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fev
23

OS PRÍNCIPES DO DESTINO – PARTE VIII

SÉTIMA REUNIÃO

O guerreiro toma o poder das mulheres

Hoje quem manda no mundo são os homens e as mulheres tem lutado e continuam lutando muito para conquistar a independência  para garantir seus direitos e ter as mesmas oportunidades que os homens. Mas o mundo não foi sempre assim. Na sétima visita dos dezesseis príncipes do destino ao palácio de Ifá, no Céu dos orixás, os príncipes Ejiologbom e Odi relembraram uma historia que foi muito festejada por todos os odus, que apreciaram muito o seu desfecho.

No começo quem mandava no mundo eram as mulheres e os homens eram a elas totalmente submissos. Eram elas que faziam a politica e decidiam o destino do mundo e da humanidade. Elas eram fortes, os homens eram fracos. Elas mandavam, eles obedeciam. Elas falavam alto, eles se curvavam.

Mas os homens eram muito curiosos e viviam inventando e descobrindo coisas. Ogum era um caçador que vivia na aldeia de Irê. Ele ensinou a arte da caça a seu irmão Oxossi, que foi viver na cidade de Ketu, onde se tornou um caçador muito famoso por  ter matado o pássaro agourento de uma terrível feiticeira. Um dia Ogum descobriu como usar o ferro e com ele fabricar muitos instrumentos que tornavam menos difícil a sobrevivência dos humanos. e na sua forja ele fabricava enxadas e enxadões, picaretas e ancinhos, facas e facões  tudo o que era preciso para caçar e para cultivar a terra e assim mais fartamente poder alimentar o povo. E os homens se transformaram em agricultores e o trabalho na terra deu força a eles, deu-lhes músculos de ferro.

Mais que isso descobriu Ogum. Descobriu que os objetos de ferro que ele fabricava tinha o poder de ajudar o homem a produzir bens, a plantar, a colher, a caçar, como vimos. Mas assim como a lamina de ferro matava o bicho, o bicho que o homem caçava para dar de comer aos filhos, a lamina de ferro também matava o homem. E o homem inventou a guerra e usou a espada de Ogum para dominar seu semelhante. Porque tudo na vida tem um lado bom e tem também um lado ruim. E os homens se transformaram em guerreiros e a guerra deu mais força ainda a eles, deu-lhes músculos de ferro, deu-lhes nervos de aço.

Os homens se sentiam então muito poderosos, mas as mulheres, pela tradição  ainda os dominava. Naquele tempo de tantas transformações  as mulheres eram governadas por Iansã, guerreira destemida que conhecia o segredo do fogo e sabia como botar labaredas pela boca. Um dia os homens decidiram tomar para si o poder e escolheram Ogum para enfrentar Iansã e tomar para si o domínio que as mulheres controlavam. Ogum, o Guerreiro, aceitou a missão e se vestiu co suas férreas armaduras de combate, couraça, capacete e caneleiras, e se armou de escudo, espada e lança.

Homens e mulheres viviam em mundos separados e não havia confiança nem solidariedade entre eles. As mulheres sempre se reuniam com Iansã numa clareira e ali passavam horas e horas falando mal de seus maridos e se divertindo com os castigos que a eles infligiam. ali elas planejavam como assustar seus esposos, sempre que eles ameaçavam o poder feminino. Ejiologbom não soube explicar direito, mas disse que as mulheres chefiadas por Iansã tinham um macaco vestido de gente que assustava os homens, fazendo caretas e cenas admiráveis.

Pois la estavam elas a conversar e a rir na clareira quando Ogum surgiu do meio do mato vestido para guerra. A aparência do guerreiro era assustadora, pois não ha neste mundo uma só pessoa que seja capaz de encarar a guerra de frente sem temer. Em panico, as mulheres se puseram de pé e se dispersaram numa desordenada correria, fugindo em busca de proteção  Muitas correram tanto que nunca mais foram vistas por ninguém  Outras foram viver com os homens dos quais receberam abrigo e proteção  Iansã tentou resistir e foi vencida por Ogum. Mas ele não usou a espada contra Iansã, ele se casou com ela. Quando Ogum foi feito rei, ele fez de Iansã sua rainha. Desde então o poder pertenceu aos homens. Mas sempre que Ogum saia para a guerra ele levava Iansã junto com ele.

Todos os homens gostam muito dessa historia. Naquele dia, na casa celeste de Ifá, os odus aplaudiram com frenesi a fala de Ejiologbom e Odi. E Ifá, que também é parte do gênero masculino, mandou servir no fim da sétima reunião um banquete muito mais sortido e caprichado.

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A continuar….

 

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