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Iyá Lúcia d’Osun recebe título de “Mestra Griô”

Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC). Agente Cultural Número SNIIC: 31307. Nome/Razão Social: Lúcia de Fátima Batista de Oliveira – Mestra Griô. O Registro Aberto da Cultura (RAC) é um dos módulos do Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), tem o intuito de coletar, armazenar, e difundir os dados e informações sobre agentes e objetos culturais em âmbito nacional. Essa é a primeira experiência governamental de mapeamento cultural colaborativo promovida em âmbito nacional no Brasil. Nossa Iyá Lúcia é a mais nova “mestra Griô” a ser aceita e cadastrada com uma aditiva importante Sacerdotisa de Matriz Africana.

O que é Griô?  Griots, jali ou jeli (djeli ou djéli na ortografia francesa). É um contador de histórias, depositário da memória em sociedades de tradição oral. Na tradição oral africana, o griô é um contador, cantador, mediador responsável por circular os saberes dentro da comunidade.  No Brasil a palavra griô se refere a todo(a) cidadão(ã) que se reconheça e/ou seja reconhecido(a) pela sua própria comunidade como: um(a) mestre das artes, da cura e dos ofícios tradicionais, um(a) líder religioso(a) de tradição oral, um(a) brincante, um(a) cantador(a), tocador(a) de instrumentos tradicionais, contador(a) de histórias, um(a) poeta popular, que, através de uma pedagogia que valoriza o poder da palavra, da oralidade, da vivência e da corporeidade, se torna a biblioteca e a memória viva de seu povo. Em sua caminhada no mundo, ele(a) transmite saberes e fazeres de geração em geração, fortalecendo a ancestralidade e a identidade de sua família ancestral e comunidade.

 

IYÁ LÚCIA D’OSÙN AGRADECE:

“Somos um povo de essência espiritual isto goste ou não a intelectualidade, passando pela escola onde suspeito que os modernos mestres ainda deslegitimem nossa raiz, nossa religião. Perante o pertencimento de se receber um título, não posso em momento algum esquecer a real contribuição “civilizatória” que nossa religião me deu. Fomos negados socialmente, politicamente desprezados, religiosamente perseguidos. Porém me atrevo a dizer que nossa religião é que nos mantém.
Penso que fomos enviados por nossos orixás com a missão de “impregnar” de Axé este país. Fomos nós povo resistente que demos a este país uma marca mais que simbólica à alma brasileira. Para falar em tradição na nossa oralidade sei tanto quanto vocês que nunca poderemos penetrar em qualquer história sem que me apoie nesta tradição oral. Uma herança que herdamos ricamente e que pacientemente é transmitida por nós mestres Griô de nossa boca a cada ouvido, de mestres a cada novo aprendiz.
Nossa herança não foi perdida e nunca será, pois que somos a memória viva de nossa áfrica e nosso Brasil, somos nós mestres Griô a geração de depositários, uma memória viva que une o moderno com o contemporâneo, nossa tradição é a escola da vida. Sim, podemos parecer pretensioso para aqueles como nós que sabem que em nossa tradição oral o espiritual e material não estão dissociados.
Enfim, meus sinceros agradecimentos posto que esta conquista não seja minha, mas de meu povo, pois que somos ao mesmo tempo religião, cultura, conhecimento, ecologia, história, estória e ainda alegria, sendo que todo pormenor sempre vai nos permitir remontar a nossa “unidade” primordial onde o mistério tal como ela o revela e do qual emana creio que seja esta a origem “divina” da Palavra.
Axé.
Cada ser humano pode ser um incorporador eventual da “divindade” em benefício dos outros.”

 

“Tradição é uma vivência

Quando junta com ciência

A cultura se proclama”

 Cordel Griô de todo Canto.

Márcio Caires.

 

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