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Salve Ogum!

Fiel reverencia imagem de São Jorge durante festa de Ogum em terreiro de Umbanda de João Pessoa (Foto: Felipe Gesteira)

Dia 23 de abril é comemorado por vários segmentos de religiões afro-brasileiras como Dia de Ogum. Participando das comemorações, segue parte de uma matéria publicada na revista Cult.Pb, e logo abaixo, um clipe da música “Ogum”, onde Zeca Pagodinho e Jorge BenJor homenageiam o santo protetor.

Salve Jorge
por Felipe Gesteira

Minha espada é de aço
Minha espada vai brilhar!
Minha espada é de fogo
É Ogum Beira-Mar!

Ô Jorge, ô Jorge
Vem de Aruanda
Tenha pena de seus filhos
São Jorge venceu demanda
Ogum, Ogum
Ogum meu Pai
Foi você mesmo quem disse
Filhos de Umbanda não cai

São Jorge, ou Ogum, é o orixá guerreiro, cavaleiro destemido, santo protetor de todos. Seguido na Umbanda por milhares de fiéis, muitas das preces feitas a Ogum são para pedir proteção, abrir caminhos e cortar demandas. É o dono de todos os caminhos e encruzilhadas, anda por terra, céu e mar.

Na festa da Umbanda para Ogum, cada fiel leva consigo uma garrafa de cerveja, que não pode estar gelada. Quando as entidades (pretos velhos, caboclos e mestres) descem à Terra, os participantes recebem um banho da bebida, simbolizando o ritual de purificação. Para os umbandistas, Ogum trabalha com a cerveja, expurgando e limpando. É como uma defumação de cachimbo das sessões semanais, mas possui um significado espiritual mais profundo.

No Candomblé, Ogum é conhecido como Orixá Asiwaju, que traduzido do iorubá (dialeto africano) significa ‘o que vem na frente’. Irmão inseparável de Exu e Oxóssi, Ogum é o orixá da guerra, dos caminhos e da tecnologia. Também é conhecido como o orixá dos metais e do ferro, dono das ferramentas médicas e criador dos instrumentos para a agricultura. Recebe inhame, milho e feijão em oferendas e suas cores de roupas e colares são azul-escuro, verde e vermelho.

De acordo com as lendas iorubás, transmitidas oralmente a cada geração, Ogum descobriu os metais quando deixou de viver com sua mãe, Iemanjá, em seu castelo construído no mar para conhecer o mundo exterior. Sozinho, Ogum usava lanças de madeira para caçar e saciar sua fome, arte que ensinou para o seu irmão mais novo, Oxóssi. Caminhando pela mata, tropeçou em um minério de ferro e achou que o material seria bom para a construção de uma arma. Assim, Ogum ficou conhecido como babá-irin, o ‘pai do ferro’.

Tempos depois, uma guerra atingiu a nação de Irê. Ogum foi chamado para defender seu povo, pois ele guardava os segredos da guerra e das armas. Relutante, aceitou entrar em combate por seus irmãos. No campo de batalha, Ogum se destacou eliminando todos os seus inimigos. De volta à tribo, ele recebeu o título de Ògún Oni Ajagún, ou ‘Ogum o senhor da guerra’.

Apesar de tantos atributos bons, todo orixá tem seu lado negativo, para o equilíbrio universal. Ogum também é conhecido como o ‘cortador de cabeças’, pela intolerância com alguns desvios de conduta. Não admite os mentirosos e os ladrões, e costuma “cortar” os caminhos destes, mesmo que sejam seus filhos.

 

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