{"id":580,"date":"2012-07-20T23:40:30","date_gmt":"2012-07-20T23:40:30","guid":{"rendered":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/?p=580"},"modified":"2012-07-20T23:40:30","modified_gmt":"2012-07-20T23:40:30","slug":"o-que-e-ser-abiku","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/580","title":{"rendered":"O que \u00e9 ser abik\u00fa?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/abiku_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-581\" title=\"abiku_2\" src=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/abiku_2-300x240.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"240\" srcset=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/abiku_2-300x240.jpg 300w, http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/abiku_2.jpg 593w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os Ab\u00edk\u00fa s\u00e3o na verdade, esp\u00edritos que provocam a morte das crian\u00e7as em que estejam encarnados, ou seja, que provocam a pr\u00f3pria morte. A palavra de origem yoruba pode ser literalmente traduzida como: &#8220;N\u00f3s nascemos para morrer&#8221;.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o do Ab\u00edk\u00fa encarnando-se sucessivas vezes em crian\u00e7as geradas por uma mesma mulher e provocando sua morte durante a fase de gesta\u00e7\u00e3o, ou logo ap\u00f3s o nascimento, mas sempre antes dos nove anos de idade, \u00e9 tida e havida como uma verdadeira maldi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sabemos que o esp\u00edrito, j\u00e1 em est\u00e1gio de adiantada evolu\u00e7\u00e3o, buscando acelerar ainda mais o processo, provoca esse tipo de fen\u00f4meno que, se do ponto de vista espiritual pode ser considerado ben\u00e9fico, do ponto de vista material \u00e9 visto como uma desgra\u00e7a que se abate sobre uma fam\u00edlia, determinando dor e luto constantes.<\/p>\n<p>Os esp\u00edritos Ab\u00edk\u00fa formam um grupo denominado Egbe Orun Ab\u00edk\u00fa, que habita no mundo paralelo que nos rodeia, o Orun, morada dos deuses e dos antepassados.<\/p>\n<p>No Orun, termo que pode ser corretamente traduzido para c\u00e9u, este grupo de esp\u00edritos dividem-se em categorias, de acordo com o sexo, sendo que os pertencentes ao sexo masculino s\u00e3o chefiados por Oloiko (Chefe do grupo) e os de sexo feminino, por Iyajanjasa (A M\u00e3e que bate e corre).<\/p>\n<p>Na sua vinda do Orun para o aiye (terra), os esp\u00edritos, tamb\u00e9m conhecidos como Emere, estabelecem um pacto com Onibode Orun, o guardi\u00e3o dos portais do Orun, condicionando sua perman\u00eancia, no nosso mundo, a determinadas exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do pacto formalizado, alguns destes esp\u00edritos determinam-se simplesmente, n\u00e3o nascer, enquanto outros, determinados a voltar logo ap\u00f3s seu nascimento, morrem subitamente, quer seja por acidente, quer seja por doen\u00e7a, assim que rompa seu primeiro dente.<\/p>\n<p>Todos os Ab\u00edk\u00fa s\u00e3o considerados esp\u00edritos infantis e possuem companheiros ou amiguinhos mais chegados, com os quais costumam brincar no Orun. Logo que uma destas crian\u00e7as nasce, seu par come\u00e7a a interferir na sua vida terrena, aparecendo-lhe em sonhos ou atormentando-o de diversas formas, para que n\u00e3o se esque\u00e7a do compromisso assumido, e que retorne, o mais rapidamente poss\u00edvel, ao seu conv\u00edvio.<\/p>\n<p>Segundo a lenda, os que vieram \u00e0 terra, pela primeira vez, na localidade denominada Awaiye, trazidos por Alawaiye, rei de Awaiye e seu chefe no Orun. O grupo era formado por 280 esp\u00edritos que, parando no portal do c\u00e9u, fizeram diversos pactos, condicionando seu retorno a diferentes situa\u00e7\u00f5es, que variavam de acordo com a escolha de cada um. Desta forma, alguns estabeleceram a data de sua morte para depois que vissem, pela primeira vez, o rosto de suas m\u00e3es; outros, para quando completassem sete dias de nascidos; outros ainda, para quando come\u00e7assem a andar; alguns, para quando ganhassem um irm\u00e3o mais novo; outros, para quando se casassem ou constru\u00edssem uma casa. Aqueles que nascessem comprometiam-se a n\u00e3o aceitar o amor de seus pais e, todos os presentes e agrados recebidos, seriam in\u00fateis para ret\u00ea-los na Terra, ao passo que alguns, se comprometeram, simplesmente, a provocarem seus pr\u00f3prios abortos, n\u00e3o chegando sequer a nascer. Estabeleceram ainda que, se seus pais adivinhassem seus rituais, roupas e oferendas, e, se em tempo h\u00e1bil os oferecessem, concordariam em permanecer neste mundo.<\/p>\n<p>Determinaram ainda entre si um ritual no qual, roupas, chap\u00e9us e turbantes tingidos de osun, com valor simb\u00f3lico de 1.400 cawr\u00eds, deveriam ser pendurados nas \u00e1rvores de um bosque especialmente consagrado para seu culto. Folhas sagradas deveriam ser friccionadas em seus corpinhos j\u00e1 tingidos de osun, shaworos seriam colocados em seus tornozelos, pequenas incis\u00f5es seriam feitas em seus corpos, e, atrav\u00e9s delas, p\u00f3s m\u00e1gicos de diversas folhas, seriam inseridos como prote\u00e7\u00e3o. Com os mesmos p\u00f3s, seriam confeccionados amuletos de couro, denominados ond\u00ea, que deveriam ser presos \u00e0s suas cinturas. Alguns deles deveriam levar nos tornozelos, argolas e correntes de ferro, para evitar que fugissem para o Orun e, suas oferendas, conforme determinariam os Itan If\u00e1, seriam compostas de cabras, pombos, galos, doces, diversos tipos de cereais, bebidas e guizos, que deveriam ser entregues no bosque sagrado, soltas nas \u00e1guas de um rio, ou enterradas em suas margens. Somente assim, concordariam em permanecer sobre a Terra.<\/p>\n<p>Apesar disto, se Iyajanjasa ou Oloiko insistissem em levar alguns deles de volta para o Orun, seus corpos sem vida deveriam ser marcados com escarifica\u00e7\u00f5es, queimaduras ou mutila\u00e7\u00f5es, para que seus colegas do Orun, n\u00e3o os reconhecendo, se negassem a aceit\u00e1-los no egbe. As mesmas marcas, reaparecendo nos corpos que tomassem para renascer, serviriam para que pudessem ser identificados e, imediatamente, submetidos aos procedimentos m\u00e1gicos que fariam com que prolongassem suas vidas.<\/p>\n<p>Segundo as tradi\u00e7\u00f5es, o Ipori ao atingir elevado est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o, costuma reunir-se em grupos, aguardando em copas de determinadas \u00e1rvores consideradas sagradas, situadas em trilhas existentes em alguns bosques. A passagem de uma mulher de &#8220;corpo aberto&#8221;, ou seja, em fase de menstrua\u00e7\u00e3o, \u00e9 por ele esperada para que, atrav\u00e9s dessa &#8220;abertura&#8221;, possa estabelecer-se em seu interior, aguardando ali, que ocorra a fecunda\u00e7\u00e3o, quando ent\u00e3o, aloja-se no embri\u00e3o, dando in\u00edcio a uma nova encarna\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 ser interrompida antes do total desenvolvimento do feto, ou num per\u00edodo de nove anos ap\u00f3s o nascimento, conforme seja o seu plano de mais rapidamente processar sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia de abortos sucessivos, ou a morte dos filhos ainda pequenos, configuram-se como sintomas da presen\u00e7a de um Ab\u00edk\u00fa e, contatada essa presen\u00e7a, a mulher afetada deve submeter-se a um complexo tratamento espiritual, tendo que reunir-se a um grupo denominado Egbe Ob\u00e1, onde \u00e9 praticado um culto espec\u00edfico a Ab\u00edk\u00fa.<\/p>\n<p>Como parte integrante do Egbe Ob\u00e1, a mulher passa por uma s\u00e9rie de procedimentos ritual\u00edsticos que visam garantir o nascimento de seu pr\u00f3ximo filho, n\u00e3o por interm\u00e9dio da expuls\u00e3o do Ab\u00edk\u00fa alojado em seu corpo, mas atrav\u00e9s de sua concord\u00e2ncia do mesmo em nascer e continuar vivendo no corpo em gesta\u00e7\u00e3o, por um per\u00edodo correspondente \u00e0 m\u00e9dia normal de vida humana.<\/p>\n<p>Um babalawo, especialista no trato com, indica o eb\u00f3 que ir\u00e1 garantir o nascimento com vida do pr\u00f3ximo filho da mulher em quest\u00e3o, mantendo-o vivo, retendo-o sobre a Terra e rompendo, definitivamente, sua liga\u00e7\u00e3o com o Orun.<\/p>\n<p>Iniciado o tratamento espiritual, a mulher tem o corpo, principalmente o abdome, esfregado com folhas sagradas, toma banhos e ch\u00e1s das mesmas folhas e passa a cuidar de uma entidade feminina chamada Egbe Eleriko, que atormenta as crian\u00e7as durante o sono, produzindo marcas e ferimentos superficiais em seus corpos.<\/p>\n<p>Um assentamento de Egbe Eleriko \u00e9 feito em sua casa, onde, anualmente, ser\u00e3o oferecidos sacrif\u00edcios de animais, com toques, c\u00e2nticos e dan\u00e7as ritual\u00edstica.<\/p>\n<p>Esta entidade tem que ser cultuada permanentemente e, a cada cinco dias, caba\u00e7as com oferendas lhe \u00e9 oferecida num rio.<\/p>\n<p>Dentro destas caba\u00e7as s\u00e3o colocados ovos, ob\u00eds, favas bejerekun, akas\u00e1, bananas, doces, inhame, acaraj\u00e9s, cana-de-a\u00e7\u00facar e penas ekodid\u00e9, tudo em n\u00famero de seis. A caba\u00e7a \u00e9 fechada e, depois de colocada dentro de um saco, \u00e9 entregue nas \u00e1guas de um rio, acompanhada de rezas<\/p>\n<p>Apesar de atormentar as crian\u00e7as, Egbe Eleriku tem o poder de dar filhos e fortuna \u00e0s mulheres que a cultuam e nem todas as crian\u00e7as s\u00e3o por ela perseguidas.<\/p>\n<p>Um oriki de Egbe Eleriko, recolhido em Ibadan, demonstra a liga\u00e7\u00e3o acima referida, e serve como uma s\u00faplica feita pelas mulheres que, sob sua prote\u00e7\u00e3o, desejam filhos sadios e livres da praga.<\/p>\n<p>Um procedimento muito usado para constatar a presen\u00e7a do Ab\u00edk\u00fa, no caso de falecimento de uma crian\u00e7a de menos de nove anos, faz parte de um ritual durante o qual, o cad\u00e1ver do pequenino, depois de lavado com infus\u00f5es de ervas sagradas, \u00e9 marcado com cortes superficiais em diversas partes do corpo, feitos com afiadas l\u00e2minas de a\u00e7o. Atrav\u00e9s destas escarifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o introduzidos alguns tipos de p\u00f3s obtidos da moagem de elementos naturais, considerados m\u00e1gicos. Cortes mais profundos s\u00e3o feitos no alto da cabe\u00e7a e o l\u00f3bulo de uma das orelhas \u00e9 extirpado. Um guizo de ferro fornecido pelo Egbe Ob\u00e1 \u00e9 atado ao tornozelo do cad\u00e1ver que, s\u00f3 ent\u00e3o, receber\u00e1 sepultura.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima crian\u00e7a gerada pela m\u00e3e do falecido, se apresentar uma das marcas feitas no cad\u00e1ver de seu irm\u00e3o, se possuir l\u00f3bulo duplo ou bipartido numa das orelhas, ou ainda, se possuir um sexto dedo num dos p\u00e9s ou m\u00e3os, estar\u00e1 caracterizando a presen\u00e7a do Ab\u00edk\u00fa, devendo ser imediatamente submetida aos rituais que lhe preservar\u00e3o a vida e que, da mesma forma que os procedimentos relativos ao cad\u00e1ver de seu falecido irm\u00e3o, s\u00f3 podem ser ministrados por um sacerdote do culto de If\u00e1, Babalawo consagrado e especializado neste tipo de ritual.<\/p>\n<p>Assegurado o nascimento da crian\u00e7a, e tendo esta efetivamente nascida com vida, dever\u00e1 ent\u00e3o ser submetida aos rituais propiciat\u00f3rios, para que o esp\u00edrito permane\u00e7a naquele corpo, com a garantia de que ser\u00e1 aquela a sua \u00faltima encarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um eb\u00f3 ser\u00e1 preparado, com um peda\u00e7o de tronco de bananeira vestido com roupas e gorros tingidos de osun e bordados de b\u00fazios e guizos. Pendura-se tudo nos galhos de uma \u00e1rvore e, no ch\u00e3o, arria-se, ao redor do tronco, pratos ou alguidares de barro contendo inhame, acaraj\u00e9, ekur\u00fa, akas\u00e1, canjica, doces, frutas, bebidas, folhas ritual\u00edsticas, tudo bem coberto com mel de abelhas. Uma cabra, um pombo e um galo s\u00e3o sacrificados e arriados no local, onde permanecer\u00e3o por algum tempo. Depois, embrulham-se os corpos dos animais sacrificados num pano branco, cobre-se com bastante p\u00f3 de efun, amarra-se e enterra-se nas margens de um rio, ou despacha-se nas \u00e1guas, de acordo com a orienta\u00e7\u00e3o obtida atrav\u00e9s do or\u00e1culo.<\/p>\n<p>Na confec\u00e7\u00e3o do eb\u00f3, n\u00e3o s\u00e3o utilizadas rezas ou c\u00e2nticos, sendo exigida, isto sim, a presen\u00e7a dos pais do Ab\u00edk\u00fa, que dever\u00e3o saber o objetivo do eb\u00f3. As mesmas folhas oferecidas no sacrif\u00edcio ser\u00e3o utilizadas em banhos e na confec\u00e7\u00e3o de p\u00f3s m\u00e1gicos que ser\u00e3o esfregados nas incis\u00f5es do Ab\u00edk\u00fa e na prepara\u00e7\u00e3o do amuleto ond\u00ea, que dever\u00e1 acompanh\u00e1-lo pelo resto da vida. As folhas t\u00eam que ser consagradas antes de sua utiliza\u00e7\u00e3o e, para isso, possuem of\u00f3s espec\u00edficos, que ressaltam suas qualidades e fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Formalizado o pacto, a crian\u00e7a viver\u00e1 normalmente, como qualquer ser humano, s\u00f3 devendo morrer em idade bastante avan\u00e7ada. Acredita-se que os seres humanos dotados de esp\u00edrito Ab\u00edk\u00fa, talvez pelo alto grau de evolu\u00e7\u00e3o de seu Ipori, s\u00e3o dotados de muita intelig\u00eancia e, no decorrer de suas vidas, transforma-se em verdadeiros l\u00edderes, dedicados ao bem estar de sua comunidade e principalmente dos seus familiares.<\/p>\n<p>\u00c0s crian\u00e7as Ab\u00edk\u00fa que conseguem sobreviver, s\u00e3o dados nomes espec\u00edficos que fazem refer\u00eancia \u00e0 sua especial condi\u00e7\u00e3o de nascimento. Isto dever\u00e1 ocorrer sempre, no s\u00e9timo dia depois de seu nascimento &#8211; se for menina, ou no nono dia &#8211; se for menino. No caso de g\u00eameos, os nomes ser\u00e3o dados no oitavo dia ap\u00f3s o nascimento. Esta festividade que comporta um ritual \u00e9 denominada Ikomojade, e tem por finalidade principal, dar aos Ab\u00edk\u00fas, nomes que desestimulem sua volta ao Orun, alguns dos quais, com seus respectivos significados em portugu\u00eas, relacionamos em seguida:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mal\u00f3mo &#8211; n\u00e3o v\u00e1 embora novamente<\/p>\n<p>Kosok\u00f3 &#8211; n\u00e3o existe mais terra- a terra acabou<\/p>\n<p>Banjok\u00f4 &#8211; sente-se e fique comigo<\/p>\n<p>Durosimi &#8211; espere para me enterrar quando eu morrer<\/p>\n<p>Jekiniyin &#8211; permita que eu tenha um pouco de respeito<\/p>\n<p>Akisotan &#8211; n\u00e3o existe mais mortalha para o sepultamento<\/p>\n<p>Apara &#8211; aquele que vai e vem<\/p>\n<p>Ok\u00fa &#8211; o morto<\/p>\n<p>Igbe Koyi &#8211; nem a floresta quer voc\u00ea- a selva rejeita essa crian\u00e7a<\/p>\n<p>En\u00fa- K\u00fan-Onip\u00ea &#8211; o consolador est\u00e1 cansado<\/p>\n<p>Tij\u00fa-Ic\u00fa &#8211; envergonhe-se de morrer<\/p>\n<p>Buro-Or\u00ed-Ik\u00e9 &#8211; fica, espere e veja como ser\u00e1s mimado<\/p>\n<p>Aiye Dun &#8211; a vida \u00e9 doce<\/p>\n<p>Aiye Lagb\u00e9 &#8211; ficamos no mundo<\/p>\n<p>Age Igba &#8211; que a riqueza n\u00e3o se perca<\/p>\n<p>Ajuki &#8211; o morto viver\u00e1<\/p>\n<p>Apaara &#8211; frequenta minha casa<\/p>\n<p>Ayomu mo &#8211; vai pra o c\u00e9u e volta<\/p>\n<p>Bajoko \u2013 senta-se ao meu lado<\/p>\n<p>Duro \u2013 me atende e fica<\/p>\n<p>Duro Joy\u00e9 \u2013 continua a gozar a vida<\/p>\n<p>Sinmi \u2013 \u00e9 dif\u00edcil ficar enterrado<\/p>\n<p>Shome \u2013 dif\u00edcil fazer as crian\u00e7as permanecer<\/p>\n<p>Toy\u00e9 \u2013 se ficares, receber\u00e1s homenagens<\/p>\n<p>Woj\u00fa \u2013 dif\u00edcil olhar para os meus olhos<\/p>\n<p>Ebe Loko \u2013 implora pra ficar<\/p>\n<p>En\u00ed Lolobo \u2013 algu\u00e9m partiu e voltou<\/p>\n<p>Inu Kuno naipe \u2013 estou cansado (a) de receber p\u00easames<\/p>\n<p>Ik\u00fa Faryin \u2013 a morte perdoa<\/p>\n<p>Iletan \u2013 est\u00e1 acabado<\/p>\n<p>Kike \u2013 indulgente<\/p>\n<p>Kaje Yu \u2013 n\u00e3o \u00e9 aceito pra morrer<\/p>\n<p>Kokun \u2013 n\u00e3o morras mais<\/p>\n<p>Koni Bi Re \u2013 n\u00e3o vai l\u00e1<\/p>\n<p>Kosile \u2013 n\u00e3o vai enterrar mais<\/p>\n<p>Ifari \u2013 chamemo-lhes<\/p>\n<p>Kosoko \u2013 n\u00e3o vai cruzar o t\u00famulo<\/p>\n<p>Kumipayi \u2013 Kuti \u2013 a morte n\u00e3o mata mais este aqui<\/p>\n<p>Maku \u2013 n\u00e3o morre mais<\/p>\n<p>Matnami \u2013 n\u00e3o larga mais a vida<\/p>\n<p>Obi Mesan \u2013 n\u00e3o vingar\u00e1s<\/p>\n<p>Ik\u00fa Okura \u2013 a morte \u00e9 apenas um nome<\/p>\n<p>Oku se Hiyn \u2013 o morto que retorna<\/p>\n<p>Amatunde \u2013 o menino que retorna<\/p>\n<p>Orun Kun \u2013 o c\u00e9u est\u00e1 cheio<\/p>\n<p>Ratini \u2013 suporta-me<\/p>\n<p>Tomi Mowo \u2013 quem sabe como cuidar<\/p>\n<p>Tijuiko \u2013 vergonha da morte<\/p>\n<p>Jekin-niyin \u2013 me d\u00e1 seu pre\u00e7o<\/p>\n<p>Akuji \u2013 o que est\u00e1 morto, desperta<\/p>\n<p>Omotund\u00e9 \u2013 a crian\u00e7a voltou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, os nomes ab\u00edk\u00fa renegam a morte e a possibilidade de retorno ao Egbe Orun. Ressaltam a vida e o quanto \u00e9 bom desfrutar das coisas existentes sobre a Terra, principalmente o amor dos pais e irm\u00e3os. Estas crian\u00e7as devem ser chamadas, sempre, por estes nomes, o que ajuda o rompimento definitivo do seu v\u00ednculo com o grupo Emer\u00e9.<\/p>\n<p>Periodicamente oferecem-se comidas ritual\u00edsticas \u00e0s crian\u00e7as Ab\u00edk\u00fa, o que acontece, invariavelmente, por ocasi\u00e3o de seus anivers\u00e1rios natal\u00edcios, produzidas principalmente, com feij\u00f5es e \u00f3leo de palma. Acredita-se que durante estes festivais, os esp\u00edritos Ab\u00edk\u00fa se apresentam e, ao participarem do evento, s\u00e3o apaziguados.<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o do Ab\u00edk\u00fa existe em quase toda a \u00c1frica negra, variando apenas na forma de tratamento deste fen\u00f4meno. V\u00e1rios povos mant\u00eam a mesma cren\u00e7a, embora d\u00eaem a eles, nomes diferentes. Os igbos os chamam de ogbanje, eze-nwany, agwu ou ainda, iyi-uwa-ogbanje. Entre os nupe, s\u00e3o conhecidos como kuchi ou gayakpeama. Os fanti os conhecem pelo nome de kossamah, os akan pelo nome de awomawu, e os haussa chamam-nos de danwabi ou kyauta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m entre os povos bantu, origin\u00e1rios do Sul da \u00c1frica, encontramos os uaf\u00fa z\u00e1 ku\u00edza, cujos funUm Itan de If\u00e1 revela, por interm\u00e9dio do Odu Irosun Meji, um sacrif\u00edcio espec\u00edfico para garantir o nascimento de uma crian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Ab\u00edk\u00fa s\u00e3o na verdade, esp\u00edritos que provocam a morte das crian\u00e7as em que estejam encarnados, ou seja, que provocam a pr\u00f3pria morte. A palavra de origem yoruba pode ser literalmente traduzida como: &#8220;N\u00f3s nascemos para morrer&#8221;. A a\u00e7\u00e3o do Ab\u00edk\u00fa encarnando-se sucessivas vezes em crian\u00e7as geradas por uma mesma mulher e provocando sua morte &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link block-button\" href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/580\">Continue lendo &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=580"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":584,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580\/revisions\/584"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}