Mãe Lúcia iniciou a reunião falando mais uma vez sobre os costumes, a educação nos terreiros e a preservação ambiental. Logo depois, discursou um pouco sobre a importância de uma educação básica de saúde para o povo de santo. Para conversar com o povo dos terreiros, o diálogo é sempre bem próximo da realidade deles. “Do jeito que nós queremos a nossa casa limpa, o nosso corpo também deve estar limpo, e nosso corpo é a morada do Orixá. Cuidar da saúde agrada aos Orixás”, disse.
Para ela, é muito importante que as políticas de educação e prevenção na saúde básica sejam direcionadas ao povo de santo. “Eles não têm acesso a informação, especialmente o povo dos terreiros mais distantes e carentes. É preciso uma política de formação exclusiva para o povo de terreiro, para que a linguagem seja mais próxima deles”, destacou Mãe Lúcia.
Em seguida a palavra foi passada para a equipe do CTA/Coas, composta por Drª Sueli, Dorotila, a enfermeira Goreth e a diretora Elza Morais. Após a palestra, as pessoas foram encaminhadas para acompanhamento psico-social, feito individualmente e para os exames de hepatite, sífilis e Aids. A equipe abordou temas como doenças sexualmente transmissíveis, uso do preservativo e cuidados com a saúde.
Para os participantes, a ação foi uma grande vitória, pois é muito comum não se sentirem à vontade para se consultar e fazer os exames nos postos de saúde. O povo de santo reclama que ainda existe muito preconceito por parte da sociedade quando se trata de religião afro-brasileira e o atendimeno acaba não sendo o mesmo. Dentro do terreiro eles se sentiram mais tranqüilos para fazer os exames e falar de seus problemas.
No fim da reunião, foram entregues cem cestas alimentares para o povo dos terreiros, enviadas pela Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e distribuídas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fazendo parte do Programa Fome Zero, do governo federal.





Deixe um comentário