jul
27

Colhendo Saberes: Igi Orógbó

Orógbó = Sem nome em português

Reino Plantae, Divisão Magnoliophyta, Classe Magnoliopsida, Ordem Malpighiales, Família Clusiaceae (antiga Gutiferae), Gênero Garcinia, Espécie kola. Nome Científico: Garcinia kola.

O igi Orógbó possui uma semente de mesmo nome, fruto preferido do Òrìsà Sàngó que representa as pedras de raio em sua culto, e também é citado como os Olhos de Sàngó. É utilizado também no culto aos ancestrais representando a descendência.

Orógbó, é portanto relacionado a vida e a morte, sendo oferendada aos espíritos dos mortos e utilizada em rituais iniciáticos e entre outros como estimulante da vida pois propicia saúde e vigor.

O Orógbó também é ofertado a Esú, lyàmi-Òsòróngà, Ogúo, Òbàlúwàiyé, Oyà, Òmólú, lyémowo-Iyémònjá e Òòrisànlà-Òbátálà só recebem oferta de Orógbó sem a casca exibindo sua parte branca.

“Orógbó envia sonhos para que os filhos dos ancestrais possam encontrar-se com quem está separado. Orógbó ensina os filhos a fazerem uso do ato de pedir perdão para que fiquem ricos e saudáveis. Orógbó ensina a ser purificado, purificado e amadurecido. Ensina a ser purificado, para suplicar abundância e plenitude. Com o poder de Olódùmarè, tanto o vivo quanto o morto sempre ganha”

Na imagem (Fotografia de Ronny Nascimento), podemos observar nossa Ìyálòrìsà Lúcia de Omidewá, em frente do exemplar do igi orógbó plantado em nosso Ilé Àsè no ano de 2010 através do plantio de sementes.

Material produzido a partir do projeto “Flora Omidewá – Colhendo saberes”, sob Coordenação Geral de Lúcia de Omidewá, Direção de Produção de Sidney Ruffino e Consultoria Técnica de Juliane Alves.

Fonte Bibliográfica: SANTOS, Maria Stella de Azevedo. Graziela Domini Peixoto. O que as folhas cantam (para quem canta folhas). Brasília: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI), 2014.

Portal meu Orixá: https://meuorixa.wordpress.com/2013/08/03/orogbo/

jun
29

Colhendo saberes: Ìrókò

Ìrókò = Ìrókò / Gameleira branca

Reino Plantae Divisão, Magnoliophyta Classe Magnoliopsida, Ordem Rosales, Família Moraceae, Gênero Chlorophora, Espécie excelsa. Nome Científico: Milicia excelsa.

Gameleira branca

Reino Plantae, Divisão Magnoliophyta, Classe Magnoliopsida, Ordem Rosales, Família Moraceae, Gênero Ficus, Espécie gomelleira. Nome Científico: Ficus gomelleira.

Na África o Òrìsà (Orixá) Ìrókò faz morada na árvore de mesmo nome, que cientificamente é chamada de Milicia excelsa, anteriormente classificada como Chlorophora excelsa.

Como a espécie não foi trazida para o Brasil, o Òrìsà (Orixá) Ìrókò passou a ser cultuado na árvore de mesma família conhecida como Gameleira branca (Ficus gomelleira).

Òrìsà Ìrókò na nação kétu, corresponde ao vodun Lóko na nação jeje e ao nkise Tempo na nação Angola.

De estrutura grandiosa, a árvore vive mais de duzentos anos e em solo africano é carregada de mistérios bem como nos cultos afro-brasileiros, ligada a longevidade e a durabilidade das coisas.

Segundo a cultura Yorùbá, Ìrókò é uma das sete àwon igi (árvores) pilares do mundo. É o ancestral da humanidade do Reino Vegetal.

Conta um ìtàn do odu Ejónílé descrito no livro O que as Folhas Cantam de autoria de Mãe Stella de Òsóòsí e de Graziela Domini, que “dois homens de nomes Akile e Akole começaram uma briga que terminou por envolver a todos, inclusive os Òrìsà (Orixás). Èsù se meteu na confusão soprando um pó misturado com terra que aumentou ainda mais a agitação, pois causou uma grande tempestade. Essa tempestade ficou sendo chamada de Adarun, o toque de guerra que atrai os Òrìsà (Orixás). Akile e Akole foram mortos pela tempestade e todos os Òrìsà (Orixás) foram arrasados, inclusive os fun fun. Só a árvore Ìrókò, que tinha sido plantada pelos Òrìsà fun fun, e por isto veste-se de branco e come milho branco, não ficou arrasada. Foi ela quem ajudou Òsàlá (Oxalá) quando ele foi pedir socorro a Olorun. A Divindade Suprema tirou um galho de Ìrókò e fez o cajado para Òsàlá voltar ao Àiyé, garantindo-lhe que os problemas já estavam resolvidos por lá. A árvore Ìrókò passou a ser Igi Olórun, árvore cujas raízes descem do Òrun. A árvore Ìrókò ganhou status de Òrìsà, pertencente a família funfun.

Cercado de mistérios, Ìrókò também é morada das Ìyámi, dos espíritos Àbiku e de Egungun.

Assim cantamos para Ìrókò:

“Ero Ìrókò ki silè

Ero Ìrókò ìsò ero

A essência deve fixar-se

Saudamos Ìrókò para que Ele fixe à essência, os pensamentos, as ideias e os projetos.”

Na imagem (Fotografia de Ronny Nascimento), podemos observar nossa Ìyálòrìsà Lúcia de Omidewá junto ao primeiro exemplar, vindo da Nigéria e plantado em nosso Ilé Àse no ano de 2015 através do plantio de muda.

Material produzido a partir do projeto “Flora Omidewá – Colhendo saberes”, sob Coordenação Geral de Lúcia de Omidewá, Direção de Produção de Sidney Ruffino e Consultoria Técnica de Juliane Alves.

Fonte Bibliográfica: SANTOS, Maria Stella de Azevedo. Graziela Domini Peixoto. O que as folhas cantam (para quem canta folhas). Brasília: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI), 2014.

jun
28

Você sabia?!

“Por que colocamos nossos Orixás e/ou (Nkisis) em terrinas de louça e por que usamos saias e bordados europeus? Porque os escravos não estavam em suas terras e tinham que dar aos seus Orixás o que tinham de melhor. Sendo assim, quando as senhoras de engenho e de escravos trocavam suas louças lascadas e jogavam fora, eles, os escravos, pegavam essas louças e colocavam seus Orixás porque era o que, naquele momento, eles tinham de mais caro para o que lhes era muitíssimo caro – sua ancestralidade, sua África ancestral, sua ancestralidade e aqueles que ficaram pelo caminho. Quanto às roupas, eles vinham nus da África – alguém acredita que em uma viagem que durava de seis meses a 1 ano haveria roupas africanas – e aqui eram, literalmente, vestidos com roupas europeias; sendo assim, igualmente, tinham que usar o que tinham a mão, saias e roupas europeias. Isso não é sincretismo, isso é Histórico!
Isso é História!
Candomblé é História!!!” (Autor desconhecido)

Candomblé é Cultura!

Imagem meramente ilustrativa.

Maio
02

Dia de Mãe Stella!

Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxóssi, Odé Kayodê, nasceu no dia 02 de maio de 1925, em Salvador, Bahia. Nossa ancestral, nosso exemplo, que mesmo não estando entre nós fisicamente, ainda nos inspira, nos direciona, com todos os ensinamentos deixados, seu legado vive. Se estivesse no Aiyê, completaria 96 anos de vida. O Orun está em festa! Salve a eterna estrela azul da Bahia e dos nossos corações! A senhora vive entre nós e em nós. Salve Odé Kayodê! Nossa ancestral!

“Kíkí Ìyá Stella lààyè awon ésà àti Òrìsà Egbé?!”
(Salve Mãe Stella e viva os ancestrais do culto de Orixá!)

E como já foi dito por Mãe Beata d’Iemanjá, também uma ancestral: “Nós não morremos. Há uma continuidade de outra vida mais plena, com mais sabor, com mais serenidade. Nós somos como um vidro de perfume. Se uma grande essência cair, se quebrar, fica aquele aroma delicioso, de capim, de rosa, sem você saber… Nós somos espíritos, somos os eguns, porque os nossos antepassados estão ali conosco”.

abr
07

Dia Mundial da Saúde

O Dia Mundial da Saúde é celebrado em 07 de abril. O principal objetivo desta data é conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da saúde para ter uma melhor qualidade de vida. Precisamos cuidar do nosso espiritual, mas também do nosso corpo, nossa mente.

“Muitas pessoas consideram-se saudáveis quando estão sem nenhuma doença, porém a falta de enfermidades não significa presença de saúde. Dizer que uma pessoa está saudável requer a análise de um conjunto de fatores, tais como qualidade de vida e aspectos mentais e físicos. Em 1946, a Organização Mundial da Saúde aprovou um conceito que visava ampliar a visão do mundo a respeito do que seria estar saudável. Ficou definido então que “a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. De acordo com esse conceito, percebemos que saúde não é um estado fácil de ser alcançado, uma vez que nem todas as pessoas conseguem viver sem tristezas, sem preocupações e interagindo com o restante da sociedade de maneira harmoniosa. A saúde deve ser vista como uma forma de total bem-estar, que é conseguido não só por meio do tratamento de doenças ou de sua prevenção, mas também da qualidade de vida. De acordo com a Lei nº 8.080, de 1990, a saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. A lei também enfoca que, para haver saúde, alguns fatores são determinantes, tais como: a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer, e o acesso aos bens e serviços essenciais. Percebe-se, portanto, que todos os fatores, por mais irrelevantes que possam parecer, afetam a vida de um indivíduo e, consequentemente, a sua saúde. O papel do Estado para garantir o bem-estar da população é fundamental, pois é ele o responsável pela qualidade de vida de cada cidadão.É fundamental que, além de cuidarmos da nossa saúde, participemos da luta por melhorias em nosso país. Vale destacar que não devemos procurar melhorias apenas em hospitais, devemos lutar por mais segurança, educação, lazer, cultura, entre outros direitos básicos e fundamentais para o completo bem-estar individual e social.” (Brasil Escola)

Se cuidem. Se respeitem. Se amem.

out
21

Itan sobre Iroko

“No início da humanidade, os orixás tomaram a decisão de plantar uma entidade na Terra. Dessa forma, seria mais fácil para que eles descessem até o planeta em questão e ajudassem a povoá-lo, oferecendo não somente trabalho e comida, mas toda uma vida. A divindade que foi utilizada nessa tarefa se chamava Iroko. Certo dia, uma briga muito intensa ocorreu perto de Iroko. Embora os responsáveis por ela fossem dois humanos, eles logo envolveram os orixás em sua discussão, que tomou proporções muito grandes em pouco tempo. Cansado e irritado por presenciar tal questão, Exú soprou um pó que logo se transformou em um raio e atingiu os homens, matando-os. Esse acontecimento assustou toda a população que morava no local, fazendo com que eles acreditassem que aquilo tivesse sido fruto de magia negativa. Revoltados com a conclusão estabelecida pelos seres humanos, os orixás decidiram acabar com toda a vida na Terra. Diante esse acontecimento, Oxalá pediu a intervenção de Olorum, que impediu a morte da comunidade. Nesse momento, a entidade também soprou um pó sobre Iroko. No mesmo minuto, ela criou raízes fortes e longas na Terra e passou a crescer. Cresceu tanto que em poucos minutos quase atingiu o céu. Isso só não aconteceu porque Olorum logo formou várias nuvens que impediram a visão do orixá e, assim, finalizou o seu desenvolvimento. Triste por causa da morte de tantas de suas criações, Oxalá foi presenteado com um galho de Iroko. Com ele, passou a controlar o destino de todas as pessoas, de maneira a não permitir que algo do tipo ocorresse novamente.” (Fonte desconhecida)

out
15

Itan sobre Ewá

“Ewá, assim, como Oxumarê, é filha da Orixá Nanã. Ewá é o horizonte, o encontro do céu com a terra. É o encontro do céu com o mar. Ewá era bela e iluminada, mas era solitária e muito calada. Nanã, então, preocupada com sua filha, pediu a Orunmilá que pusesse um amor em seu caminho, que arranjasse um casamento para Ewá. Mas Ewá gostava de sua solidão e queria, na verdade, viver só; dedicando-se unicamente à sua nobre tarefa de trazer a noite ao horizonte, e de mandar o sol se pôr com sua magia. Nanã, porém, insistia em casar a filha. Então, Ewá pediu ajuda a seu irmão Oxumarê. Dono do arco-íris, Oxumarê escondeu Ewá no lugar onde termina o arco de seu corpo. Escondeu Ewá por trás do horizonte e Nanã nunca mais pôde alcançá-la para impor-lhe esse casamento indesejado. Assim, os dois irmãos passaram a viver juntos; lá onde o céu encontra a Terra, de onde ela traz a noite com seu adô.

Pèlé ‘nbo Ewá a níre o
Òrìsà yin a ‘nbo Ewá
Ewá a níre o

Delicadamente cultuamos Ewá
por estarmos felizes
Orixá estamos cultuando-vos Ewá
Ewá estamos felizes.”

(Reginaldo Prandi, “Mitologia dos Orixás”).

Extraído de Simone Santos.

out
15

Itan sobre Oxóssi

Oxossi, garoto ainda, mas já demonstrando paixão pela caça e consequentemente pela mata, saía todas as madrugadas e voltava sempre ao anoitecer, sempre, trazendo uma novidade. Ele tinha poucos amigos, pois era desconfiado. Falava pouco, mas quando escapava uma conversa, falava muito de um amigo, Ossain. A mãe não gostava muito das proezas do amigo. Este fazia as pessoas se perderem na floresta, assustava a quem passava distraído, sem pedir licença – “agô”.

Certo dia, a mãe o chamou e disse: – Tive um sonho desagradável com você, por isso, hoje não saia de casa. Ele insistiu e ela disse: – Então não vá para longe. Como Oxóssi era destemido, achou que era controle ou repressão. Sabia também que não era de briga ou agressão. Saiu. Adiante, encontrou com o amigo Ossain, que pulou em sua frente o assustando. Quando reconheceu o amigo, abraçaram-se e foram andando. Ele contou a conversa da mãe, ao que o outro respondeu: – Toda mãe é boba. Nem de briga você gosta. Você não é como Ogun. Andaram muito, tiveram sede. Odé, nas pressas, não pegou o embornal da água e se lamentou. O outro disse: – Tem nada não, tenho aqui uma coisa melhor que água. No primeiro gole, Odé achou forte e disse que não queria. O outro falou: – Você parece uma mocinha. Ao que ele respondeu – Sei que sou homem. E bebeu.

A sede aumentou, Odé bebeu mais e mais, ficou embriagado, sentou e dormiu. O outro gozador jogou a bebida pela cabeça do companheiro. A tal bebida era meladinha – aguardente e mel de abelha – e colocou um punhado de penas da cabeça aos pés, pelo rosto, braços. Pôs no corpo todo. Estando embriagado, Odé não sentiu. Ao acordar, horas depois, meio zonzo, achando-se estranho, pensou que era apenas efeito da bebida, foi para casa já bem tarde, depois da hora de costume. A mãe ao vê-lo fantasiado e trôpego, o expulsou de casa. Ele voltou para a mata desolado, não encontrou mais Ossain que tinha se tornado invisível, depois da peça que pregou. Odé tonto, triste, com fome e sede, todo cheio de penas, não teve condições de seguir em frente.

Pela madrugada chegou Ogun, encontra Odé nesse estado deplorável, toma conhecimento do ocorrido absurdo, manda que vá tomar banho no rio, prepara uma cabana de folhas e o põe dentro e fica de guarda até passar o efeito da embriaguez, até o amanhecer. Deste dia em diante, Oxóssi tomou horror ao mel de abelhas, não quer nem ouvir falar no nome.

(Oxossi: o caçador de alegrias, 2011, p. 29-31).

set
05

Itan: Iemanjá, mãe das cabeças

“Olodumare fez o mundo e repartiu entre os orixás vários poderes, dando um reino a cada um para cuidar. A Exú deu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas. A Ogum o poder de forjar os utensílios para agricultura e o domínio de todos os caminhos. A Oxóssi o poder sobre a caça e a fartura. A Obaluaê o poder de controlar as doenças de pele. Oxumarê seria o arco-íris, embelezaria a terra e comandaria a chuva, trazendo sorte aos agricultores. Xangô recebeu o poder da justiça e sobre os trovões. Iansã reinaria sobre os mortos e teria poder sobre os raios. Ewá controlaria a subida dos mortos para o Orun, bem como reinaria sobre os cemitérios. Oxum a divindade da beleza, da fertilidade das mulheres e de todas as riquezas materiais da terra, bem como teria o poder de reinar sobre os sentimentos de amor e ódio. Nanã recebeu a dádiva, por sua idade avançada, de ser a pura sabedoria dos mais velhos, além de ser o final de todos os mortais; nas profundezas de sua terra, os corpos dos mortos seriam recebidos. Do seu reino sairia a lama da qual Oxalá modelaria os mortais, pois Oduduwa já havia criado o mundo. Todo o processo de criação terminou com o poder de Oxaguian que inventou a cultura material. Para Iemanjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Oxalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos. Ela trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava. Durante muito tempo Iemanjá reclamou dessa condição e tanto falou, nos ouvidos de Oxalá, que este enlouqueceu. A cabeça de Oxalá não suportou os reclamos de Iemanjá. Ele ficou enfermo, e Iemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias o curou. Oxalá agradecido foi a Olodumare pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o borí e demais ritos à cabeça.” (Autor desconhecido)

ago
18

Oxum – Ancestralidade Feminina

Òsún é a proprietária de todos os rios e de todas as águas doces do mundo, incluindo a água do corpo e da corrente sanguínea. Em geografia sagrada, a energia Òsún é encarnada em seu rio sagrado que leva seu nome. O rio Òsún que nasce no Estado de Ekiti, no leste da Nigéria e do fluxo para o oeste através de sua casa, Osogbo, onde a adoração é centradaem Òsún. Esta é a casa de sua mais alta sacerdotisa, a Ìyá Òsún (Mãe Òsún).
Òsún – a personificação da Ancestralidade feminina. Em todo o mundo, quando nos deparamos com a água, encontramos a personificação do feminino, da purificação e da fertilidade. É a água que sustenta nossas vidas frágeis no ventre de nossas mães antes de chegarmos a cada encarnação. É água é o agente pelo qual nós purificamos o corpo e a alma. É a água que nos limpa de dentro para fora. Em muitas culturas, a santidade da água é captada no arquétipo de uma divindade feminina, o que também é o caso da cultura iorubá da África Ocidental. A importância primordial da água é ser reconhecida e venerada por meio da adoração dos ribeirinhos ao Òrìsá Òsún (divindade).
… É na estação das chuvas, quando o rio Òsún está cheio de águas, a sua cura e a fecundidade da terra está a sua altura, é quando é feito o festival anual para honrá-la é celebrada. É a sua sacerdotisa, a Ìyá Òsún e sua contra parte terrena / parceiro, o Atoaja, que tomam o centro do palco para se certificar de que ela é propiciada de forma correta, de modo que a cidade inteira, na verdade, todo o nigeriano e adorador mundo afora possa experimentar um ano próspero. Além de ser o Òrìsá da fertilidade corporal, Òsún é uma divindade da fertilidade monetária. Òsún é associada à riqueza e pode provavelmente transmitir a riqueza como ela faz com as crianças. Novamente, podemos olhar para a sua poesia de louvor e compreender sua associação com a riqueza. Em seus poemas vemos muitos elogios, encontramos a altura da beleza, a luz delgada de sua pele que é adornada com o bronze, metal precioso, e carrega um pente de contas. É no rio Òsún que encontramos os meios de troca monetária, o búzio, que é usado pelos yorùbá. Tão forte é sua associação com a riqueza, que na diáspora, ela é freqüentemente invocada a trazer estabilidade financeira e sorte. Freqüentemente, o devoto em busca de riqueza irá encontrar um rio e as ofertas de um dos alimentos especiais Òsún, o mel, juntamente com cinco moedas de cobre. Em Osogbo, não seria incomum para uma pessoa que precisa de dinheiro trazer seus presentes ao bosque sagrado e oferecê-los diretamente ao rio para pedir favores. Enquanto o búzio é um meio de troca, ele também pode ser usado para adivinhação. Òsún é também um adivinho através de sua associação com búzios e sua associação com a òrìsá da Adivinhação Òrúnmìlá (vis-à-vis o casamento). Nos deparamos com mais uma faceta deste Òrìsá muito importante, nos deparamos com uma mulher de conhecimento. Òsún é dito ser o Òrìsá que aprendeu o sistema de adivinhação com dezesseis búzios. De fato, em algumas das mitologias, é Òsún que executa adivinhação na casa de Òrúnmìlá quando ele está longe. Embora para nós Òsún seja o máximo em feminilidade, ela como todos os òrìsá é um poder divino que incorpora a feminilidade. Foi Òsún, o único Òrisá do sexo feminino que desceu a Terra dentre os 16 Òrìsás para deixar o mundo pronto para a humanidade (Autor desconhecido).

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