{"id":2152,"date":"2017-06-01T14:52:12","date_gmt":"2017-06-01T14:52:12","guid":{"rendered":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/?p=2152"},"modified":"2017-06-01T14:52:12","modified_gmt":"2017-06-01T14:52:12","slug":"hunxwedoxo-e-asihuhu-morte-e-ressureicao-da-hunso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/2152","title":{"rendered":"HUNXW\u00c9D\u00d3X\u00d3 E ASIHUHU &#8211; MORTE E RESSUREI\u00c7\u00c3O DA HUNS\u00d2"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/mulher.jpeg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2153\" title=\"mulher\" src=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/mulher.jpeg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/mulher.jpeg 200w, http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/mulher-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>HUNXW\u00c9D\u00d3X\u00d3 E ASIHUHU &#8211; MORTE E RESSUREI\u00c7\u00c3O DA HUNS\u00d2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>\u201cressuscita\u00e7\u00e3o de uma mulher morta h\u00e1 sete dias\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Um grito de dor ap\u00f3s o ritual em homenagem a Sakpata. A mo\u00e7a, que estava clinicamente morta, volta \u00e0 vida. Marcando o ponto culminante da festa de ressurrei\u00e7\u00e3o, uma das cerim\u00f4nias mais importantes entre os fons do Danx\u00f2m\u00e8.<\/p>\n<p>Um povoado africano, em meio \u00e0 densa floresta tropical do Dax\u00f2m\u00e8. As casas circundam um espa\u00e7o vazio, esp\u00e9cie de pra\u00e7a central. Tudo \u00e9 ainda sil\u00eancio, e ningu\u00e9m permanece na pra\u00e7a. Mas o dia de hoje n\u00e3o \u00e9 como os outros. De repente, do interior de uma das casas maiores, uma esp\u00e9cie de convento, ouvem se gritos lancinantes de mulheres. Como que despertados por esses gritos, os atabaques come\u00e7am a tocar. \u00c9 preciso esperar. Os demais habitantes que n\u00e3o s\u00e3o iniciados, t\u00eam que aguardar o t\u00e9rmino da cerim\u00f4nia de adora\u00e7\u00e3o a Sakpata, feita no interior do convento, e assistida apenas pelos Sakpatan\u00f2. Logo ap\u00f3s, no meio da pra\u00e7a, todos assistiremos \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o do poder de Sakpata. Sakpata vai ressuscitar uma jovem, clinicamente morta h\u00e1 sete dias.<\/p>\n<p>O relato deste ritual s\u00f3 foi poss\u00edvel por muita dedica\u00e7\u00e3o e um pedido do K\u00f2kpon (Rei do Allada) aos Sakpatan\u00f2 do Danx\u00f2m\u00e8 que devem submiss\u00e3o. Esta festa seria o inicia\u00e7\u00e3o da inicia\u00e7\u00e3o dos Sakpatasi que no Brasil, seria o acordar do \u201cbolar\u201d.<\/p>\n<p>Num instante, os atabaques param de tocar. Cadeiras e bancos s\u00e3o trazidos para a pra\u00e7a central, e os habitantes re\u00fanem se em c\u00edrculos. Entre eles encontram se os familiares da jovem \u201cmorta&#8221;, que trouxeram oferendas a Sakpata, a fim de que este traga sua filha de volta de seu reino.<\/p>\n<p>O lento despertar do reino da morte. Os hunt\u00f2 j\u00e1 sa\u00edram do convento, e tomaram lugar entre as cadeiras, com seus instrumentos seguros entre as pernas. Recome\u00e7aram a tocar, mantendo o mesmo ritmo, constituindo um estranho e estimulante fundo musical (daahun)<\/p>\n<p>Agora, s\u00e3o as Sakpatan\u00f2 que chegam, facilmente reconhecidas pelas in\u00fameras cicatrizes que ornam sua pele. Com a cabe\u00e7a raspada, elas se enfeitam com braceletes e colares feitos principalmente de akw\u00e8. Al\u00e9m de enfeites, esses objetos t\u00eam um importante significado ritualistico. Todas trazem na fronte uma fita ornada com plumas de papagaio: sinal que distingue as sacerdotisas de Sapata. Depois, s\u00e3o os vodun\u00f2, az\u00e9t\u00f2, que entram na pra\u00e7a. Em seguida, chega o corpo da jovem morta enrolado num len\u00e7ol imaculado, carregado por quatro homens. No centro da massa humana reunida, foi deixado um espa\u00e7o livre sobre o qual ningu\u00e9m pisa. Neste espa\u00e7o, o corpo \u00e9 depositado, e desnudado. A jovem n\u00e3o apresenta nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o de vida. N\u00e3o respira, n\u00e3o se move. A pele adquiriu uma tonalidade cinza, e apresenta diversas feridas purulentas. Os sacerdotes trazem uma grande caba\u00e7a cheia de \u00e1gua, na qual foram mergulhadas diversas plantas (amasin).<\/p>\n<p>O canto das mulheres recome\u00e7a, monoc\u00f3rdico. Lava se o corpo da jovem com a \u00e1gua da caba\u00e7a (kasin). Ao mesmo tempo, as sacerdotisas libertam se de seus atributos, e come\u00e7am a massagear o corpo. O len\u00e7ol \u00e9 umedecido, e usado por momentos como sud\u00e1rio.<\/p>\n<p>O trabalho de massagem dura cerca de duas horas, onde se repetem os mesmos gestos e cantos. Algumas pessoas jogam moedas sobre o len\u00e7ol. Ningu\u00e9m fala. Pouco a pouco o corpo retoma sua cor normal, negra, mas permanece sempre inerte.<br \/>\nA certo ponto, o sil\u00eancio se faz mais profundo. As sacerdotisas se afastam. Chega o lider dos feiticeiros (Az\u00e9t\u00f2n\u00f2), que se ajoelha ao lado da jovem, inclina se sobre seu ouvido, e grita seu nome com todas as for\u00e7as. \u201cEle deve cham\u00e1-la sete vezes&#8221;, diz meu guia e companheiro. E, fora esse grito que se repete, nenhum outro ru\u00eddo afasta o pesado sil\u00eancio. Sete vezes, e nada acontece! Um sobressalto percorre a multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Um oitava vez o nome da jovem \u00e9 gritado pelo feiticeiro. E, ent\u00e3o, ela gemeu! Todos n\u00f3s somos testemunhas: ela gemeu.<\/p>\n<p>O atabaques e os cantos se desencadeiam: Sakpata aceitou que a jovem se torne mais uma sakpatasi. Imediatamente, a mo\u00e7a tem sua cabe\u00e7a coberta, e \u00e9 retirada para o interior do convento. Sua inicia\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, e ela n\u00e3o dever\u00e1 ver o mundo exterior.<\/p>\n<p>No povoado, a festa vai continuar durante todo o dia e toda a noite. Todos v\u00e3o comer, beber, dan\u00e7ar e rir muito, contagiados pela t\u00edpica alegria africana, um estado de esp\u00edrito que tudo arrasta \u00e0 sua passagem.<br \/>\nO ritual para ressuscitar \u00e9 apenas uma parte \u00ednfima dos complexos processos de inicia\u00e7\u00e3o ao culto de Sakpata, QUE DURA PELO MENOS TR\u00caS ANOS. Per\u00edodo durante o qual os jovens disc\u00edpulos s\u00e3o completamente isolados do mundo exterior.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia da ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9, de fato, primordial. O chamado ao novo &#8220;filho&#8221; do vodun \u00e9 feito pela pr\u00f3pria entidade (que se apodera de seu corpo provocando profundos transes medi\u00fanicos), ou decidido pelos familiares ou pelos outros sacerdotes. A idade m\u00e9dia de inicia\u00e7\u00e3o, tanto para mo\u00e7as como para rapazes, VARIA DE OITO A DEZESSEIS ANOS. Os dois sexos, se bem que em habita\u00e7\u00f5es diferentes, seguem mais ou menos os mesmos ritos e etapas inici\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Desde sua entrada, o jovem disc\u00edpulo entra num estado de morte aparente, onde cessam todas as suas fun\u00e7\u00f5es vitais. DURANTE SETE DIAS, ELE VAI PERMANECER NO LOCAL SEM RECEBER NENHUMA ALIMENTA\u00c7\u00c3O, BEBIDA, OU CUIDADO. J\u00c1 NESTA PRIMEIRA ETAPA, OCORRE UMA SELE\u00c7\u00c3O NATURAL: ALGUNS, AP\u00d3S SETE DIAS, DESPERTAM, E OUTROS, N\u00c3O. ESTES \u00daLTIMOS SAKPATA N\u00c3O OS QUER PARA SERVI-LO NESTE MUNDO, E POR ISSO OS GUARDA JUNTO DE SI.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos, e Sakpata tem mais um sacerdote Ap\u00f3s serem cuidados, e postos em boas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, OS JOVENS ESCOLHIDOS IR\u00c3O APRENDER A LINGUAGEM SECRETA DOS INICIADOS (HUNGB\u00c9), os cantos, dan\u00e7as, as diversas opera\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas. Ser\u00e3o feitas cicatrizes em seu corpo (hunkan), principalmente na fronte, costas, ventre e bra\u00e7os. A cada corte que produzir\u00e1 uma cicatriz, ser\u00e1 proferida uma prece, e um pouco de p\u00f3 \u00e0 base de plantas carbonizadas ser\u00e1 depositado no interior da carne (b\u00f3).<\/p>\n<p>Cada uma delas destina se a proteger o iniciado contra a feiti\u00e7aria, os inimigos, e tamb\u00e9m a lhes dar poder e direta liga\u00e7\u00e3o com o grande orix\u00e1.<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos dever\u00e3o tamb\u00e9m aprender as propriedades de cada planta m\u00e1gica ou medicinal, propriedades que tanto podem ser boas como mal\u00e9ficas. Os rem\u00e9dios, as po\u00e7\u00f5es, amuletos, n\u00e3o mais ter\u00e3o segredos para eles. Entre essas opera\u00e7\u00f5es, uma das mais respeitadas e temidas \u00e9 a cultura do v\u00edrus da var\u00edola.<\/p>\n<p>Eles conhecer\u00e3o cada deus animista, cada ser da natureza, e as cerim\u00f4nias a eles relacionadas. Mais tarde, para os rapazes, ap\u00f3s passarem outras temporadas em reclus\u00e3o, ser\u00e1 permitido servir tamb\u00e9m a outros desses deuses.<\/p>\n<p>Ao t\u00e9rmino da inicia\u00e7\u00e3o, rapazes e mo\u00e7as retomar\u00e3o sua vida normal, mas estar\u00e3o sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do grande feiticeiro para os rituais. Periodicamente, retornar\u00e3o aos conventos durante algumas semanas.<\/p>\n<p><strong><em>(Texto baseado em uma mat\u00e9ria do jornalista franc\u00eas Robert Grainville).<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HUNXW\u00c9D\u00d3X\u00d3 E ASIHUHU &#8211; MORTE E RESSUREI\u00c7\u00c3O DA HUNS\u00d2 \u201cressuscita\u00e7\u00e3o de uma mulher morta h\u00e1 sete dias\u201d Um grito de dor ap\u00f3s o ritual em homenagem a Sakpata. A mo\u00e7a, que estava clinicamente morta, volta \u00e0 vida. 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