. Eles se utilizam desses elementos da natureza acreditando que eles expressam as suas necessidades perante o “Criador”, o destino final de seus pedidos: “…Uma composição mágica parece ser considerada como uma coleção de coisas materiais, às quais é dado um valor simbólico; juntas constituem uma mensagem…” (Ewé, Pierre Verger, 1995)

Saluba Nanã!!!

Eu sou tão velha quanto a terra
Fui mulher do senhor Funfun
Dei a luz ao uma criança doente e ferida mas que se tornou o mais belo orixá, Obaluaye
Pari um bebê lindo e encantador mas sem cor, uma cobra ele se tornou e o Arco-íris virou, Oxumare.
A luz eu dei a uma menina tão pura e inocente, linda caçadora e cobra se transforma, Ewa.
Um rapaz quieto e misterioso eu coloquei no mundo, com o dom de dominar as folhas e seus segredos, Ossanhe.
Quando saiu de meu ventre eu sentir que ela teria o dom de amar verdadeiramente e ela foi capaz até de se mutilar por um amor mas guerreira e caçadora se tornou e a própria sociedade criou, Oba.
Ela pulo de meu ventre, desde bebe era um furacão e seu choro mexia com os ventos e raios caiam do céu, hora borboleta e hora búfalo, minha menina travessa e tão bela, Oya
Minha família se chama Ji.
A família da terra
Somos os Carijebes
Somos a palha
Somos a humildade
Somos o pé no chão
Somos o próprio chão
Somos a terra viva
E eu? Quem sou?
Sou lama
Sou água parada
Sou vida e morte
Me chamam de ranzinza
Talvez seja
Mas sou mãe que cura o filho que pede amparo
Moro no lodo
Vivo no barro
Não faço uso de nenhum metal
Só utilizo o Ibiri
Onde guardo o segredo da morte
Meu nome é Nanã
A mãe dos seres humanos
Dei e dou a matéria mas a pego de volta quando chega a hora
Salubá Nanã!

Iaôs – Filhos Ancestrais

Ìyàwóiyawôyao e iaô são palavras de origem iorubá que designam os filhos de santo no candomblé já iniciados na feitura de santo, mas que ainda não completaram o período de 7 anos da iniciação. Só após os 7 anos, o iaô se tornará um egbomi (“irmão mais velho”). Antes da iniciação, são chamados de abíyàn ou abian.

wikipedia.org

Partida de Iyá Stella de Oxossi

O dia que a Iyá Stella partiu para o orun foi numa quinta-feira, dia 27/12/2018. Coincidência ou não, dia de Oxossi, seu pai. Para uns coincidência para nós um chamado. Do Rei de Ketu. Nós, em sua maioria, não estamos preparados ou acostumados o suficiente com a partida física eterna, por mais espiritualizados que sejamos. Queremos ter sempre as pessoas que amamos, que admiramos e respeitamos, por perto. E temos a consciência de que a única certeza da vida é a morte. Chegou a hora de sua partida Iyá Stella. Foram 93 anos de vida no aiyê. Muitos anos também dedicados a religião, aos filhos, a fé. Muitas lições, muitos conhecimentos e ensinamentos compartilhados, muitos conselhos, muito carinho dado e com reciprocidade. Aquela Mãe que iniciou muitos filhos e acolheu outros mais, como uma verdadeira mãe faz. Cumpriu sua missão. Agora é tempo para descansar. E nós que ficamos devemos honrar seu legado e continuar em frente. Mantendo a fé, a união, o respeito e lutando por nosso povo e nossa religiosidade. A partida é dolorosa, sua presença e ensinamentos farão falta, mas a senhora precisava descansar. Aqui ficaremos com saudades. Tornastes nossa ancestral, uma luz que nos guiará de alguma forma. Nossa eterna estrela azul. Adupé Iyá Stella. Adupé Ilê Asé Opô Afonjá. Bênção!!!

(Por Ekede Lu de Nanã, em nome de nossa Iyá Lúcia Omidewá e todos que fazem parte do Ilê Asé Opô Omidewá).


 

Paraibanos enfrentam mil quilômetros e vigília noturna por Mãe Stella

Velório da ialorixá ocorreu no barracão de Xangô, no Opô Afonjá. 

Leiam a matéria no link/fonte abaixo.

FONTE: Correio24horas

15 anos da RENAFRO

A RENAFRO – Rede Nacional das Religiões Afro-Brasileiras e Saúde foi criada a 15 anos e a comemoração será nos dias 25 e 26 de junho de 2018, no Rio de Janeiro. Haverá no dia 25 uma homenagem ao Ogan José Marmo Silva (in memoriam), ex-coordenador geral da RENAFRO, que partiu para o Orun em setembro de 2017. Na referida homenagem, que acontecerá na Assembléia Legislativa/RJ, será entregue a Medalha Tiradentes José Marmo à profissionais de destaque na promoção da saúde.

Já no dia 26  acontecerá o Seminário 15 Anos Renafro, no Mirador Hotel, em Copacabana. Os temas de destaque nas mesas são Renafro Saúde: uma história de conquistas das tradições de matriz africana no BrasilPolítica Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) e o enfrentamento ao racismo religioso e Desafios e Perspectivas.

Estarão presentes coordenadores estaduais e coordenação nacional da RENAFRO, prestigiando essa bela e merecida homenagem ao seu idealizador e comemorando a vida desta Rede que tem como objetivo valorizar e utilizar os saberes dos terreiros em diálogo com o Sistema Único de Saúde (SUS), além de se envolver com o desenvolvimento de políticas públicas para o setor.

Estarão presentes neste evento, representando a Paraíba, Iyá Lúcia Omidewá e Ekede Lú de Nanã.

Mulheres!!!

DAS MULHERES EMPREENDEDORAS DA CIVILIZAÇÃO AFRICANA ÀS BAIANAS E BRASILEIRAS DE HOJE!
As mulheres africanas, criaram sistemas de matemática através de seus ciclos menstruais e ciclos das luas, que orientavam o tempo e a economia, passando pela agricultura, comércio, alimentação, construção e outras tradições e desenvolvimento.
Por aqui para não se perderem dos seus bens civilizatórios e culturais, as ganhadeiras foram e são referências, que vendem acarajé, peixe, serviços, conhecimentos, saberes, modas, belezas, tecnologias e outras vias de fortalecimento da vida humana e das comunidades.
Dos sistemas matemáticos de milênios as inovações, os vãos de desenvolvimento se fazem, e temos de quebrar paradigmas separatistas, escravistas, elitistas, decadentes, “ideológicos”, do auto flagelo social e cultural, que tem nos roubado perspectivas e curas.
Empoderar-se por outro olhar, fazer, sentir e viajar neste novo, que integra o passado e futuro, nos dando um presente de lutas, presente de conquistas, presente de amor, presente de vida, presente de empreender o novo e fazer Egito e Bahia, Africa e Brasil, feminino destino que nos trouxe a Nova Era, com referencias civilizatórios que estão nas piramides e feiras livres, com honra e conhecimento milenar, para empreender uma nova esfera.

Nesta Terra Mulher, onde moramos, Faça diferença com aquilo que você é e traz!

(Desconhecido)

Assim nasce um Orixá em nós

ASSIM NASCE UM ORIXÁ EM NÓS

Se iniciar na magia do orixá é possibilitar através de rituais próprios que o lado divino da criatura transpareça; é libertar o Deus Interior que existe em cada ser humano, permitindo-lhe vir a tona e provocar impulso irresistível capaz de conduzir a individualidade à realização pessoal, estabelecendo dessa maneira a mais perfeita comunhão possível com o Universo, coma Natureza, com o Criador, enfim, com a própria Vida, em seu pulsar infinito.
Corpo físico, mente e alma são ritualisticamente preparados para componentes da manifestação divina. Condições propícias são estabelecidas para que a memória ancestral possa florescer nos recessos do inconsciente, produzindo muitas vezes o transe, em suas mais variadas formas e também variados graus. “Fazer santo” é nascer de novo, renascer como indivíduo mais forte, completo, potencialmente seguro, com melhores condições para, ao abandonar medos, traumas ou bloqueios, lançar-se inteiro na busca da realização pessoal.

Conhecer a si mesmo: pressuposto básico para a realização pessoal em todos os níveis.
Desde sua origem o ser humano anseia pelo encontro com o Infinito. Essa busca incansável frequentemente provoca verdadeiras batalhas que são travadas no interior do indivíduo, acompanhadas por sentimentos de angústia, ansiedade, inconformismo ou até mesmo desespero frente ao desconhecido ou ao irremediável: as fatalidades e incertezas do amanhã, o ciclo da vida, a morte. Todo esse processo destina-se a criação de ambiente propício ao tão sonhado encontro.
A história da humanidade espelha essa incansável busca de respostas aos enigmas da vida: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? A felicidade é perseguida por todos, sendo muitas vezes um desejo alimentado pela incerteza: “Quero ser feliz, mas não sei bem o que é felicidade”. E o ser humano continua a colocar a própria felicidade longe de si mesmo, em circunstâncias exteriores: dinheiro, posição, poder, fama, ou na dependência de outras pessoas: “Se ele – ou ela – me amar, serei feliz”.

Há milhares de anos, o nativo do continente africano já tinha os mesmos anseios: conhecer seu Deus, os mistérios do Universo, a origem da Vida. Olodumárè (o Criador), em sua Graça e Poder infinitos, permitiu-lhes conhecer a sabedoria do IFA (a revelação): a Criação do Universo e dos seres humanos, os princípios que regulam as relações entre Ilú Aiyé (a Terra) o Orún (mundo espiritual) e o conhecimento dos Òrìsa, divindades partícipes da Criação e intermediárias entre Deus (Olodumárè) e os homens. Desenvolveram-se rituais iniciáticos para os mistérios dos Òrìsà, como forma de realizar o sagrado em si mesmo, ou seja, permitir que o Deus Interior, na figura de um ancestral divino, desperte em cada indivíduo e estabeleça a ponte com o Cosmos, tão necessária à realização pessoal, tornando-o assim capaz de fazer escolhas mais acertadas e consequentes em relação à vida e aos semelhantes, na construção da própria felicidade.

A compreensão clara de que destino é possibilidade e não fatalidade é a base dessa realização. O conhecimento das forças que regem o Universo e a Vida nas suas mais variadas formas e meios de manifestação, bem como dos princípios que regulam essa interação é o caminho da Iniciação.

O momento do chamado é diferente para cada pessoa.. Para alguns, uma doença difícil de ser curada: outros, as dificuldades do próprio caminho; outros ainda, buscam fugir às religiões tradicionais por concluírem que muitas delas estão tão voltadas para o dia a dia dos homens e seus interesses imediatos que acabam fugindo à sua real finalidade: promover o encontro do ser com a Divindade, ampará-lo em suas dificuldades espirituais e consequentemente, também as materiais.
Alguns ainda são provenientes de outras religiões ou filosofias espiritualistas; finalmente, existem aqueles que simplesmente são tocados pelo Òrìsà, nos recessos da própria alma.
Muitos são descendentes de africanos, mas não é regra. Na África o culto está realmente ligado às famílias, mas no Brasil, principalmente a miscigenação, trouxe para toda a população a denominação afro-descendente.

A iniciação (feitura) propriamente dita acontece num período de reclusão que varia de sete a dezessete dias (embora alguns lugares adotem 21). Essa reclusão (recolhimento) ocorre nos Templos Religiosos conhecidos como Casas de Candomblé, em aposentos próprios para tal finalidade. Esse período é comparável a gestação na barriga da mãe; nesse aspecto, o aposento sagrado representa o ventre da própria mãe natureza. O neófito aprende os mistérios básicos das divindades e da Criação; os costumes da comunidade e os princípios que regulam as relações da família religiosa (hierarquia sacerdotal); as formas adequadas de comportamento nas cerimônias públicas e restritas. Conhecimentos acerca de seu próprio Òrìsà lhe são ministrados: a maneira adequada de cultuá-lo, suas proibições (ewò), as virtudes que deverão ser cultivadas e os vícios que deverão ser evitados para atrair influências benéficas e uma relação harmoniosa com a divindade pessoal.

Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio. Tendo os mesmos concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico. Esta tarefa é entregue aos poderosos Espíritos da Natureza, sendo que um deles assume a responsabilidade dessa tarefa, fornecendo a essa forma as energias necessárias para que o feto se desenvolva, para que haja vida. A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela vibração original. Assim surge o ELEDÁ desse novo ser encarnado, que é a força energética primária e atuante do nascimento.

Nesse período, os Elementais trabalham incessantemente, cada um na sua respectiva área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etérico e corpo denso. Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio. A partir daí essa energia passa a atuar de forma mais discreta, obedecendo a esta Lei, sustentando-lhe, contudo, a forma e energia material pela contínua manutenção e transformação, no sentido de manter-lhe a existência.

Acreditamos que ao nascer, trazemos conosco o orixá orí, que é formado pelo “eu”, mais as experiências adquiridas durante sua vida, esse orí determina tudo dentro do orixá, dizemos “ory bom, orixá bom”, porque é ele que vai permitir a entrada de qualquer energia para positivar esse orí. Um exemplo: uma pessoa que está com stress ou está muito ansiosa, o Borí vai trazer uma energia positiva, assim alterando o estado dessa pessoa, para calma e menos ansiosa.

Não adianta dar nenhuma obrigação a sua cabeça, sem que antes seja feito o borí, pois ele prepara para receber a obrigação plenamente.

E como? O Borí é um ritual, onde são colocados elementos que trazem símbolos e elementos com energia boa, como a fruta, que tem o significado de fartura ou até mesmo o ebò (canjica branca), que significa paz, e assim por diante. São entoados cânticos ao orixá orí, que contam como orí é importante na formação de uma pessoa. São cantadas também cantigas a Yemanjá, considerada dona de todos os orís e Oxalá, o pai de todos orixás e senhor da paz.

“A sensação, depois do borí, eu posso descrever, é como se você tivesse carregando um peso nas costas durante um dia inteiro e quando chega a noite e você tira esse peso das costas e o que acontece? Você sente vontade de descasar, sente um alivio”. Muitas pessoas sentem isso, e algumas sentem um sono muito grande.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e o indivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam. Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturais em diferentes proporções. Além dos espíritos amigos que se empenham em nossa vigilância e auxílio morais, contamos com um espírito da natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso “arquétipo”.

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, “Chefe de Cabeça”, “Pai ou Mãe de Cabeça”, ou o nome esotérico “ELEDÁ”. A forma como nosso corpo reage às diversas situações durante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e características emocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.

Orixá é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado.

(Texto copiado… Autor desconhecido)

Omidewá: 60 anos com muito axé!

Omidewá: 60 anos com muito axé!

No último dia 6 de janeiro de 2018, Mãe Lúcia Omidewá de Oxum, aniversariou seus 60 anos neste Àiyé. A Coluna parabeniza essa importante Ialorixá paraibana, nascida em Sapé, que construiu uma trajetória das mais destacadas dentro do universo daquilo que passamos a chamar de religiões de
matriz africana, fundando em João Pessoa o Ilê de candomblé vinculado em seus fundamentos sagrados com o Ilê Axé Opô Afonjá, centenário terreiro da capital baiana, cujo patrono é o Orixá Xangô, o grande Alafin de Oyó da Nigéria. Mãe Lúcia chega aos 60 anos com uma maturidade religiosa que poucas lideranças religiosas possuem. Desde que a conheci, há cerca de dez anos, tenho acompanhado seu trabalho social relevante, especialmente no campo da segurança alimentar, tendo se tornado referência nacional no âmbito das ações de controle social de políticas públicas de combate à fome.
Além dos afazeres religiosos, a senhora Omidewá tem atuado fortemente no acompanhamento público da saúde da população negra, compondo na Paraíba a Rede de Saúde nos Terreiros. Antenada, atuante e proativa, Mãe Lúcia tem sido uma guerreira intransigente na defesa dos direitos humanos e das religiões afroameríndias.

A esta fiel zeladora de Xangô, desejamos para nossa Iyá que os Orixás lhe conceda muita saúde e discernimento, para que seu trabalho social e sua ação com o Sagrado se prolongue por muitas e muitas décadas.

Coluna Elejó – Por Dalmo Oliveira (Ogan do Ilê Asè Opô Omidewá)

Publicado no Jornal A UNIÃO (João Pessoa, Paraíba – Domingo, 14 de janeiro de 2018).

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