{"id":2312,"date":"2020-02-07T16:32:18","date_gmt":"2020-02-07T16:32:18","guid":{"rendered":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/?p=2312"},"modified":"2020-02-13T16:30:09","modified_gmt":"2020-02-13T16:30:09","slug":"candomble","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/2312","title":{"rendered":"Candombl\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>No come\u00e7o dos tempos, Olodumare criou os homens [&#8230;]<br>Orunmil\u00e1, tamb\u00e9m chamado Ob\u00e1 Jeunjeum,<br>ou &#8220;Rei-que-Come-Alimento&#8221;, na l\u00edngua dos orix\u00e1s,<br>ofereceu-se para levar os homens ao mundo e cuidar deles l\u00e1,<br>com o que Olodumare concordou plenamente.<br>Previdente, Orunmil\u00e1 consultou o babala\u00f4,<br>que o mandou oferecer sacrif\u00edcios antes de partir.<br>Ele deveria preparar sementes de legumes e tub\u00e9rculos.<br>O eb\u00f3 foi feito.<br>Do Orun, Orunmil\u00e1 despejou essas ofertas na Terra.<br>Caindo no solo, as sementes germinaram, os tub\u00e9rculos brotaram.<br>As plantas cresceram, dando folhas, frutos e sementes,<br>e foi com essa abund\u00e2ncia que Orunmil\u00e1 alimentou os homens.<br>Os serem humanos reproduziram-se e se espalharam pela Terra toda.<\/em><\/p><p>(Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orix\u00e1s)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Conta a mitologia iorubana que o universo foi criado por Olodumare, mas, terminada a cria\u00e7\u00e3o, ele se afastou e deixou que os orix\u00e1s dessem forma ao mundo e o governassem. Por conta disso, embora os devotos do candombl\u00e9 reconhe\u00e7am a exist\u00eancia de um deus supremo da cria\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a ele que prestam homenagem em seus cultos de grande complexidade, sutileza teol\u00f3gica e beleza, mas justamente a essas outras divindades mais pr\u00f3ximas, participantes ativos do dia-a-dia das atividades mundanas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Diversidade regional e \u00e9tnica<\/h3>\n\n\n\n<p>O candombl\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um \u00fanico culto religioso, mas antes uma s\u00e9rie de cultos estreitamente aparentados, \u00e0 semelhan\u00e7a de outras religi\u00f5es que possuem diversas denomina\u00e7\u00f5es, com algumas diferen\u00e7as nos preceitos teol\u00f3gicos e no ritual. Os v\u00e1rios templos e vertentes do candombl\u00e9 s\u00e3o normalmente agrupados em &#8220;na\u00e7\u00f5es&#8221;, sendo a mais conhecida e disseminada nos meios de comunica\u00e7\u00e3o a chamada na\u00e7\u00e3o queto. Juntamente com outras na\u00e7\u00f5es como&nbsp;<em>ef\u00e3, ijex\u00e1, nag\u00f4 e mina-nag\u00f4<\/em>, ela pertence ao tronco conhecido como iorub\u00e1, com origens africanas localizadas em partes da Nig\u00e9ria e do Benim. Existem ainda candombl\u00e9s de na\u00e7\u00f5es&nbsp;<em>angola e jeje<\/em>, entre outras menos conhecidas. O nome candombl\u00e9 est\u00e1 historicamente associado aos cultos da Bahia, mas religi\u00f5es semelhantes recebem outras denomina\u00e7\u00f5es regionais, como&nbsp;<em>xang\u00f4<\/em>&nbsp;em Pernambuco,&nbsp;<em>tambor de mina<\/em>&nbsp;no Maranh\u00e3o e batuque no Rio Grande do Sul. O termo candombl\u00e9, contudo, tem se disseminado para outras regi\u00f5es do Brasil e para outros pa\u00edses \u00e0 medida que a religi\u00e3o ganha mais adeptos. At\u00e9 por conta dessas varia\u00e7\u00f5es, algumas pessoas preferem simplesmente denominar esse conjunto de cultos com o nome de&nbsp;<em>religi\u00e3o dos orix\u00e1s<\/em>, deixando de lado as diferen\u00e7as entre eles.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Divindades<\/h3>\n\n\n\n<p>Sabe-se que, na Nig\u00e9ria e no Benim, mais de quatrocentas divindades eram cultuadas no total. No Brasil, contudo, a maior parte dos templos de candombl\u00e9 reconhece em torno de 20 orix\u00e1s diferentes, cada qual associado a um aspecto do mundo natural ou humano. Por exemplo, no rito queto, enquanto Ogum \u00e9 o orix\u00e1 da metalurgia, da guerra e da agricultura, Oxum \u00e9 uma divindade feminina ligada \u00e0 \u00e1gua doce, \u00e0 beleza e \u00e0 vaidade. Nenhum orix\u00e1 \u00e9 completamente &#8220;bom&#8221; ou &#8220;mau&#8221;. Como os homens, com os quais se assemelham, eles s\u00e3o capazes do melhor e do pior, t\u00eam defeitos e qualidades e exibem caracter\u00edsticas que podem ser produtivas em alguns contextos e destrutivas em outros. Cada orix\u00e1 pode se subdividir em algumas &#8220;qualidades&#8221; ou &#8220;manifesta\u00e7\u00f5es&#8221; particulares, cada qual associada a uma passagem ou epis\u00f3dio de sua mitologia: assim, enquanto Oxagui\u00e3 \u00e9 o Oxal\u00e1 jovem e est\u00e1 associado \u00e0 cultura material, Oxaluf\u00e3 \u00e9 o Oxal\u00e1 velho e se associa \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do homem. Em muitos templos, cada orix\u00e1 tem um correspondente entre os santos cat\u00f3licos: assim, \u00e9 comum que Ians\u00e3, orix\u00e1 que comanda as tempestades, seja associada a Santa B\u00e1rbara. Enquanto na \u00c1frica cada templo \u00e9 dedicado a apenas uma divindade, os templos ou terreiros do candombl\u00e9, ainda que tenham um orix\u00e1 patrono, dedicam-se ao conjunto total das divindades.<br><br>Os nomes das divindades, bem como sua import\u00e2ncia relativa na mitologia, podem variar de acordo com as na\u00e7\u00f5es. Nos candombl\u00e9s angola, por exemplo, elas s\u00e3o chamadas&nbsp;<em>inquices<\/em>, enquanto o candombl\u00e9 jeje as denomina&nbsp;<em>voduns<\/em>. Utilizamos aqui a terminologia iorubana porque \u00e9 a mais conhecida e disseminada. Outras divindades tamb\u00e9m s\u00e3o cultuadas nos terreiros de algumas na\u00e7\u00f5es. Assim, alguns templos angola incluem entre suas entidades, al\u00e9m dos inquices, tamb\u00e9m os&nbsp;<em>caboclos<\/em>, ou entidades \u00e0s quais se atribui origem ind\u00edgena. No tambor de mina, al\u00e9m dos voduns, os fi\u00e9is tamb\u00e9m cultuam entidades femininas infantis conhecidas como&nbsp;<em>tobossas<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Fi\u00e9is e iniciados<\/h3>\n\n\n\n<p>Os participantes de cada terreiro se dividem em uma hierarquia organizada de acordo com o grau de proximidade do fiel com as divindades. Segundo o candombl\u00e9, toda pessoa tem seu esp\u00edrito ligado a um orix\u00e1 espec\u00edfico \u2013 ou a um conjunto de orix\u00e1s, em alguns casos. Atribui-se ao indiv\u00edduo caracter\u00edsticas de personalidade condizentes com seu orix\u00e1 patrono. Essa liga\u00e7\u00e3o pode ser estreitada por meio de uma complexa s\u00e9rie de rituais de inicia\u00e7\u00e3o, os mais simples dos quais s\u00e3o a lavagem do colar de contas e o&nbsp;<em>bori<\/em>, cerim\u00f4nia destinada a fortalecer o esp\u00edrito do fiel e prepar\u00e1-lo para o contato direto com o orix\u00e1. Esses est\u00e1gios iniciais podem ou n\u00e3o se desdobrar na inicia\u00e7\u00e3o completa, por meio da qual o fiel, ent\u00e3o chamado&nbsp;<em>ia\u00f4<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>filho-de-santo<\/em>, torna-se um ve\u00edculo de seu orix\u00e1 na terra. Durante as cerim\u00f4nias e festas p\u00fablicas do candombl\u00e9, os filhos-de-santo s\u00e3o possu\u00eddos pelos seus orix\u00e1s: neste importante momento do transe divino, o iniciado entra em uma esp\u00e9cie de estado de inconsci\u00eancia enquanto o orix\u00e1 &#8220;baixa&#8221; e toma o controle de seu corpo para dan\u00e7ar e encenar cenas m\u00edticas. Um filho-de-santo que tenha se iniciado h\u00e1 sete anos pode ganhar o t\u00edtulo de&nbsp;<em>eb\u00f4mi<\/em>&nbsp;e ent\u00e3o ocupar diversos cargos especializados no terreiro, culminando nos t\u00edtulos de&nbsp;<em>babalorix\u00e1 (&#8220;pai-de-santo&#8221;)<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>ialorix\u00e1 (&#8220;m\u00e3e-de-santo&#8221;)<\/em>, autoridades espirituais m\u00e1ximas de cada templo. Em cada um desses est\u00e1gios, o fiel fortalece sua for\u00e7a espiritual &#8211; o&nbsp;<em>ax\u00e9<\/em>&nbsp;&#8211; e seus la\u00e7os com o orix\u00e1, entrando em contato com saberes rituais e mitol\u00f3gicos cada vez mais restritos. Contudo, tamb\u00e9m se sujeita a restri\u00e7\u00f5es e tabus progressivamente maiores.<br><br>Al\u00e9m dos iniciados propriamente ditos, todo terreiro possui um n\u00famero de fi\u00e9is que n\u00e3o completaram sua inicia\u00e7\u00e3o (alguns dos quais jamais chegam a complet\u00e1-la) e que n\u00e3o s\u00e3o possu\u00eddos pelos orix\u00e1s. Trata-se dos&nbsp;<em>og\u00e3s<\/em>&nbsp;e das&nbsp;<em>equedes<\/em>, que executam tarefas fundamentais do rito, como tocar os tambores ou paramentar e auxiliar os filhos-de-santo enquanto estes se encontram no transe divino. Por fim, nem todas as pessoas que frequentam um terrreiro ou recorrem \u00e0 ajuda dos orix\u00e1s participam ativamente do culto. Muitos comparecem apenas para presenciar a beleza das cerim\u00f4nias, enquanto outros realizam consultas particulares com os babalorix\u00e1s e ialorix\u00e1s, nas quais estes normalmente consultam a vontade dos orix\u00e1s por meio do jogo de b\u00fazios e orientam os clientes a respeito de como propiciar os deuses para obterem a solu\u00e7\u00e3o para seus problemas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os toques e festas<\/h3>\n\n\n\n<p>A parte mais p\u00fablica e conhecida do candombl\u00e9 s\u00e3o os toques, como s\u00e3o chamadas as cerim\u00f4nias e festas p\u00fablicas da religi\u00e3o. Cada terreiro possui um calend\u00e1rio lit\u00fargico com diversas festas em homenagem aos diferentes orix\u00e1s. Destacam-se as cerim\u00f4nias que iniciam o ano-novo do calend\u00e1rio do candombl\u00e9, entre agosto e setembro, como as do \u201cInhame Novo\u201d ou as \u201c\u00c1guas de Oxal\u00e1\u201d, bem como o ciclo de festas que se estende entre setembro e dezembro, homenageando v\u00e1rias divindades na sequ\u00eancia. Al\u00e9m disso, os orix\u00e1s podem ser cultuados em v\u00e1rias outras circunst\u00e2ncias.<br><br>A estrutura b\u00e1sica do toque se repete: ele se inicia pela manh\u00e3 com o sacrif\u00edcio ritual dos animais cujo sangue \u2013 ve\u00edculo m\u00e1ximo do ax\u00e9 ou da for\u00e7a espiritual \u2013 \u00e9 ofertado aos orix\u00e1s, enquanto a carne \u00e9 preparada para ser consumida pelos fi\u00e9is durante a festa. A festa se inicia com uma oferenda a Exu, divindade que abre os caminhos, e depois seguem-se os cantos e dan\u00e7as com os quais os orix\u00e1s s\u00e3o homenageados em uma sequ\u00eancia conhecida como xir\u00ea. \u00c9 neste momento de celebra\u00e7\u00e3o que, ao som dos atabaques e dos cantos dedicados a cada divindade, os orix\u00e1s descem \u00e0 terra e dan\u00e7am atrav\u00e9s dos corpos de seus filhos. \u00c9 comum que uma primeira possess\u00e3o seja seguida de um recolhimento do filho-de-santo, que depois retorna paramentado com as roupas e acess\u00f3rios de seu orix\u00e1 para a dan\u00e7a dos deuses. Os cultos do candombl\u00e9 s\u00e3o conhecidos por sua&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.museuafrobrasil.org.br\/pesquisa\/%C3%ADndice-biogr%C3%A1fico\/manifestacoes-culturais\/iconografia-religiosa-afro-brasileira\">rica iconografia<\/a>, que fascina e encanta aqueles que assistem \u00e0s cerim\u00f4nias.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma &#8220;metaf\u00edsica sutil&#8221;<\/h3>\n\n\n\n<p>Muitas vezes se d\u00e1 demasiada aten\u00e7\u00e3o \u00e0s festas do candombl\u00e9, que s\u00e3o seu aspecto mais p\u00fablico e vis\u00edvel, deixando de considerar que a religi\u00e3o dos candombl\u00e9s tamb\u00e9m corresponde a toda uma vis\u00e3o de mundo. O candombl\u00e9 prop\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o bastante individualizada entre o fiel e o orix\u00e1 que \u00e9 seu patrono. Com isso, sua diversificada mitologia fornece um instrumento a partir do qual organizar e compreender melhor a diversidade dos homens e de suas a\u00e7\u00f5es no mundo e orientar o comportamento das pessoas. Embora reconhe\u00e7a divis\u00f5es e \u00e0s vezes at\u00e9 conflitos entre os orix\u00e1s e seus filhos, tamb\u00e9m afirma que o universo s\u00f3 se sustenta a partir de uma trama de comunica\u00e7\u00f5es, intera\u00e7\u00f5es e complementaridades entre as partes. Cada fiel deve render homenagem a seu orix\u00e1, mas \u00e9 toda a comunidade que se beneficia das b\u00ean\u00e7\u00e3os coletivas do conjunto dos orix\u00e1s. O que seria de uma comunidade que preza pela guerra de Ogum, mas \u00e9 incapaz de promover o amor de Iemanj\u00e1? Assim, o candombl\u00e9 ensina a seus fi\u00e9is que diferentes tipos de a\u00e7\u00e3o ou personalidade, diferentes fen\u00f4menos da vida cotidiana, antes de serem intrinsecamente bons ou ruins, s\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 continuidade saud\u00e1vel vida desde que se exer\u00e7am com harmonia. Al\u00e9m disso, o candombl\u00e9 est\u00e1 longe de oferecer apenas for\u00e7a espiritual para os filhos-de-santo, pois esta vem sempre acompanhada de restri\u00e7\u00f5es e obriga\u00e7\u00f5es que correspondem tamb\u00e9m \u00e0s suas responsabilidades perante os deuses e as comunidades das quais s\u00e3o apenas uma parte.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Tend\u00eancias demogr\u00e1ficas<\/h3>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que, longe de ser um resqu\u00edcio do passado, o candombl\u00e9 \u00e9 hoje uma religi\u00e3o moderna e em plena expans\u00e3o em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds e tamb\u00e9m do exterior, haja vista seu crescimento em pa\u00edses como a Argentina ou os EUA. Historicamente, a religi\u00e3o dos orix\u00e1s, em suas v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es, sempre esteve mais atrelada a centros urbanos como Salvador, Recife, S\u00e3o Lu\u00eds ou Porto Alegre, tendo se consolidado no s\u00e9culo XIX. A partir dos terreiros baianos, ela se disseminou para o Rio de Janeiro no in\u00edcio do s\u00e9culo XX e depois para S\u00e3o Paulo, onde teve uma grande expans\u00e3o nos anos 1960. Pode-se dizer que o candombl\u00e9, desde suas origens, sempre teve um potencial universalizador, pela sua capacidade de unir culturas e divindades africanas de diversas proced\u00eancias diferentes, e tamb\u00e9m pelo fato de sempre ter atra\u00eddo pessoas de diversas origens \u00e9tnico-raciais para seus ritos. Apesar disso, at\u00e9 os anos 1960, ele podia ser considerado uma religi\u00e3o que abrangia predominantemente as popula\u00e7\u00f5es negras, hist\u00f3rica e culturalmente vinculadas ao culto dos orix\u00e1s. Isso mudou muito na segunda metade do s\u00e9culo XX, com um movimento crescente de diversifica\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial dos fi\u00e9is e com uma tend\u00eancia do candombl\u00e9 de atrair cada vez mais as classes m\u00e9dias e escolarizadas. Alguns autores atribuem essa tend\u00eancia a um desencanto crescente com outras religi\u00f5es dominantes no Brasil, ao tipo de liga\u00e7\u00e3o pessoal e individualizada do fiel com os deuses promovida pelo candombl\u00e9 e a uma rejei\u00e7\u00e3o crescente \u00e0 cultura moderna secularizada.<br><br>Segundo dados do censo de 2000 realizado pelo IBGE, mais de 127 mil brasileiros se declararam adeptos do candombl\u00e9. Esse n\u00famero aumenta bastante se considerarmos todas as pessoas que frequentam os terreiros durante as festas p\u00fablicas e consultas particulares, uma vez que muitas delas n\u00e3o podem se declarar fi\u00e9is por n\u00e3o terem passado pelos ritos de inicia\u00e7\u00e3o. Desse n\u00famero, 23% se declararam negros, 38% pardos e 37% brancos. O candombl\u00e9 est\u00e1 muito longe, portanto, de ser uma religi\u00e3o negra ou \u00e9tnica, mostrando-se um culto capaz n\u00e3o apenas de encantar, mas de suprir as necessidades e aspira\u00e7\u00f5es espirituais de in\u00fameros e variados fi\u00e9is, que dedicam sua vida \u00e0 beleza dos festejos e \u00e0 honra de serem os filhos diletos dos orix\u00e1s, os ve\u00edculos do sagrado na terra.<strong><br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes de pesquisa:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; AMARAL, Rita; SILVA, Vagner Gon\u00e7alves da. Foi conta para todo canto: as religi\u00f5es afro-brasileiras nas letras do repert\u00f3rio musical popular brasileiro. Afro-\u00c1sia, Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais\/UFBA, n. 34, p. 189-235, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; BASTIDE, Roger. As religi\u00f5es africanas no Brasil: contribui\u00e7\u00e3o a uma Sociologia das interpenetra\u00e7\u00f5es de civiliza\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Livraria Pioneira Editora\/Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 1971.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O candombl\u00e9 da Bahia: rito nag\u00f4. Ed. rev. e ampliada. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; DANTAS, Beatriz G\u00f3is. Vov\u00f3 nag\u00f4 e papai branco: usos e abusos da \u00c1frica no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; MATORY, James Lorand. Black Atlantic religion: tradition, transnationalism, and matriarchy in the Afro-Brazilian candombl\u00e9. Princeton\/Oxford: Princeton University Press, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; PRANDI, Reginaldo. Herdeiras do ax\u00e9: sociologia das religi\u00f5es afro-brasileiras. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mitologia dos orix\u00e1s. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2001. SILVA, Vagner Gon\u00e7alves da. Orix\u00e1s da metr\u00f3pole. Petr\u00f3polis: Vozes, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>FONTE:  <a href=\"http:\/\/www.museuafrobrasil.org.br\/pesquisa\/indice-biografico\/manifestacoes-culturais\/candomble\">http:\/\/www.museuafrobrasil.org.br\/pesquisa\/indice-biografico\/manifestacoes-culturais\/candomble<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come\u00e7o dos tempos, Olodumare criou os homens [&#8230;]Orunmil\u00e1, tamb\u00e9m chamado Ob\u00e1 Jeunjeum,ou &#8220;Rei-que-Come-Alimento&#8221;, na l\u00edngua dos orix\u00e1s,ofereceu-se para levar os homens ao mundo e cuidar deles l\u00e1,com o que Olodumare concordou plenamente.Previdente, Orunmil\u00e1 consultou o babala\u00f4,que o mandou oferecer sacrif\u00edcios antes de partir.Ele deveria preparar sementes de legumes e tub\u00e9rculos.O eb\u00f3 foi feito.Do Orun, &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link block-button\" href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/2312\">Continue lendo &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2319,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2312"}],"collection":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2312"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2321,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2312\/revisions\/2321"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2319"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}