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jul
19

Owó – Dinheiro


O dinheiro é o meio usado para a troca de bens, atualmente usado na forma de cédulas e moedas, mas anteriormente muitos itens eram usados como dinheiro: metais, tecidos, pedras preciosas, sal, conchas, sendo este ultimo muito usado pelos iorubás. A concha, mais precisamente, búzios, eram a moeda corrente do antigo povo Iorubá, quem possuía muitos búzios era muito rico e importante na comunidade e disso tudo restou apenas à importância do búzio como representação do dinheiro, já que a moeda atual é em cédulas. Os devotos de Orixás não devem ter visão que o dinheiro é ruim ou é algo sujo, tanto que existe uma divindade para isso, Ajé Sálúgà, divindade que propicia riquezas a seus devotos. Leia o trecho abaixo de um Ìtàn Ifá:

“Olagbirin, aquele que jamais recusa um combate, está na miséria. Ele vai consultar Ifá.
“Que fazer para ter dias melhores?”
Os adivinhos o aconselham a fazer oferendas. Oferendas de dezesseis galinhas d’angola, dezesseis coelhos e trinta e dois búzios da costa. Olagbirin é um caçador.
Não é difícil para ele encontrar no campo as galinhas d’angola e os coelhos. Com trabalho e muito esforço, ele consegue juntar o dinheiro necessário e faz a oferenda.”

Observe que o adivinho o aconselhou a realizar uma oferenda e entre os itens dela estavam 32 búzios da costa. Vemos o “dinheiro” como oferenda, o dinheiro é parte da oferenda, ele está no ebó de forma direta (fazendo parte da oferenda) ou indireta (no pagamento pelo axé do sacerdote). Pagar o sacerdote é algo que não deve ser visto com maus olhos, sendo que ele usa seu axé para a resolução do problema do consulente, pagar o sacerdote pelo serviço é demonstrar gratidão pelo feito cometido por ele e agradecer a Orí e a divindade pelo ebó realizado. Cabe também ao sacerdote não impor preços abusivos em seus serviços, pois não é da intenção de Ifá restringir as pessoas de resolverem seus problemas por questão financeira. Quando se paga ao sacerdote, deve-se pago com gratidão e não de forma negativa, pois também faz parte do sacrifício realizado. Pagar pelo ebó não tem o mesmo significado de quando se paga por um produto, isso faz parte da oferenda.

FONTE: História e Cultura afro-brasileira

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