{"id":751,"date":"2012-10-05T14:07:33","date_gmt":"2012-10-05T14:07:33","guid":{"rendered":"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/?p=751"},"modified":"2012-10-05T14:07:33","modified_gmt":"2012-10-05T14:07:33","slug":"dendezeiro-igi-ope","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/arquivos\/751","title":{"rendered":"Dendezeiro (IgI Ope)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Dende_01.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-753\" title=\"Dende_01\" src=\"http:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Dende_01.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Dende_01.jpg 328w, https:\/\/omidewa.com.br\/public_html\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/Dende_01-246x300.jpg 246w\" sizes=\"(max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Que outro vegetal pode ser mais importante para nosso contexto religioso que o dendezeiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Creio que podem existir outros t\u00e3o importantes quantos ele, mas nenhum mais importante do que ele.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Das suas folhas fazem-se as franjas do mariwo, cortinas sagradas que t\u00eam por finalidade resguardar e separar o sagrado do profano.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um canto louvado nos candombl\u00e9s de ketu mostra o pode do mariwo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Biri-biri b\u00f2 w\u00f3n l\u00f3j\u00fa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ogb\u00e9ri ko mo Mariwo<\/strong><\/p>\n<p><strong>(as trevas cobrem seus olhos, O n\u00e3o iniciado n\u00e3o pode conhecer O mist\u00e9rio do mariwo)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>De seus frutos extrai-se o \u00f3leo de palma, conhecido no Brasil como \u201cazeite de dend\u00ea, entre os nag\u00f4s como \u201cepo pupa\u201d e entre todos os iniciados como \u201csangue vermelho do reino vegetal e classificado como um elemento Er\u00f3\u201d\u201c.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Retirada \u00e0 polpa de seus frutos, de onde se obt\u00e9m o azeite, resta uma semente, pequeno caro\u00e7o no interior do qual se encontra um coquinho do qual se extrai um \u00f3leo fin\u00edssimo denominado \u201c\u00f3leo de palmeira\u201d, conhecido em yorub\u00e1 pelo nome de \u201cADI\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o bastassem os diferentes produtos que nos \u00e9 fornecido por esta \u00e1rvore, devemos nos reportar aos seus significados mais profundos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O dendezeiro \u00e9 a \u00e1rvore sagrada de If\u00e1 e \u00e9 de seus frutos que se obt\u00eam os negros caro\u00e7os que, depois de ritualisticamente consagrados, ir\u00e3o representar ORUNMIL\u00c1 em seus assentamentos, al\u00e9m de servirem para as consultas ao or\u00e1culo de If\u00e1 onde o pr\u00f3prio Orunmil\u00e1 \u00e9 contatado por seus sacerdotes, os babalawo. Aos caro\u00e7os assim consagrados d\u00e1-se o nome de \u201cIKIN\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Somente os \u201cIKIN\u201d que possuam quatro \u201colhos\u201d ou mais servem para esta finalidade, sendo que aqueles que possuem apenas tr\u00eas olhos n\u00e3o devem ser usados para este fim..<\/strong><\/p>\n<p><strong>O dendezeiro \u00e9 classificado cientificamente como \u201cfam\u00edlia das \u201cpalm\u00e1ceas\u201d, este vegetal possui ainda duas varia\u00e7\u00f5es\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A primeira, \u201ccomum\u201d, \u00e9 a mais utilizada na cultura deste vegetal, por produzir, em maior quantidade, frutos maiores e que atendem melhor ao objetivo da produ\u00e7\u00e3o de mais \u00f3leo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A variedade \u201cidol\u00e1trica\u201d produz frutos menores e, por este motivo n\u00e3o \u00e9 cultivada como sua irm\u00e3 \u201ccomum\u201d, mas \u00e9 ela que produz as sementes de quatro ou mais olhos o que n\u00e3o ocorre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esp\u00e9cie comum, que pode ocasional e muito raramente oferecer-nos um caro\u00e7o de quatro olhos entre milhares de tr\u00eas, e isto \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o dific\u00edlima de ocorrer.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta diferen\u00e7a sempre foi conhecida pelos africanos que d\u00e3o \u00e1s duas esp\u00e9cies, nomes diferentes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Igi Ope como \u00e9 chamado pelos Nag\u00f4s\/Ketu al\u00e9m destas propriedades citadas que s\u00e3o utilizadas nos rituais sagrado dos Orisa, quero aqui complementar partes que s\u00e3o de grande import\u00e2ncia em nossos rituais religiosos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IBAL\u00da s\u00e3o os talos que s\u00e3o retirados das folhas do igi ope quando est\u00e3o fazendo as franjas do mariwo, o Ibal\u00fa \u00e9 um elemento de ancestralidade que os sacerdotes Asoba usam na confec\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos sagrados, o Orisa Obaluaiye e do Orisa Nana e dos orisa Osumare e Osayim, ressaltando que estes s\u00edmbolos tem todo um ritual para serem feitos, e poder transmitir a for\u00e7a de ase, que estes orisas possuem hoje muitos compram em lojas de artigos religiosos, revertidos com produtos que n\u00e3o tem validade religiosa, como SASARA e IBIRI, que por sua vez deveriam ser feitos, nas pr\u00f3prias casas de ase.<\/strong><\/p>\n<p><strong>EKURO \u00e9 um elemento retirado das cascas do Iki quando s\u00e3o cozidos para ser extra\u00eddo o Epo Pupa, Ekuro utilizada no ritual de inicia\u00e7\u00e3o do culto do Orisa Aira e o GOS\u00d3, \u00e9 outro elemento transmissor de ase que \u00e9 retirado do tronco do Igi Ope e utilizado no Ajere do Orisa Oya e Orisa Sango. Tronco do Igi Ope e retirado o Em\u00fa uma bebida usada no culto do Orisa Ogun, conhecido tradicionalmente como vinho de palma.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Epo pupa \u00e9 elemento transformador de ase contrariando o que muitas pessoas pensam ser elemento GUN, na verdade \u00e9 um elemento ERO.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma antiga lenda, conta que havia um mercado na cidade de Ire, conhecido por ser um mercado cheio de sofrimento, mas que apesar do sofrimento, o grande Deus da Adivinha\u00e7\u00e3o, Orunmil\u00e1 conseguiu l\u00e1 a sua prosperidade. Sabendo disso, \u00d2s\u00e0l\u00e1 tamb\u00e9m almejou a prosperidade, procurando saber com Orunmil\u00e1, o que ele deveria fazer para passar pelo sofrimento e conseguir o seu objetivo. Orunmil\u00e1 recomendou \u00e0 \u00d2s\u00e0l\u00e1 que fosse ao mercado, mas que tivesse muita paci\u00eancia, pois assim conseguiria sua prosperidade. Assim \u00d2s\u00e0l\u00e1 o fez. Na primeira ida ao mercado, \u00d2s\u00e0l\u00e1 n\u00e3o encontrou nada, somente um \u00ccgb\u00edn (caramujo consagrado a \u00d2s\u00e0l\u00e1), cobrando-lhe ped\u00e1gio. \u00d2s\u00e0l\u00e1 novamente foi ao mercado e n\u00e3o encontrou nada, al\u00e9m do sofrimento e do \u00ccgb\u00edn que novamente lhe cobrou o ped\u00e1gio. Mesmo a contragosto, \u00d2s\u00e0l\u00e1 recordou-se que deveria ter paci\u00eancia, caso desejasse a prosperidade. Na terceira vez que foi ao mercado, ele novamente pagou o ped\u00e1gio ao \u00ccgb\u00edn, contudo, ao inv\u00e9s de sofrimento, ele encontrou uma grande riqueza, o tornando um grande Rei pr\u00f3spero.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ao saber que \u00d2s\u00e0l\u00e1 havia conseguido sua prosperidade no mercado do sofrimento, \u00d2g\u00fan tamb\u00e9m procurou saber com Orunmil\u00e1, como tamb\u00e9m tornar-se pr\u00f3spero. Orunmil\u00e1 lhe disse que ele deveria ser paciente e, em hip\u00f3tese alguma, deveria usar o seu Alada (Fac\u00e3o) e seu Porrete (Kumo). \u00d2g\u00fan de posse das orienta\u00e7\u00f5es de Orunmil\u00e1, foi at\u00e9 o mercado do sofrimento, chegando l\u00e1 se deparou com um cachorro no port\u00e3o, cobrando-lhe ped\u00e1gio para entrar. \u00d2g\u00fan achou inaceit\u00e1vel um cachorro lhe cobrar ped\u00e1gio e, num impulso imediato, pegou seu Alada, ferindo o cachorro at\u00e9 a morte.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todos gritaram: \u201cEle matou o Onibode\u201d (o guardi\u00e3o do port\u00e3o), todos come\u00e7aram a chorar e, com vergonha, \u00d2g\u00fan correu mata adentro, onde havia uma grande planta\u00e7\u00e3o de Labelabe (uma planta cortante, chamada em Salvador de Tiririca). As folhas de labelabe cortaram toda a roupa de \u00d2g\u00fan. Quando ele saiu da mata, chegando a pra\u00e7a principal da cidade, ele estava completamente nu. As pessoas ent\u00e3o gritaram \u201c\u00d2g\u00fan Kolaso\u201d (Ogun n\u00e3o se cobre com roupas). Novamente envergonhado, \u00d2g\u00fan olhou um Igi Ope, arrancando-lhe o broto e vestindo-se com o M\u00e0r\u00ecw\u00f2. As pessoas, por sua vez, exclamaram: \u201cM\u00e0r\u00ecw\u00f2 As\u00f2 \u00d2g\u00fan-o M\u00e0r\u00ecw\u00f2\u201d (Mariwo \u00e9 a roupa de \u00d2g\u00fan, o Mariwo). Como forma de arrependimento, \u00d2g\u00fan desde ent\u00e3o, passou a usar o M\u00e0r\u00ecw\u00f2 como a sua vestimenta, sendo que as palavras entoadas na ocasi\u00e3o s\u00e3o cantadas at\u00e9 os dias de hoje, nas festas dedicadas \u00e0 \u00d2g\u00fan<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mari\u00f4 ou Mariw\u00f4, chamado de (igi \u00f4p\u00ea) pelo povo do santo, \u00e9 o nome da folha do dendezeiro, nome cient\u00edfico &#8220;Elaeis guineensis&#8221;, desfiado, utilizado nas portas e janelas dos terreiros de candombl\u00e9. O mari\u00f4 \u00e9 consagrado a Ogum, assim, \u00e9 muito comum v\u00ea-lo nos assentamentos e nas vestes deste Orix\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo a mitologia do candombl\u00e9, a fun\u00e7\u00e3o do mari\u00f4 \u00e9 espantar as energias negativas e esp\u00edritos perturbadores, tendo esta fun\u00e7\u00e3o, a Orix\u00e1 Oy\u00e1 Igbal\u00e9 (mais conhecida como Ians\u00e3 do Bal\u00e9), a divindade que preside sobre os Eguns, carrega-o tamb\u00e9m sobre as suas vestes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todo integrante do culto aos Egungun \u00e9 chamado de Mariw\u00f4.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>*Relato feito \u00e0 base de pesquisa em fontes diversas<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que outro vegetal pode ser mais importante para nosso contexto religioso que o dendezeiro? Creio que podem existir outros t\u00e3o importantes quantos ele, mas nenhum mais importante do que ele. 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