{"id":1110,"date":"2013-02-21T15:55:27","date_gmt":"2013-02-21T15:55:27","guid":{"rendered":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/?p=1110"},"modified":"2014-12-08T23:52:48","modified_gmt":"2014-12-08T23:52:48","slug":"os-principes-do-destino-parte-iv","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/1110","title":{"rendered":"OS PR\u00cdNCIPES DO DESTINO &#8211; PARTE IV"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Bar\u00e1.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1111\" title=\"Bar\u00e1\" src=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Bar\u00e1.jpg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"320\" srcset=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Bar\u00e1.jpg 255w, http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Bar\u00e1-239x300.jpg 239w\" sizes=\"(max-width: 255px) 100vw, 255px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>TERCEIRA REUNI\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>O mensageiro e as vacas que pastavam no telhado<\/strong><\/p>\n<p>Conforme tinha determinado If\u00e1, no decimo sexto dia depois da\u00a0reuni\u00e3o\u00a0em que Obar\u00e1 contara a historia das aboboras, os dezesseis senhores do destino se juntaram e \u00a0partiram de novo em dire\u00e7\u00e3o ao C\u00e9u dos orix\u00e1s. Era a terceira\u00a0reuni\u00e3o\u00a0na casa de If\u00e1, no Orum, e quem mais falou foi Ejila-Xebor\u00e1, ajudado por Etaogund\u00e1. A historia que mais chamou a\u00a0aten\u00e7\u00e3o\u00a0tratava das artimanhas de um certo mensageiro muito popular de nome Exu. Antes de contar a historia, por\u00e9m, valeria a pena sabermos um pouco mais sobre esse interessante personagem.<\/p>\n<p>Naqueles tempos da Africa antiga, como gosta de contar o\u00a0pr\u00edncipe\u00a0Ocanr\u00e3, um mensageiro iorub\u00e1 se tornou muito famoso por suas artimanhas e pelas pe\u00e7as que pregava em quem quer que fosse. Seu nome era Exu e sua\u00a0profiss\u00e3o\u00a0era de levar\u00a0mensagens\u00a0 trazer recados e\u00a0recomenda\u00e7\u00f5es\u00a0e ser o portador de mercadorias e presentes de tudo quanto \u00e9 especie. Ganhava um bom dinheiro, Exu, pois nunca trabalhava de gra\u00e7a, exigindo sempre pagamento adiantado. Apesar do dinheiro que ganhava, Exu\u00a0n\u00e3o\u00a0tinha casa. Vivia pelas ruas e estradas, dormia nas encruzilhadas. \u00a0Exu estava sempre em movimento, sempre pra la e pra\u00a0c\u00e1, levando e\u00a0trazendo\u00a0objetos e palavras.<\/p>\n<p>Pois bem, contou Ejila-Xebor\u00e1, havia um\u00a0homem\u00a0que se chamava Babalequ\u00ea, que vivia contando vantagens, inventando grandes lorotas e propalando proezas fantasiosas. Era potoca demais, era muita gabolice. O\u00a0falastr\u00e3o\u00a0n\u00e3o\u00a0se continha nunca. Bastava\u00a0conversar\u00a0com ele, dar-lhe corda, e la vinha uma de suas bravatas\u00a0impag\u00e1veis.<\/p>\n<p>Sua fama de mentiroso era tao grande que um dia o rei mandou chamar Babalequ\u00ea e lhe disse que parasse com aquela mentirada. A ma fama do falador ja tinha ultrapassado as fronteiras do rei, fazendo rir os vizinhos, dele e do seu povo, para vergonha e desgosto do rei. Babalequ\u00ea\u00a0n\u00e3o\u00a0se deu por vencido. e disse que era tudo\u00a0inven\u00e7\u00e3o\u00a0dos seus inimigos. As suas historias eram\u00a0genu\u00ednas\u00a0 suas proezas eram as mais verdadeiras. Ele disse ao rei: &#8220;Infelizmente sempre tem um invejoso a me perseguir. Outro dia plantei uns inhames cozidos e quando eles brotaram foram dizer que era mentira. como mentira, se estava tudo la para quem quisesse ver?&#8221;.<\/p>\n<p>O rei ficou furioso com a\u00a0aud\u00e1cia\u00a0de Babalequ\u00ea. Que atrevimento, contar uma mentira dessas para o rei! E sem nem sequer ficar vermelho. O rei\u00a0ent\u00e3o\u00a0falou: &#8220;Amanha de manha nos reuniremos em minha ro\u00e7a e la tu plantaras inhames previamente cozidos. Se os inhames\u00a0n\u00e3o\u00a0brotarem no prazo devido, perderas a tua cabe\u00e7a&#8221;. E dispensou o falador: &#8220;Podes te retirar agora&#8221;.<\/p>\n<p>Babalequ\u00ea ficou desesperado, e agora? &#8220;Ai de mim, ja sou um homem morto&#8221;, choramingou, desamparado. Mas como\u00a0n\u00e3o\u00a0era homem de\u00a0n\u00e3o\u00a0se entregar facilmente, foi ao mercado e comprou algumas coisas. Saiu\u00a0ent\u00e3o\u00a0a procura de Exu, que encontrou descansando numa encruzilhada, vindo de uma entrega que fizera num lugar distante. Com um sorriso ardiloso ele abordou o mensageiro: &#8220;meu compadre querido, percebo que estas cansado. Vens de longa viagem e deves estar com fome. Vem dividir comigo este almo\u00e7o&#8221;. Sabendo que Exu era guloso e que jamais recusava uma suculenta\u00a0refei\u00e7\u00e3o\u00a0 ele tinha comprado uma boa\u00a0porc\u00e3o\u00a0e carne de cabrito refogada no azeite-de-dend\u00ea com muita pimenta, acompanhado de inhame assado e farofa, alem de uma garrafa de aguardente e uma quartinha de\u00a0\u00e1gua\u00a0fresca. Exu\u00a0n\u00e3o\u00a0se fez de rogado e e fartou. Comeu e lambeu os bei\u00e7os. Babalequ\u00ea contou que o rei o obrigava a plantar inhames cozidos, tudo por causa da intriga alheia, e que se os\u00a0tub\u00e9rculos\u00a0n\u00e3o\u00a0brotassem, ele teria sua cabe\u00e7a decepada. &#8220;Ai de mim,\u00a0j\u00e1\u00a0sou um homem morto&#8221;, choramingou Babalequ\u00ea, desamparado. Exu, que tinha\u00a0apreciado\u00a0muito o almo\u00e7o encorajou o amigo: &#8220;Tudo na vida tem uma saida, amigo. Podes contar comigo&#8221;.<\/p>\n<p>Na manha seguinte, na presen\u00e7a do rei e com a companhia discreta de Exu, Babalequ\u00ea abriu uma cova rasa na ro\u00e7a real e depositou nela alguns\u00a0tub\u00e9rculos\u00a0de inhame que a cozinheira do\u00a0pal\u00e1cio\u00a0j\u00e1\u00a0tinha cozinhado. Nesse instante, Exu come\u00e7ou a gritar: &#8220;Olhem as vacas no telhado! Olhem as vacas no telhado do rei&#8221;. Todos se voltaram na\u00a0dire\u00e7\u00e3o\u00a0do\u00a0pal\u00e1cio\u00a0 dando as costas para a planta\u00e7\u00e3o, e contemplaram surpresos, uma\u00a0vis\u00e3o\u00a0soberba. Muitas vacas estavam em cima da casa do rei, de pe no telhado de sap\u00e9, pastando com a maior tranquilidade. Durante alguns minutos de\u00a0fascina\u00e7\u00e3o\u00a0 enquanto todos estavam absortos, contemplando a espantosa cena, Babalequ\u00ea abriu a cova e trocou os inhames cozidos por inhames frescos e fecundos, conforme Exu o tinha antes\u00a0instru\u00eddo.<\/p>\n<p>Dias depois, sob a\u00a0vigil\u00e2ncia\u00a0dos guardas reais, que dali\u00a0n\u00e3o\u00a0arredaram o\u00a0p\u00e9\u00a0 os inhames brotaram verdes e vi\u00e7osos. O rei\u00a0n\u00e3o\u00a0teve outro jeito e libertou Babalequ\u00ea. Mas que isso, acompanhando os pedidos de desculpa, deu a ele uma grande recompensa em ouro.<\/p>\n<p>Babalequ\u00ea foi se encontrar com Exu na encruzilhada. agradecendo pela ajuda, deu-lhe uma boa parte do premio que recebera e\u00a0ent\u00e3o\u00a0perguntou ao mensageiro: &#8220;Meu caro, como foi que colocastes aquelas vacas todas pastando no telhado?&#8221;. Este respondeu: &#8220;Que\u00a0vacas\u00a0no telhado, meu amigo, que historia maluca \u00e9 esta? Ja estas de novo a contar as tuas mentiras?&#8221;. E foi-se embora morrendo de rir.<\/p>\n<p>_____________________________________________________________________________________________________<\/p>\n<p>A continuar&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TERCEIRA REUNI\u00c3O O mensageiro e as vacas que pastavam no telhado Conforme tinha determinado If\u00e1, no decimo sexto dia depois da\u00a0reuni\u00e3o\u00a0em que Obar\u00e1 contara a historia das aboboras, os dezesseis senhores do destino se juntaram e \u00a0partiram de novo em dire\u00e7\u00e3o ao C\u00e9u dos orix\u00e1s. 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