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fev
27

OS PRÍNCIPES DO DESTINO – PARTE IX

OITAVA REUNIÃO

O inventor do pilão destrói palácios

Na oitava reunião  contou o príncipe do destino Ejiobê que havia um rei guerreiro de nome Ajagunã. Como ele gostava muito de purê de inhame pilado, ficou mais conhecido pelo nome Oxaguiã, que na língua de seu povo africano quer dizer Papa-Purê-de-Inhame, ou orixá que come inhame pilado, para que a pasta de inhame, sua comida predileta, fosse preparada com mais apuro, ligeireza e perfeição.  O pilão foi um importante marco no progresso da humanidade, que com ele pôde mais facilmente transformar os alimentos,    podendo incluir na alimentação muitas favas, sementes, frutos e batatas, tudo convertido em farinhas, óleos, pastas, grãos sem casca, caldos. Depois do pilão a humanidade criou muitos outros utensílios  que ampliaram sua capacidade de domesticar a natureza e os meios de preparar e diversificar a alimentação  Como moinhos, engenhocas, mecanismos, geringonças, aparelhos, tudo quanto é tipo de instrumento, apetrecho e maquina, sempre em busca do progresso e da perfeição. E tudo começou com Oxaguiã, também chamado Ajagunã.

Ajagunã amava o progresso e a perfeição e declarava ser um construtor, um semeador do desenvolvimento. Um dia, Ajagunã foi à cidade de Ogum em busca de armas que seu aliado, o rei Ferreiro, fabricava para a guerra. Encontrou os súditos de Ogum festejando a conclusão de um palácio novo que tinham construído para seu soberano. Ajagunã perguntou ao povo de Ogum: “Que fazeis agora que o palácio esta feito?”. “Descansamos de nosso feito e festejamos”, responderam eles a Ajagunã,  que retrucou; “Vosso rei esta em guerra e tao cedo não retornara. Aproveitai o tempo e fazei um trabalho melhor. Um palácio mais belo e resistente, do qual Ogum haverá de ainda mais se orgulhar”. E tocou a parede do palácio com sua espada e o palácio ruiu, não sobrou nada. Ajagunã voltou ao seu pais, as suas guerras. Mais tarde, quando retornou a cidade de Ogum, encontrou o palácio completamente refeito, maior, mais imponente, mais bonito.  Ao povo que comemorava com festas a conclusão da nova fortaleza de Ogum, perguntou ao orixá Ajagunã: “Que fazeis agora que o palácio esta feito?”. Responderam eles ao visitante inquiridor: “Descansamos de nosso feito e festejamos”. Em resposta, disse Ajagunã, também chamado de Oxaguiã: “Vosso rei esta em guerra e tao cedo não retornara. Aproveitai o tempo e fazei um trabalho melhor. Um palácio mais belo, confortável e resistente, do qual vosso soberano haverá de ainda mais se orgulhar”. E derrubou de novo o palácio recém-construído. E tantas e tantas vezes isso aconteceu que os habitante daquela cidade se transformaram num povo de exímios construtores. R suas cidade foram ficando mais belas e desenvolvidas que se viam naquele tempo antigo na Africa negra. Porque Ajagunã ama o desenvolvimento e a perfeição e declara ser construtor, um semeador do progresso.

Com tantas construções e desconstruções do palácio de Ogum, os príncipes do destino ficaram com uma fome de pedreiro. E devoraram o banquete de Ifá na oitava reunião de Orum, no qual foi servido, entre outras iguarias, purê de inhame sem sal acompanhado de caracóis fritos na manteiga vegetal, que são os pratos  preferidos do orixá Oxaguiã.

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A continuar….

 

 

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