nov
18

Seminário LGBTQIA+ DE COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIROS

O Ponto de Cultura Odé Kayodê realizará no dia 18 de dezembro de 2021 o SEMINÁRIO LGBTQIA+ DE COMUNIDADES TRADICIONAIS DE TERREIROS – PELO DIREITO DE SER E EXISTIR. O seminário acontecerá nas dependências do Ilê Axé Opô Omidewá – João Pessoa/PB.

A atividade é voltada a população LGBTQIA+ inserida nas comunidades tradicionais de terreiros com o objetivo de promover o debate e o diálogo sobre assistência social, educação, segurança pública, saúde mental, seus direitos fundamentais e a transexualidade no Candomblé.

O seminário contará com uma vasta programação de palestras, grupos de trabalhos e ao final será disponibilizado certificado de participação.

Diante dos tempos pandêmicos, todas a normas sanitárias serão seguidas e a atividade contará com um número restrito de pessoas. Todos os participantes passarão por aferição de temperatura, só será permitido acesso ao local com o uso de máscaras e será respeitado as regras de distanciamento. Será disponibilizado álcool 70 no local do evento.

O credenciamento será realizado das 7:00 às 08:30 no local.

As inscrições podem ser feitas através do link abaixo até o dia 15 de dezembro.

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf1JMwTS4XFJEdVtCpnjrpB2lAN-fzp0BILxuoSQDAhC_SQ1g/viewform?usp=sf_link

set
21

OGÓJÌ ODÚN TI BERE TI

40 ANOS DE INICIAÇÃO DA IYALORIXÁ LÚCIA OMIDEWÁ

“Em 40 anos de sacerdócio, muitas foram as sementes plantadas, cultivadas e regadas diariamente, para que os frutos viessem a ser colhidos. Homenagem da comunidade do Valentina, onde nossa unidade tradicional está situada e vem ao longo desses anos cumprindo seu papel social no enfrentamento à intolerância religiosa, do racismo e principalmente para o fortalecimento da comunidade, sob a liderança aguerrida de nossa matriarca.” (Juliane de Oxum)

Homenagem

“Há quatro dias, no terreiro Ilê Asé Opô Omidewá, localizado no bairro do Valentina Figueiredo, em João Pessoa, está sendo comemorado o aniversário de 40 anos de iniciação da Mãe Lúcia de Oxum no Candomblé, uma festa que deve durar até o próximo sábado (18), às 19h, quando será realizada uma festa pública para louvar o Orixá da matriarca. O terreiro da casa que segue a tradição Ketu é um ponto não só de celebrações, mas proteção da cultura afro-brasileira e realiza ações sociais no bairro. Após receber orientação de uma entidade da Jurema e ser chamada pelo seu Orixá, em 1981, Lúcia se iniciou no Candomblé. Ela relembra que foi um processo muito significativo e que, na época, achava que estava destinada a ser uma Ebômi, que em português significa “irmã mais velha”, dos iniciados mais jovens. Três anos após completar o ciclo de iniciação no Candomblé, que dura sete anos, ela abriu sua primeira casa de Orixá no bairro do Valentina, mas em um terreno diferente do qual atua hoje. Em 2000, o terreiro foi aberto em um novo local, sendo a casa chamada de “Ilê Asé Opô Omidewá”, escrito em iorubá, que segundo Lúcia, significa “casa de força sustentada por Omidewá”, o último nome é uma referência ao nome de iniciação da matriarca, traduzido em “água chegou”. Para a mãe de santo, a função é um “sacerdócio para o resto da vida”.

Intolerância religiosa

Os terreiros que a Mãe Lúcia comandou já foram alvos de várias pedradas, uma violência que se estende por todas as casas de Orixá do Brasil. A matriarca explica que o enfrentamento está sendo feito através do diálogo, mas quando não há efeito, as vias legais são tomadas. Para a sacerdotisa, a intolerância contra religiões de matriz africana está relacionada com outros dois problemas: o racismo estrutural e o fundamentalismo religioso. O terreiro mostra uma face que é muito difícil para aqueles que apedrejam: a solidariedade, ações sociais de combate à fome, conscientização a respeito do meio ambiente e a busca pela preservação da cultura de povos africanos e indígenas no Brasil.

Atuação no combate às desigualdades

O terreiro “Ilê Asé Opô Omidewá”, comandado por Lúcia, é sede também do Instituto de Desenvolvimento Social e Cultural Omidewá (Indesco). A matriarca conta que o lugar desenvolve atividades de grande importância, principalmente para o setor cultural, com ações que buscam preservar e disseminar o legado afro-brasileiro e de ameríndios do Estado da Paraíba. A instituição já atuou em diferentes frentes, agindo no combate à fome, através de programas sociais do município, como o antigo Pão e Leite. O programa destinado à comunidades em vulnerabilidade social distribuía milhares de litros de leite e pão para os moradores, e o terreiro de Mãe Lúcia era o ponto de distribuição para a população do Valentina.

“Acredito que o maior legado deste Instituto foram as ações de segurança alimentar, enfrentando a fome dos povos periféricos quando os recursos eram escassos e até hoje, nesse momento, em que a economia não possibilita acesso a refeições diárias e saudáveis para toda população”, afirma a Mãe Lúcia.

Cultura e patrimônio

A preservação da cultura imaterial se dá por conta da ação Flora Omidewá, que desenvolve o projeto Colhendo Saberes, e conserva saberes sobre ervas e seus poderes ritualísticos e medicinais. No local, são empregadas técnicas de sustentabilidade para aumentar os canteiros de plantação, protegendo o ambiente e possibilitando a geração de renda para o instituto. O Indesco também conta com um biblioteca comunitária, onde toda a população pode consultar e retirar por empréstimo mais de 300 títulos sobre as religiões afro-brasileiras. A matriarca garante que em breve também haverá atividades de corte e costura para as mulheres periféricas do bairro. A casa realizava a Caminhada pela Água e pela Vida, que servia para chamar atenção da população e entes públicos para a proteção do meio ambiente, conduzindo para a criação do Parque Municipal Natural do Cuiá, criado na gestão de Luciano Agra, com objetivo de preservar nascentes de rios e a fauna e flora local.”

TEXTO: Termômetro da Política

(17 de setembro de 2021. Por Grace Vasconcelos – sob supervisão de Felipe Gesteira)

Os 40 anos de iniciação de mãe foi o que se pode chamar de um evento para entrar para a história. Pena que os momentos mais lindos a gente só possa guardar na memória. Oxum em terra, dançando lindamente como eu nunca tinha visto em minha vida. A cerimônia da consagração do nosso pai Tom, aquele momento de Oxum com os dois bebês no colo, e os bebês em sono profundo. Nada pode ter sido mais lindo. O momento da escolha da mais nova Ekede da casa. Sinceramente tiveram vários momentos que eu achei que tava era sonhando. (Bosco de Oxum)

jul
27

Colhendo Saberes: Igi Orógbó

Orógbó = Sem nome em português

Reino Plantae, Divisão Magnoliophyta, Classe Magnoliopsida, Ordem Malpighiales, Família Clusiaceae (antiga Gutiferae), Gênero Garcinia, Espécie kola. Nome Científico: Garcinia kola.

O igi Orógbó possui uma semente de mesmo nome, fruto preferido do Òrìsà Sàngó que representa as pedras de raio em sua culto, e também é citado como os Olhos de Sàngó. É utilizado também no culto aos ancestrais representando a descendência.

Orógbó, é portanto relacionado a vida e a morte, sendo oferendada aos espíritos dos mortos e utilizada em rituais iniciáticos e entre outros como estimulante da vida pois propicia saúde e vigor.

O Orógbó também é ofertado a Esú, lyàmi-Òsòróngà, Ogúo, Òbàlúwàiyé, Oyà, Òmólú, lyémowo-Iyémònjá e Òòrisànlà-Òbátálà só recebem oferta de Orógbó sem a casca exibindo sua parte branca.

“Orógbó envia sonhos para que os filhos dos ancestrais possam encontrar-se com quem está separado. Orógbó ensina os filhos a fazerem uso do ato de pedir perdão para que fiquem ricos e saudáveis. Orógbó ensina a ser purificado, purificado e amadurecido. Ensina a ser purificado, para suplicar abundância e plenitude. Com o poder de Olódùmarè, tanto o vivo quanto o morto sempre ganha”

Na imagem (Fotografia de Ronny Nascimento), podemos observar nossa Ìyálòrìsà Lúcia de Omidewá, em frente do exemplar do igi orógbó plantado em nosso Ilé Àsè no ano de 2010 através do plantio de sementes.

Material produzido a partir do projeto “Flora Omidewá – Colhendo saberes”, sob Coordenação Geral de Lúcia de Omidewá, Direção de Produção de Sidney Ruffino e Consultoria Técnica de Juliane Alves.

Fonte Bibliográfica: SANTOS, Maria Stella de Azevedo. Graziela Domini Peixoto. O que as folhas cantam (para quem canta folhas). Brasília: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI), 2014.

Portal meu Orixá: https://meuorixa.wordpress.com/2013/08/03/orogbo/

jun
29

Colhendo saberes: Ìrókò

Ìrókò = Ìrókò / Gameleira branca

Reino Plantae Divisão, Magnoliophyta Classe Magnoliopsida, Ordem Rosales, Família Moraceae, Gênero Chlorophora, Espécie excelsa. Nome Científico: Milicia excelsa.

Gameleira branca

Reino Plantae, Divisão Magnoliophyta, Classe Magnoliopsida, Ordem Rosales, Família Moraceae, Gênero Ficus, Espécie gomelleira. Nome Científico: Ficus gomelleira.

Na África o Òrìsà (Orixá) Ìrókò faz morada na árvore de mesmo nome, que cientificamente é chamada de Milicia excelsa, anteriormente classificada como Chlorophora excelsa.

Como a espécie não foi trazida para o Brasil, o Òrìsà (Orixá) Ìrókò passou a ser cultuado na árvore de mesma família conhecida como Gameleira branca (Ficus gomelleira).

Òrìsà Ìrókò na nação kétu, corresponde ao vodun Lóko na nação jeje e ao nkise Tempo na nação Angola.

De estrutura grandiosa, a árvore vive mais de duzentos anos e em solo africano é carregada de mistérios bem como nos cultos afro-brasileiros, ligada a longevidade e a durabilidade das coisas.

Segundo a cultura Yorùbá, Ìrókò é uma das sete àwon igi (árvores) pilares do mundo. É o ancestral da humanidade do Reino Vegetal.

Conta um ìtàn do odu Ejónílé descrito no livro O que as Folhas Cantam de autoria de Mãe Stella de Òsóòsí e de Graziela Domini, que “dois homens de nomes Akile e Akole começaram uma briga que terminou por envolver a todos, inclusive os Òrìsà (Orixás). Èsù se meteu na confusão soprando um pó misturado com terra que aumentou ainda mais a agitação, pois causou uma grande tempestade. Essa tempestade ficou sendo chamada de Adarun, o toque de guerra que atrai os Òrìsà (Orixás). Akile e Akole foram mortos pela tempestade e todos os Òrìsà (Orixás) foram arrasados, inclusive os fun fun. Só a árvore Ìrókò, que tinha sido plantada pelos Òrìsà fun fun, e por isto veste-se de branco e come milho branco, não ficou arrasada. Foi ela quem ajudou Òsàlá (Oxalá) quando ele foi pedir socorro a Olorun. A Divindade Suprema tirou um galho de Ìrókò e fez o cajado para Òsàlá voltar ao Àiyé, garantindo-lhe que os problemas já estavam resolvidos por lá. A árvore Ìrókò passou a ser Igi Olórun, árvore cujas raízes descem do Òrun. A árvore Ìrókò ganhou status de Òrìsà, pertencente a família funfun.

Cercado de mistérios, Ìrókò também é morada das Ìyámi, dos espíritos Àbiku e de Egungun.

Assim cantamos para Ìrókò:

“Ero Ìrókò ki silè

Ero Ìrókò ìsò ero

A essência deve fixar-se

Saudamos Ìrókò para que Ele fixe à essência, os pensamentos, as ideias e os projetos.”

Na imagem (Fotografia de Ronny Nascimento), podemos observar nossa Ìyálòrìsà Lúcia de Omidewá junto ao primeiro exemplar, vindo da Nigéria e plantado em nosso Ilé Àse no ano de 2015 através do plantio de muda.

Material produzido a partir do projeto “Flora Omidewá – Colhendo saberes”, sob Coordenação Geral de Lúcia de Omidewá, Direção de Produção de Sidney Ruffino e Consultoria Técnica de Juliane Alves.

Fonte Bibliográfica: SANTOS, Maria Stella de Azevedo. Graziela Domini Peixoto. O que as folhas cantam (para quem canta folhas). Brasília: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI), 2014.

jun
28

Você sabia?!

“Por que colocamos nossos Orixás e/ou (Nkisis) em terrinas de louça e por que usamos saias e bordados europeus? Porque os escravos não estavam em suas terras e tinham que dar aos seus Orixás o que tinham de melhor. Sendo assim, quando as senhoras de engenho e de escravos trocavam suas louças lascadas e jogavam fora, eles, os escravos, pegavam essas louças e colocavam seus Orixás porque era o que, naquele momento, eles tinham de mais caro para o que lhes era muitíssimo caro – sua ancestralidade, sua África ancestral, sua ancestralidade e aqueles que ficaram pelo caminho. Quanto às roupas, eles vinham nus da África – alguém acredita que em uma viagem que durava de seis meses a 1 ano haveria roupas africanas – e aqui eram, literalmente, vestidos com roupas europeias; sendo assim, igualmente, tinham que usar o que tinham a mão, saias e roupas europeias. Isso não é sincretismo, isso é Histórico!
Isso é História!
Candomblé é História!!!” (Autor desconhecido)

Candomblé é Cultura!

Imagem meramente ilustrativa.

Maio
02

Dia de Mãe Stella!

Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxóssi, Odé Kayodê, nasceu no dia 02 de maio de 1925, em Salvador, Bahia. Nossa ancestral, nosso exemplo, que mesmo não estando entre nós fisicamente, ainda nos inspira, nos direciona, com todos os ensinamentos deixados, seu legado vive. Se estivesse no Aiyê, completaria 96 anos de vida. O Orun está em festa! Salve a eterna estrela azul da Bahia e dos nossos corações! A senhora vive entre nós e em nós. Salve Odé Kayodê! Nossa ancestral!

“Kíkí Ìyá Stella lààyè awon ésà àti Òrìsà Egbé?!”
(Salve Mãe Stella e viva os ancestrais do culto de Orixá!)

E como já foi dito por Mãe Beata d’Iemanjá, também uma ancestral: “Nós não morremos. Há uma continuidade de outra vida mais plena, com mais sabor, com mais serenidade. Nós somos como um vidro de perfume. Se uma grande essência cair, se quebrar, fica aquele aroma delicioso, de capim, de rosa, sem você saber… Nós somos espíritos, somos os eguns, porque os nossos antepassados estão ali conosco”.

abr
07

Dia Mundial da Saúde

O Dia Mundial da Saúde é celebrado em 07 de abril. O principal objetivo desta data é conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da saúde para ter uma melhor qualidade de vida. Precisamos cuidar do nosso espiritual, mas também do nosso corpo, nossa mente.

“Muitas pessoas consideram-se saudáveis quando estão sem nenhuma doença, porém a falta de enfermidades não significa presença de saúde. Dizer que uma pessoa está saudável requer a análise de um conjunto de fatores, tais como qualidade de vida e aspectos mentais e físicos. Em 1946, a Organização Mundial da Saúde aprovou um conceito que visava ampliar a visão do mundo a respeito do que seria estar saudável. Ficou definido então que “a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. De acordo com esse conceito, percebemos que saúde não é um estado fácil de ser alcançado, uma vez que nem todas as pessoas conseguem viver sem tristezas, sem preocupações e interagindo com o restante da sociedade de maneira harmoniosa. A saúde deve ser vista como uma forma de total bem-estar, que é conseguido não só por meio do tratamento de doenças ou de sua prevenção, mas também da qualidade de vida. De acordo com a Lei nº 8.080, de 1990, a saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. A lei também enfoca que, para haver saúde, alguns fatores são determinantes, tais como: a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer, e o acesso aos bens e serviços essenciais. Percebe-se, portanto, que todos os fatores, por mais irrelevantes que possam parecer, afetam a vida de um indivíduo e, consequentemente, a sua saúde. O papel do Estado para garantir o bem-estar da população é fundamental, pois é ele o responsável pela qualidade de vida de cada cidadão.É fundamental que, além de cuidarmos da nossa saúde, participemos da luta por melhorias em nosso país. Vale destacar que não devemos procurar melhorias apenas em hospitais, devemos lutar por mais segurança, educação, lazer, cultura, entre outros direitos básicos e fundamentais para o completo bem-estar individual e social.” (Brasil Escola)

Se cuidem. Se respeitem. Se amem.

out
21

Itan sobre Iroko

“No início da humanidade, os orixás tomaram a decisão de plantar uma entidade na Terra. Dessa forma, seria mais fácil para que eles descessem até o planeta em questão e ajudassem a povoá-lo, oferecendo não somente trabalho e comida, mas toda uma vida. A divindade que foi utilizada nessa tarefa se chamava Iroko. Certo dia, uma briga muito intensa ocorreu perto de Iroko. Embora os responsáveis por ela fossem dois humanos, eles logo envolveram os orixás em sua discussão, que tomou proporções muito grandes em pouco tempo. Cansado e irritado por presenciar tal questão, Exú soprou um pó que logo se transformou em um raio e atingiu os homens, matando-os. Esse acontecimento assustou toda a população que morava no local, fazendo com que eles acreditassem que aquilo tivesse sido fruto de magia negativa. Revoltados com a conclusão estabelecida pelos seres humanos, os orixás decidiram acabar com toda a vida na Terra. Diante esse acontecimento, Oxalá pediu a intervenção de Olorum, que impediu a morte da comunidade. Nesse momento, a entidade também soprou um pó sobre Iroko. No mesmo minuto, ela criou raízes fortes e longas na Terra e passou a crescer. Cresceu tanto que em poucos minutos quase atingiu o céu. Isso só não aconteceu porque Olorum logo formou várias nuvens que impediram a visão do orixá e, assim, finalizou o seu desenvolvimento. Triste por causa da morte de tantas de suas criações, Oxalá foi presenteado com um galho de Iroko. Com ele, passou a controlar o destino de todas as pessoas, de maneira a não permitir que algo do tipo ocorresse novamente.” (Fonte desconhecida)

out
15

Itan sobre Ewá

“Ewá, assim, como Oxumarê, é filha da Orixá Nanã. Ewá é o horizonte, o encontro do céu com a terra. É o encontro do céu com o mar. Ewá era bela e iluminada, mas era solitária e muito calada. Nanã, então, preocupada com sua filha, pediu a Orunmilá que pusesse um amor em seu caminho, que arranjasse um casamento para Ewá. Mas Ewá gostava de sua solidão e queria, na verdade, viver só; dedicando-se unicamente à sua nobre tarefa de trazer a noite ao horizonte, e de mandar o sol se pôr com sua magia. Nanã, porém, insistia em casar a filha. Então, Ewá pediu ajuda a seu irmão Oxumarê. Dono do arco-íris, Oxumarê escondeu Ewá no lugar onde termina o arco de seu corpo. Escondeu Ewá por trás do horizonte e Nanã nunca mais pôde alcançá-la para impor-lhe esse casamento indesejado. Assim, os dois irmãos passaram a viver juntos; lá onde o céu encontra a Terra, de onde ela traz a noite com seu adô.

Pèlé ‘nbo Ewá a níre o
Òrìsà yin a ‘nbo Ewá
Ewá a níre o

Delicadamente cultuamos Ewá
por estarmos felizes
Orixá estamos cultuando-vos Ewá
Ewá estamos felizes.”

(Reginaldo Prandi, “Mitologia dos Orixás”).

Extraído de Simone Santos.

out
15

Itan sobre Oxóssi

Oxossi, garoto ainda, mas já demonstrando paixão pela caça e consequentemente pela mata, saía todas as madrugadas e voltava sempre ao anoitecer, sempre, trazendo uma novidade. Ele tinha poucos amigos, pois era desconfiado. Falava pouco, mas quando escapava uma conversa, falava muito de um amigo, Ossain. A mãe não gostava muito das proezas do amigo. Este fazia as pessoas se perderem na floresta, assustava a quem passava distraído, sem pedir licença – “agô”.

Certo dia, a mãe o chamou e disse: – Tive um sonho desagradável com você, por isso, hoje não saia de casa. Ele insistiu e ela disse: – Então não vá para longe. Como Oxóssi era destemido, achou que era controle ou repressão. Sabia também que não era de briga ou agressão. Saiu. Adiante, encontrou com o amigo Ossain, que pulou em sua frente o assustando. Quando reconheceu o amigo, abraçaram-se e foram andando. Ele contou a conversa da mãe, ao que o outro respondeu: – Toda mãe é boba. Nem de briga você gosta. Você não é como Ogun. Andaram muito, tiveram sede. Odé, nas pressas, não pegou o embornal da água e se lamentou. O outro disse: – Tem nada não, tenho aqui uma coisa melhor que água. No primeiro gole, Odé achou forte e disse que não queria. O outro falou: – Você parece uma mocinha. Ao que ele respondeu – Sei que sou homem. E bebeu.

A sede aumentou, Odé bebeu mais e mais, ficou embriagado, sentou e dormiu. O outro gozador jogou a bebida pela cabeça do companheiro. A tal bebida era meladinha – aguardente e mel de abelha – e colocou um punhado de penas da cabeça aos pés, pelo rosto, braços. Pôs no corpo todo. Estando embriagado, Odé não sentiu. Ao acordar, horas depois, meio zonzo, achando-se estranho, pensou que era apenas efeito da bebida, foi para casa já bem tarde, depois da hora de costume. A mãe ao vê-lo fantasiado e trôpego, o expulsou de casa. Ele voltou para a mata desolado, não encontrou mais Ossain que tinha se tornado invisível, depois da peça que pregou. Odé tonto, triste, com fome e sede, todo cheio de penas, não teve condições de seguir em frente.

Pela madrugada chegou Ogun, encontra Odé nesse estado deplorável, toma conhecimento do ocorrido absurdo, manda que vá tomar banho no rio, prepara uma cabana de folhas e o põe dentro e fica de guarda até passar o efeito da embriaguez, até o amanhecer. Deste dia em diante, Oxóssi tomou horror ao mel de abelhas, não quer nem ouvir falar no nome.

(Oxossi: o caçador de alegrias, 2011, p. 29-31).

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