{"id":649,"date":"2012-08-21T17:59:18","date_gmt":"2012-08-21T17:59:18","guid":{"rendered":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/?p=649"},"modified":"2012-08-21T17:59:18","modified_gmt":"2012-08-21T17:59:18","slug":"aiye-e-orum-os-niveis-de-existencia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/649","title":{"rendered":"Aiye e Orum: os n\u00edveis de exist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/essa2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-650\" title=\"essa2\" src=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/essa2.jpg\" alt=\"\" width=\"518\" height=\"433\" srcset=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/essa2.jpg 518w, http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/essa2-300x250.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Segundo diversos mitos, em \u00e9pocas remotas, o aiye e o orum n\u00e3o estavam separados. A exist\u00eancia n\u00e3o se desdobrava em dois n\u00edveis, e os habitantes dos dois mundos podiam passar livremente de um espa\u00e7o para outro. Foi devido a uma falta, \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de uma interdi\u00e7\u00e3o que os dois n\u00edveis se separaram, impedindo os homens de irem livremente ao orum e de l\u00e1 voltar. Este mito tamb\u00e9m explica o surgimento do candombl\u00e9, a religi\u00e3o dos orix\u00e1s.<\/p>\n<p>Vejamos o mito:<\/p>\n<p>No come\u00e7o n\u00e3o havia separa\u00e7\u00e3o entre o Orum, o C\u00e9u dos orix\u00e1s, e o Ai\u00ea, a Terra dos humanos. Homens e divindades iam e vinham, coabitando e dividindo vidas e aventuras. Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Ai\u00ea, um ser humano tocou o Orum com as m\u00e3os sujas. O c\u00e9u imaculado do Orix\u00e1 fora conspurcado. O branco imaculado de Obatal\u00e1 se perdera. Oxal\u00e1 foi reclamar a Olorum. Olorum, Senhor do C\u00e9u, Deus Supremo, irado com a sujeira, o desperd\u00edcio e a displic\u00eancia dos mortais, soprou enfurecido seu sopro divino e separou para sempre o C\u00e9u da Terra.<\/p>\n<p>Assim, o Orum separou-se do mundo dos homens e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de l\u00e1 com vida. E os orix\u00e1s tamb\u00e9m n\u00e3o poderiam vir \u00e0 Terra com seus corpos.\u00a0 Agora havia o mundo dos homens e o dos orix\u00e1s, separados. Isoladas dos humanos habitantes do Ai\u00ea, as divindades entristeceram. Os orix\u00e1s tinham saudade de suas perip\u00e9cias entre os humanos e andavam tristes e amuados. Foram queixar-se com Olodumare, que acabou consentindo que os orix\u00e1s pudessem vez por outra retornar \u00e0 Terra. Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos. Foi a condi\u00e7\u00e3o imposta por Olodumare.<\/p>\n<p>Oxum, que antes gostava de vir \u00e0 Terra brincar com as mulheres, dividindo com elas sua formosura e vaidade, ensinando-lhes feiti\u00e7os de ador\u00e1vel sedu\u00e7\u00e3o e irresist\u00edvel encanto, recebeu de Olorum um novo encargo: preparar os mortais para receberem em seus corpos os orix\u00e1s. Oxum fez oferendas a Exu para propiciar sua delicada miss\u00e3o. De seu sucesso dependia a alegria dos seus irm\u00e3os e amigos orix\u00e1s. Veio ao Ai\u00ea e juntou as mulheres \u00e0 sua volta, banhou seus corpos com ervas preciosas, cortou seus cabelos, raspou suas cabe\u00e7as, pintou seus corpos. Pintou suas cabe\u00e7as com pintinhas brancas, como as penas da galinha-d&#8217;angola. Vestiu-as com bel\u00edssimos panos e fartos la\u00e7os, enfeitou-as com j\u00f3ias e coroas. O ori, a cabe\u00e7a, ela adornou ainda com a pena ecodid\u00e9, pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa. Nas m\u00e3os as fez levar abeb\u00e9s, espadas, cetros, e nos pulsos, d\u00fazias de dourados ind\u00e9s. O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contas e m\u00faltiplas fieiras de b\u00fazios, cer\u00e2micas e corais. Na cabe\u00e7a p\u00f4s um cone feito de manteiga de ori, finas ervas e obi mascado, com todo condimento de que gostam os orix\u00e1s. Esse oxo atrairia o orix\u00e1 ao ori da iniciada e o orix\u00e1 n\u00e3o tinha como se enganar em seu retorno ao Ai\u00ea.<\/p>\n<p>Finalmente as pequenas esposas estavam feitas, estavam prontas, e estavam odara. As ia\u00f4s eram as noivas mais bonitas que a vaidade de Oxum conseguia imaginar. Estavam prontas para os deuses. Os orix\u00e1s agora tinham seus cavalos, podiam retornar com seguran\u00e7a ao Ai\u00ea, podiam cavalgar o corpo das devotas. Os humanos faziam oferendas aos orix\u00e1s, convidando-os \u00e0 Terra, aos corpos das ia\u00f4s. Ent\u00e3o os orix\u00e1s vinham e tomavam seus cavalos. E, enquanto os homens tocavam seus tambores, vibrando os bat\u00e1s e agog\u00f4s, soando os xequer\u00eas e adj\u00e1s, enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam, convidando todos os humanos iniciados para a roda do xir\u00ea, os orix\u00e1s dan\u00e7avam e dan\u00e7avam e dan\u00e7avam. Os orix\u00e1s podiam de novo conviver com os mortais. Os orix\u00e1s estavam felizes. Na roda das feitas, no corpo das ia\u00f4s, eles dan\u00e7avam e dan\u00e7avam e dan\u00e7avam. Estava inventado o candombl\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FONTE: Revista RAPADURA \u2013 Uma pesquisa de Edson Fabiano Santos que \u00e9 graduado em Teologia, Licenciado em Filosofia, P\u00f3s-Graduado em \u00c9tica, Subjetividade e Cidadania (Sociologia e Psicologia) Mestre em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o na \u00e1rea de Teologia e Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Para mais aprofundamento na leitura acessem o link abaixo:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.revistarapadura.com\/2012\/03\/cosmovisao-e-mitologia-africana.html\">http:\/\/www.revistarapadura.com\/2012\/03\/cosmovisao-e-mitologia-africana.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo diversos mitos, em \u00e9pocas remotas, o aiye e o orum n\u00e3o estavam separados. A exist\u00eancia n\u00e3o se desdobrava em dois n\u00edveis, e os habitantes dos dois mundos podiam passar livremente de um espa\u00e7o para outro. 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