{"id":911,"date":"2013-01-23T13:02:01","date_gmt":"2013-01-23T13:02:01","guid":{"rendered":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/?p=911"},"modified":"2013-01-23T13:02:01","modified_gmt":"2013-01-23T13:02:01","slug":"por-que-o-culto-do-orixa-e-chamado-de-candomble","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/911","title":{"rendered":"Por que o culto do orix\u00e1 \u00e9 chamado de Candombl\u00e9?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/foto_andreagisele-1.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-915\" title=\"foto_andreagisele (1)\" src=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/foto_andreagisele-1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"429\" srcset=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/foto_andreagisele-1.jpg 640w, http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/foto_andreagisele-1-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1830, algumas mulheres negras origin\u00e1rias de Ketu, na Nig\u00e9ria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradi\u00e7\u00f5es africanas aqui, no Brasil.Segundo documentos hist\u00f3ricos da \u00e9poca, esta reuni\u00e3o aconteceu na antiga Ladeira do Berc\u00f4; hoje, Rua Visconde de Itaparica, pr\u00f3ximo a Igreja da Barroquinha na cidade de S\u00e3o Salvador \u2013 Estado da Bahia.<\/p>\n<p>Desta reuni\u00e3o, que era formada por v\u00e1rias mulheres, como foi relatado anteriormente, uma mulher ajudada por Baba-Asik\u00e1, um ilustre africano da \u00e9poca, se destacou:<\/p>\n<p>&#8211; \u00cdy\u00e0n\u00e0ss\u00f3 Kal\u00e1 ou Ok\u00e1, cujo o \u00f2r\u00fank\u00f3 no orix\u00e1 era \u00cdy\u00e0magb\u00f3-Ol\u00f3d\u00f9mar\u00e8.<\/p>\n<p>Mas, o motivo principal desta reuni\u00e3o era estabelecer um culto africanista no Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa n\u00e3o fosse feita aos seus irm\u00e3os negros e descendentes, nada teriam para preservar o \u201cculto de orix\u00e1\u201d, j\u00e1 que os negros que aqui chegavam eram batizados na Igreja Cat\u00f3lica e obrigados a praticarem assim a religi\u00e3o cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como praticar um culto de origem tribal, numa terra distante de sua \u00ecy\u00e1 \u00ecl\u00fa \u00e0iy\u00e9 \u00e8m\u00ed, ou a m\u00e3e p\u00e1tria terra da vida, como era chamada a \u00c1frica, pelos antigos africanos?<\/p>\n<p>Primeiro, tentaram fazer uma fus\u00e3o de v\u00e1rias mitologias, dogmas e liturgias africanas. Este culto, no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na \u00c1frica, em que o principal quesito para se ingressar em seus mist\u00e9rios seria a inicia\u00e7\u00e3o. Enquanto na \u00c1frica a inicia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita muitas vezes em plena floresta, no Brasil foi estabelecida uma mini-\u00c1frica, ou seja, a casa de culto teria todos os orix\u00e1s africanos juntos. Ao contr\u00e1rio da \u00c1frica, onde cada orix\u00e1 est\u00e1 ligado a uma aldeia, ou cidade; por exemplo: Xang\u00f4 em Oy\u00f3, Oxum em Ijex\u00e1 e Ijebu e assim por diante.<\/p>\n<p>Mas, por que esse culto foi denominado de Candombl\u00e9?<\/p>\n<p>Este culto da forma como \u00e9 aqui praticado e chamado de Candombl\u00e9, n\u00e3o existe na \u00c1frica. O que existe l\u00e1 \u00e9 o que se chama de culto ao orix\u00e1, ou seja, cada regi\u00e3o africana cultua um orix\u00e1 e s\u00f3 inicia elegun ou pessoa daquele orix\u00e1. Portanto, a palavra Candombl\u00e9 foi uma forma de denominar as reuni\u00f5es feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque tamb\u00e9m era comum chamar de Candombl\u00e9 toda festa ou reuni\u00e3o de negros no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorix\u00e1s e Yalorix\u00e1s evitavam chamar o \u201cculto dos orix\u00e1s\u201d de Candombl\u00e9. Eles n\u00e3o queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candombl\u00e9 foi aceita e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regi\u00f5es africanas.<\/p>\n<p>A palavra Candombl\u00e9 possui 2 (dois) significados entre os pesquisadores: Candombl\u00e9 seria uma modifica\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica de \u201cCandonb\u00e9\u201d, um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de \u201cCandonbid\u00e9\u201d, que quer dizer \u201cato de louvar, pedir por algu\u00e9m ou por alguma coisa\u201d.<\/p>\n<p>Como forma complementar de culto, a palavra Candombl\u00e9 passou a definir o modelo de cada tribo ou regi\u00e3o africana, conforme a seguir:<\/p>\n<p>Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Ketu<\/p>\n<p>Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Jeje<\/p>\n<p>Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Angola<\/p>\n<p>Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Congo<\/p>\n<p>Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Muxicongo<\/p>\n<p>A palavra \u201cNa\u00e7\u00e3o\u201d entra a\u00ed n\u00e3o para definir uma na\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pois Na\u00e7\u00e3o Jeje n\u00e3o existia em termos pol\u00edticos. O que \u00e9 chamado de Na\u00e7\u00e3o Jeje \u00e9 o Candombl\u00e9 formado pelos povos vindos da regi\u00e3o do Dahom\u00e9 e formado pelos povos Mahin.<\/p>\n<p>Os grupos que falavam a l\u00edngua yorub\u00e1 entre eles os de Oy\u00f3, Abeokut\u00e1, Ijex\u00e1, Eb\u00e1 e Benin vieram constituir uma forma de culto denominada de Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Ketu.<\/p>\n<p>Ketu era uma cidade igual as demais, mas no Brasil passou a designar o culto de Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Ketu ou Alaketu.<\/p>\n<p>Esses yorub\u00e1s, quando guerrearam com os povos Jejes e perderam a batalha, se tornaram escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil.<\/p>\n<p>Quando os yorub\u00e1s chegaram naquela regi\u00e3o sofridos e maltratados, foram chamados pelos fons de \u00e0nag\u00f4, que quer dizer na l\u00edngua fon, \u201cpiolhentos, sujos\u201d entre outras coisas. A palavra com o tempo se modificou e ficou n\u00e0g\u00f3 e passou a ser aceita pelos povos yorub\u00e1s no Brasil, para definir as suas origens e uma forma de culto. Na verdade, n\u00e3o existe nenhuma na\u00e7\u00e3o pol\u00edtica denominada nag\u00f4.<\/p>\n<p>No Brasil, a palavra n\u00e0g\u00f3 passou a denominar os Candombl\u00e9s tamb\u00e9m de Xamba da regi\u00e3o norte, mais conhecido como Xang\u00f4 do Nordeste.<\/p>\n<p>Os Candombl\u00e9s da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Na\u00e7\u00e3o Ketu com ra\u00edzes yorub\u00e1s.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, existem varia\u00e7\u00f5es de Na\u00e7\u00f5es, por exemplo, Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Efan e Candombl\u00e9 da Na\u00e7\u00e3o Ijex\u00e1. Efan \u00e9 uma cidade da regi\u00e3o de Ijex\u00e1 pr\u00f3xima a Osob\u00f4 e ao rio Oxum. Ijex\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ijex\u00e1 \u00e9 o nome dado \u00e0s pessoas que nascem ou vivem na regi\u00e3o de Ilex\u00e1.<\/p>\n<p>O que caracteriza a Na\u00e7\u00e3o Ijex\u00e1 no Brasil \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o que desfruta Oxum como a rainha dessa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da mesma forma como existe uma varia\u00e7\u00e3o no Ketu, h\u00e1 tamb\u00e9m no Jeje, como por exemplo, Jeje Mahin. Mahin era uma tribo que existia pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Ketu.<\/p>\n<p>Os Candombl\u00e9s da Na\u00e7\u00e3o Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada desses africanos vindos de Angola e Congo.<\/p>\n<p>A partir de Maria Nen\u00e9m e depois os Candombl\u00e9s de Mansu Bunduquemqu\u00e9 do falecido Bernardino Bate-folha e Bam Dan Gua\u00edne muitas formas surgiram seguindo tradi\u00e7\u00f5es de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras.<\/p>\n<p>Nesse estudo sobre Na\u00e7\u00f5es de Candombl\u00e9, poderia relatar sobre outras formas de Candombl\u00e9, como por exemplo, Nag\u00f4-vodun que \u00e9 uma fus\u00e3o de costumes yorub\u00e1s e Jeje, e o Alaketu de sua atual dirigente Olga de Alaketu.<\/p>\n<p>O Alaketu n\u00e3o \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, mas sim uma Na\u00e7\u00e3o yorub\u00e1 com a origem na mesma regi\u00e3o de Ketu, cuja hist\u00f3ria no Brasil soma-se mais de 350 (trezentos e cinq\u00fcenta) anos ao tempo dos ancestrais da casa: Otamp\u00e9, Ojar\u00f3 e Od\u00e9 Akob\u00ed.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o culto nigeriano de orix\u00e1, chamado de Candombl\u00e9 no Brasil, foi organizado por mulheres para mulheres. Antigamente, nas primeiras casas de Candombl\u00e9, os homens n\u00e3o entravam na roda de dan\u00e7a para os orix\u00e1s. Mesmo os que tornavam-se Babalorix\u00e1s tinham uma conduta diferente quanto a roda de dan\u00e7a. Desta forma, a participa\u00e7\u00e3o dos homens era puramente circunstancial. Da\u00ed ter-se que se inserir no culto v\u00e1rios cargos para homens, como por exemplo, os cargos de ogans.<\/p>\n<p>Hoje, a palavra Candombl\u00e9 define no Brasil o que chamamos de culto afro-brasileiro, ou seja: \u201cUma Cultura Africana em Solo Brasileiro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Em 1830, algumas mulheres negras origin\u00e1rias de Ketu, na Nig\u00e9ria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradi\u00e7\u00f5es africanas aqui, no Brasil.Segundo documentos hist\u00f3ricos da \u00e9poca, esta reuni\u00e3o aconteceu na antiga Ladeira do Berc\u00f4; hoje, Rua Visconde de Itaparica, pr\u00f3ximo a &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link block-button\" href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/911\">Continue lendo &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/911"}],"collection":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=911"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":917,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/911\/revisions\/917"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}