Tudo é uma Constante Mudança

Mudanças…
Tudo é uma constante mudança. As pessoas mudam, o mundo muda… Tudo se transforma com o tempo, e nada permanece igual. O que nos resta são os bons momentos que foram vividos e que ficaram guardados para sempre em nossa lembrança. Devemos viver cada segundo intensamente. Nada é perfeito e em nossa vida, surgem obstáculos e muitas vezes nos vemos sem saída e sem solução para nossos problemas. Aí pensamos e surge a dúvida: Será que existe luz no “fim do túnel”? Para tudo existe uma solução e o maior e principal problema está em nós mesmos, em nossa dificuldade de encarar os fatos e lutarmos por aquilo que realmente desejamos. Toda pessoa possui dentro de si um certo medo, uma insegurança de não conseguir e de ser um perdedor; mas a vida é uma intensa provocação, e devemos encará-la de “peito aberto” para poder vencer e mostrar a nós mesmos que somos capazes de lutar e sermos os melhores. Devemos sempre seguir a voz de nosso coração e seguir sem medo de viver.
A palavra nunca, não existe no vocabulário da vida, pois nós podemos tudo o que quisermos. A auto confiança e a segurança devem ser as principais armas nessa batalha que se chama vida. Mas o que a vida representa? A vida é feita de momentos muitas vezes ruins e bons, tristes e alegres e de presente, passado e futuro. O passado foi vivido e as recordações restam; para o futuro termos esperanças de uma vida feliz. Mas e o presente? Devemos vivê-lo ao máximo, para podermos fazer desses momentos os melhores de nossas vidas. Um conselho: Viva e aprenda com a vida. A cada dia, aprendemos novas lições e com elas tiramos proveito para não errar novamente, não “tropeçar” no mesmo erro. Todos os dias acordamos e fazemos praticamente o mesmo, e às vezes o cotidiano cansa. Mas mesmo assim, olhe para o céu e para o sol. Enquanto ele brilhar para nós, ainda existirá esperança.
Podemos ser felizes com pequenas coisas. Sempre faça de sua vida uma eterna primavera com flores sempre a nascer. Vida é renovação, é esperança e temos que ter força para lutar. Não importa que tipo de vida você tenha, apenas viva e tente ser feliz, lute até o fim, busque seus sonhos e ideias com toda a força que puder, pois com certeza alcançará; e no fim de sua vida, você poderá olhar para trás e dizer com orgulho: “Eu lutei, eu vivi, eu busquei, eu venci.” E os pequenos e grandes obstáculos que enfrentou, você perceberá que foram como “espinhos ” que se foram e se perderam com o tempo. (Desconhecido)

Delegação do Governo do Quênia

No dia 17/05/2016, a Iyá Lúcia Omidewá esteve no Palácio da Redenção, fazendo parte da equipe de convidados para receber a Delegação do Quênia. Evento para trocas de saberes sobre agricultura familiar e esgurança alimentar.

A vice-governadora Lígia Feliciano recebeu na tarde da terça-feira (17/05) a delegação do governo do Quênia com 30 representantes. Eles estiveram na Paraíba para conhecer a experiência de apoio à agricultura familiar e trocar experiências sobre segurança alimentar. A reunião também contou com a presença de técnicos e representantes do Governo do Estado, das Nações Unidas e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Estiveram também no Quilombo em Areia/PB. Produtos da agricultura familiar.

Notícia: Governo da Paraíba

 

Prêmio Abèbé de Prata 2016

No dia 31/05/2016, aconteceu um grande evento religioso no teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu), em Recife. A Iyá Lúcia Omidewá recebeu um prêmio que é considerado o Oscar dos movimentos sociais em Pernambuco, o Abèbé de Prata, em reconhecimento a sua luta em prol das Religiões de Matrizes Africanas. Sempre nos orgulhando. Parabéns.

 

Com a força e determinação características das filhas de Oxum hoje em Recife-PE Iyá Lúcia é honrada com o Troféu Abèbé de Prata. Merecimento e reconhecimento pela luta do nosso povo de matriz africana, nossas raízes e nossa religião tão amada pelos devotos e tão perseguida pelos ignorantes. Me enche de orgulho como seu filho e tendo como exemplo essa guerreira como sacerdotisa. O Ilê Asè Opô Omidewá muito se orgulha e fica feliz por tantas conquistas dadas pelo nosso Orixá Mãe, Surê fumi yá Oxum. (Por Ebome Nino de Osossi, do Ilê Asè Opô Omidewá)
Abaixo algumas declarações:

Hino do Candomblé Iorubá

Hino do Candomblé Iorubá 

AWÁ O SORÔ ILÊ WÁ Ô

AWÁ O SORÔ ILÊ WÁ Ô

AWÁ O SORÔ ILÊ WÁ O

ESIN KAN O PE

O YEE

ESIN KAN O PE

KAWÁ MA SORÔ Ô

AWÁ O SORÔ ILÊ WÁ Ô

Cultuar nosso Orixá

Nós vamos cultuar nosso Orixá

Nós vamos cultuar nosso Orixá

Nós vamos cultuar nosso Orixá

Ninguém está contra isso, sim

Ninguém nos diz pra nos afastarmos

de nossas raízes

Nós vamos cultuar nosso Orixá

Oxum Ijimú

Ijimú e a Mãe do Povo Jejê é ligada ao povo carijébe, ou como chamamos o povo de jejê, diz uma lenda Oxum Ijimú teve vários filhos, assim era mestra no cuidados as crianças, e acabou por se tornar responsável pelos nascimentos de seu povoado, ia de casa em casa, com o tempo sua fama cresceu, em um período que o reino de Nanã foi atacado por Ogum e seu povo teve que ir para a guerra, Nanã pediu a Ijimú que cuidasse das crianças de sua tribo, então ela os colocou em uma grande cabaça e os levou para o fundo do rio, até que a grande guerra acabasse, por seus favores e pelo amor com que cuidou dos filhos do jejê, Nanã lhe ofereceu dois brajás de búzios e uma abebé de madeira, em forma de boneca, com a parte superior em forma de cabaça, para que essa passagem nunca fosse esquecida.
Seus filhos carregam a simpatia, educação e a sabedoria, são ótimos educadores. Joviais carregam no olhar a sinceridade. A memória boa é marca registrada, sempre estão prontas a escutar e adoram um bom papo. Na sua maioria, são modesto, pra elas sem admiração não há amor. Tradicionais, tem tendência aguçada ao misticismo e as artes ocultas.

Itan sobre o Obi

Olodunmare chama os homens para retornarem ao seu lar, porém nem mesmo a morte é capaz de apagar as lembranças os feitos de grandes homens. Obi é um elemento muito importante no culto de Vodun, Orisa e Nkise. A noz de cola, Obi, é o símbolo da oração no céu. É um alimento básico, e toda vez que é oferecido, o seu consumo é sempre precedido por preces. Foi Orunmila quem revelou como a noz de cola foi criada. Quando Olodunmare descobriu que as divindades estavam lutando umas contra as outras, antes de ficar claro que Esu era o responsável por isso, Ele decidiu convidar as quatro mais moderadas divindades (Paz, a Prosperidade, a Concórdia e Aiye, a única divindade feminina presente), para entrarem em acordo sobre a situação. Eles deliberaram longamente sobre o motivo de os mais jovens não mais respeitarem os mais velhos, como ordenado pelo Deus Supremo. Todos começaram então a rezar pelo retorno da unanimidade e equilíbrio. Enquanto estavam rezando pela restauração da harmonia, Olodunmare abriu e fechou sua mão direita apanhando o ar. Em seguida abriu e fechou sua mão esquerda, de novo apanhando o ar. Após isso, Ele foi para fora, mantendo Suas mãos fechadas e plantou o conteúdo das duas mãos no chão. Suas mãos haviam apanhado no ar as orações e Ele as plantou. No dia seguinte, uma árvore havia crescido no lugar onde Deus havia plantado as orações que Ele apanhara no ar. Ela rapidamente cresceu, floresceu e deu frutos. Quando as frutas amadureceram para colheita, começaram a cair no solo. Aiye pegou-as e as levou para Olodunmare ,e Ele disse a ela para que fosse e preparasse as frutas do jeito que mais lhe agradasse. Primeiro, ela tostou as frutas, e elas mudaram sua textura, o que as deixou com gosto ruim. No outro dia, Ela pegou mais frutas e as cozinhou, e elas mudaram de cor e não podiam ser comidas. Enquanto isso, outros foram fazendo tentativas, no entanto todas foram mal sucedidas. Foram então até Olodunmare para dizer que a missão de descobrir como preparar as nozes era impossível. Quando ninguém sabia o que fazer, Elenini, a divindade do Obstáculo, se apresentou como voluntária para guardar as frutas. Todas as frutas colhidas foram então dadas a ela. Elenini então partiu a cápsula, limpou e lavou as nozes e as guardou com as folhas para que ficassem frescas por catorze dias. Depois, ela começou a comer as nozes cruas. Ela esperou mais catorze dias e depois disso percebeu que as nozes estavam vigorosas e frescas. Após isso, ela levou as frutas para Olodunmare e disse a todos que o produto das preces, Obi, podia ser ingerido cru sem nenhum perigo. Deus então decretou que, já que tinha sido Elenini, a mais velha divindade em Sua casa quem conseguiu descodificar o segredo do produto das orações, as nozes deveriam ser dali por diante, não somente um alimento do céu, mas também, onde fossem apresentadas, deveriam ser sempre oferecidas primeiro ao mais velho sentado no meio do grupo, e seu consumo deveria ser sempre precedido por preces. Olodunmare também proclamou que, como um símbolo da prece, a árvore somente cresceria em lugares onde as pessoas respeitassem os mais velhos.

Naquela reunião do Conselho Divino, a primeira noz de cola foi partida pelo Próprio Olodunmare e tinha duas peças. Ele pegou uma e deu a outra para Elenini, a mais antiga divindade presente. A próxima noz de cola tinha três peças, as quais representavam as três divindades masculinas que disseram as orações que fizeram nascer a árvore da noz de cola. A próxima tinha quatro peças e incluía assim Aiye, a única mulher que estava presente na cerimônia. A próxima tinha cinco peças e incluiu Orisa-Nla. A próxima tinha seis peças representando a harmonia, o desejo das orações divinas. A noz de cola com seis peças foi então dividida e distribuída entre todos no Conselho.

Aiye então levou a noz de cola para a Terra, onde sua presença é marcada por preces e onde ela só germina e floresce em comunidades humanas onde existe respeito pelos mais velhos, pelos ancestrais e onde a tradição é glorificada.

O que é ser humano?

“Uma vez me perguntaram o que era ser humano e, sinceramente, não soube responder. As palavras pareciam distantes demais e as respostas não surgiam na minha mente, por mais que eu me esforçasse para isso. Disfarcei minha falta de conhecimentos com um ligeiro sorriso, mas a pergunta daquele rapaz me fez refletir. Alguns dizem que o humano é o mais sábio de todos os seres, aquele que é capaz de amar profundamente e fazer o bem ao próximo. Mas será isso mesmo? Não discordo da ideia de que somos os únicos seres racionais existentes, porém, assim como amamos, também odiamos, desejamos o mal e matamos. Não somos puros, jamais fomos. Distribuímos o ódio pelo mundo e causamos polêmica, e mesmo assim, ainda somos capazes de denominar animais, que agem por instinto, de selvagens. Agimos sem pensar, e quando pensamos, não agimos. Temos uma formação complexa e consequentemente complicada e nada perfeitinha. Fisicamente, somos meramente a junção de micropartículas a milhares de células, reunidas em três partes essenciais: cabeça, tronco e membros. Somos, na maioria dos casos, bem distintos em relação a cor dos olhos, formato do nariz, espessura dos lábios e demais partes, no entanto, o que mais nos diferencia um dos outros é o DNA, que nos torna únicos. Psicologicamente, não podemos ser descritos, e se formos, não será exato, já que a cada segundo, podemos mudar de opinião, pensamentos, vontades e sentimentos. Ao contrário dos sapos, não passamos por metamorfose, mas estamos sempre evoluindo de vários modos. Em relação a nosso pretérito, são desconhecidas nossas verdadeiras origens, todavia, as teorias de que nossos descendentes eram macacos, de que éramos células mutantes desenvolvidas e de que fomos originados através de Eva e Adão são as mais aceitas e, contudo, criticadas. Cada um de nós tem um jeito de ser ou uma mínima característica que nos torna únicos e parte de um globo tão complexo que possuímos arquivado no cérebro. Acima de tudo, mesmo diante de tanta maldade, somos seres humanos, nos comovemos com a tristeza e alguns de nós ainda visam ajudar os demais.

Talvez um dia a ciência descubra uma maneira que possa nos mostrar exatamente o que somos e o que já fomos, mas enquanto isso, teremos, no interior, uma essência indescritível, a essência de ser humano”.

Texto de autoria de Clara Prado.

Osaniyn

Segundo alguns pesquisadores a etmologia do nome Osaniyn é Osan = luz divina = iyn = glorificada.
Osaniyn é um orixá das matas. Comanda as árvores e as folhas da floresta, conhecendo os segredos que elas envolvem. É cultuado em Ìráwò, na Nigéria e no antigo Dahomey. Contribui para a evolução, apresentando aos homens a medicina natural das folhas e das plantas agrestes.
Osaniyn tem consigo o poder da força sagrada que envolve a natureza e seus elementais. Em suas atribuições, é apresentado ao lado de Aroni, um turbilhão de vento, representado por um anãozinho que, no ocultismo, seria conceituado como um gnomo. O primeiro, tem o aspecto de um duende, com um gorro vermelho enfeitado com búzios na cabeça, fuma cachimbo de barro e anda com uma perna só. No Brasil, assemelha-se ao mito do Saci-Pererê. O segundo tem uma perna só e o olho coberto por uma folha. Filho de Nanã, irmão de Obaluaie, Oxumarê, Iyewa e Iroko.
Faz parte do grupo de orixás que são representações das energias das matas e das folhas juntamente com Ároni, Aaja, Ode, Iroko, Oko entre outros.
Na Nigéria, é considerado orixá de segundo plano e não incorpora, como acontece no Brasil. Lá, ainda, há certos baba’láwo que o assentam, e apenas eles escutam sua fala e são detentores dos seus segredos.
Segundo os Lukumi que partilham profundamente a cultura yorubana em Cuba, Osaniyn não teve pai nem mãe. Nasceu da terra, como as plantas, sendo consagrado, por esse motivo como o senhor dos vegetais.
Proveniente dos Ijexá, tornou-se benfeitor e protetor da humanidade, dado o seu caráter de curador através da energia das plantas medicinais. É também entidade reverenciada quando se recebe o poder de Ifá. Há localidades na África onde a colheita das frutas e das folhas é feita por oito crianças vestidas com folhas.
Osaniyn tem um papel muito importante nas roças de candomblé, pois sem o axe das folhas nada se pode ser feito. A sua força reside no conhecimento do papel executado por cada vegetal. Sabe-se da existência de folhas que curam e das que matam, das que provocam Lorogún (brigas) e as que trazem prosperidade. Seu pássaro está presente em todos os lugares, é o mensageiro dos homens aos deuses, e destes aos homens.
Ainda, sobre o culto das árvores e folhas, suas virtudes são ativas na madrugada. Estas devem ser cortadas, após se presentear Osaniyn, antes do sol nascer, ou antes que ele se ponha. Á noite, elas adormecem, e suas virtudes estão, com elas, dormindo. Existem folhas que devem permanecer por uma noite ao pé de sua árvore. Caso contrário, não surtirão o efeito desejado.
Ilú ajé ô ewé ewé!
O culto a Osaniyn é tão importante, que os africanos a ele reservam um cargo: o Baba’losáyin, que é o conhecedor das leis da natureza com relação aos vegetais e suas virtudes curativas, as folhas caracterizam os orixás e seu papel nas cerimônias, dos ofó e oriki de apresentação das mesmas. Seus rituais são secretos e não têm apresentação ao público, num culto que reúne as árvores da floresta. As plantas cultivadas não fazem parte dos mesmos.
Sua feição com as Iya Mi é simbolizada pelo pássaro Eye (Atioro: Eye mora na cabaça – Igbà Osaniyn – que Osaniyn conduz e fala quando lhe é inquirido, trazendo as respostas das entidades), que em seu assentamento, caracteriza sua ligação também com os Oxô, feiticeiro do sexo masculino (o que caracteriza a sociedade dos Oxo, é que eles são iniciados a partir de outro, mais antigo, enquanto na sociedade das Gèlédé, feminina, os ensinamentos são transmitidos por hereditariedade, de mãe para filha).
Orixá das folhas, cascas e raízes. Nenhuma cerimônia do candomblé pode ser feita sem a sua presença, sendo ele o detentor da força doaxé indispensável para todos os orixás. Diz um itán (mito) que Agé teria sido comprado como escravo por Orunmilá, que ordenou que fosse arar o campo para o plantio. Quando chegou ao local, Osaniyn recusou-se a cortar as ervas daquele campo, pois elas eram úteis para curar febres, cólicas e dores diversas. Sabendo disso, Orunmilá não se irritou, ao contrário, decidiu que Osaniyn estaria sempre ao seu lado para explicar-lhe as virtudes de cada planta. Suas cores são verde e branco.
As pessoas de Age são equilibradas, capazes de controlar sem forças seus impulsos emocionais.
O tipo Osànyín, tem saúde delicada, que exige atenção e cuidados gerais. Possui um temperamento secreto, imprevisível, é sonhador, e relapso, desligado. Porém, são dados ao estudo, à reflexão, podem tornar-se cientistas, pesquisadores, médicos. São generosos, afetuosos, muito tolerantes, mas fazem questão de preservar a sua liberdade. Gostam de animais, com os quais dão a impressão de saber conversar, e de plantas, que conhecem a fundo e tratam com carinho. São despojados, sem ambição, completamente desprendidos de interesses materiais.

FONTE: Tradições do Candomblé

Itàn sobre Otim

Orixá da caça, filha de Erinlé. Alguns dizem ser esposa de Oxóssi (ou, ainda, irmã), e que o acompanha pelas matas, caçando. Defende tanto o caçador, quanto a caça. No Batuque, é cultuado como Orixá feminino. No candomblé (Nação Ketu e Nagô) existem dois Orixás, (qualidades de Orixás) Odé Inlé e Oxum Otin – caçadora, arisca, que dizem não incorporar. Algumas fontes trazem a informação de que Otim foi criada pela imaginação de Odé, pois era muito sozinho. Ele imaginou tanto e com tanta vontade uma companheira, que Otim apareceu para ele, sendo o único Orixá que não esteve viva na Terra. A função de Otim é levar água para os Orixás. Aparentemente, Otim (Orixá) é um Orixá feminino, ligada a Oxóssi, Ossain, Oxum, Yemanjá, Ogum, dentre outros. Orixá da caça, das presas,da floresta,aparentemente também tem domínio sobre as águas. É representada carregando uma jarra na cabeça,pois é ligada também a agricultura. Odé Otin,qualidade de Oxóssi – Um Oxossi azul, usa capanga e lança. Vive no mato a caçar. Come toda espécie de caça mas tem como preferência o búfalo.

Otim esconde que nasceu com 4 seios” Oquê, rei da cidade de Otã, tinha uma filha. Ela nascera com 4 seios e era chamada de Otim. O rei Oquê adorava sua filha e não permitia que ninguém soubesse de sua deformação. Este era o segredo de Oquê, este era o segredo de Otim. Quando Otim cresceu, o rei aconselho-a a nunca se casar, pois um marido, por mais que a amasse, um dia se aborreceria com ela e revelaria ao mundo seu vergonhoso segredo. Otim ficou muito triste, mas acatou o conselho do pai. Por muitos anos, Otim viveu em Igbajô, uma cidade vizinha, onde trabalhava no mercado. Um dia, um caçador chegou ao mercado, e ficou tão impressionado com a beleza de Otim, que insistiu em casar-se com ela. Otim recusou seu pedido por diversas vezes, mas, diante da insistência do caçador, concordou, impondo uma condição: o caçador nunca deveria mencionar seus quatro seios a ninguém. O caçador concordou, e impos também sua condição: Otim jamais deveria por mel de abalhas na comida dele, porque isso era seu tabu, seu euó.


Por muitos anos, Otim viveu feliz com o marido. Mas como era a esposa favorita, as outras esposas sentiram-se muito enciumadas. Um dia, reuniram-se e tramaram contra Otim. Era o dia de Otim cozinhar para o marido; ela preparava um prato de milho amarelo cozido, enfeitado com fatias de coco, o predileto do caçador. Quando Otim deixou a cozinha por alguns instantes, as outras sorrateiramente puseram mel na comida. Quando o caçador chegou em casa e sentou-se para comer, percebeu imediatamente o sabor do ingrediente proibido. Furioso, bateu em Otim e lhe disse as coisas mais cruéis, revelando seu segredo: “Tu, com teus quatro seios, sua filha de uma vaca, como ousaste a quebrar meu tabu?” A novidade espalhou-se pela cidade como fogo. Otim, a mulher de quatro seios, era ridicularizada por todos. Otim, fugiu de casa e deixou a cidade do marido. Voltou para sua cidade, Otã, e refugiou-se no palácio do pai. O velho rei a confortou, mas ele sabia que a noticia chegaria também a sua cidade. Em desespero, Otim fugiu para a floresta. Ao correr, tropeçou e caiu. Nesse momento, Otim transformu-se num rio, e o rio correu para o mar. Seu pai, que a seguia, viu que havia perdido a filha. Lá ia o rio fugindo para o mar. Querendo impedir o Rio de continuar sua fuga, desesperado, atirou-se ao chão, e, ali onde caiu, transformou-se em uma montanha, impedindo o caminho do rio Otim para o mar. Mas Otim contornou a montanha e seguiu seu curso. Oquê, a montanha, e Otim, o rio, são cultuados até hoje em Otã. Odé, o caçador, nunca se esqueceu de sua mulher.

Fonte: “Mitologia dos Orixás” – Reginaldo Prandi

Ler também Wikipedia

Conversa de Axé: Itàn sobre Exú

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