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Candomblé e Meio Ambiente

Segundo a tradição Iorubá, o mundo foi criado em quatro dias.

Olodumare, o Deus todo poderoso colocou no Ayê (terra) os rios, os mares, os ventos, as florestas, os animais e por fim o homem! Olodumare em primeiro lugar preparou a Terra e fez dela um paraíso perfeito onde os homens, seus filhos, pudessem habitar e sobreviver com harmonia. O criador fez com que nosso planeta provesse tudo para nós. Olodumare deu condições a Terra para que nossa permanência aqui e de todos os seres vivos se tornasse agradável. E nós seres humanos, dotados de inteligência e capacidade de discernimento, como estamos cuidando de nosso lar? Não me refiro ao lar feito de tijolos, mas nosso lar a Grande Mãe Terra. Este lar que Olodumare mobiliou e nos entregou. Será que estamos cuidando como cuidamos de nossos lares de tijolos? Ao meu ver, nós, Povo de Santo, somos adoradores da Natureza. Quando louvamos Oxum ou Logun-Edé estamos louvando também os rios, quando louvamos Iemanjá louvamos o mar, Oxossi as matas, Exú e Ogum os caminhos, Ossãe o poder curativo das ervas, e assim por diante. E se nós começamos a destruir a Natureza dada com tanto amor por Olodumare, o que poderá acontecer? Claro que a devastação total. E aí nós seremos responsáveis pela morte do nosso maior patrimônio: Os Orixás. E conseqüentemente, como cada ação requer uma reação, nossa falta de respeito à Natureza, aos Orixás, se voltará contra nós mesmos, pois morrendo a Natureza, morrem os Orixás, e assim morreremos também. E aí se dará o grande cataclisma tão temido pelos cristãos. Neste caso o cataclisma será obra do Criador? Claro que não, mas sim do homem.  Quando digo que ao acabarmos com a Natureza acabaremos com nossos Orixás, aviso as “Igrejas Eletrônicas e seus seguidores” que o fim dos Orixás é o fim da Natureza, o fim da vida, portanto não se animem e muito menos se aventurem. Chamo à atenção de nossos irmãos Babalorixás, Ialorixás, adeptos e simpatizantes das Religiões de Matrizes Africanas, Espíritas, Umbandistas, e qualquer religião, para que entendam que dependemos dos mares, rios, lagos, florestas e atmosfera limpos. Portanto, nós, Povo de Santo, Povo de Axé, temos obrigação de cuidarmos e preservarmos a Natureza, para que nossos Orixás sobrevivam e nosso culto também.Uma maneira de contribuirmos com o equilíbrio do ecossistema seria: ao colocarmos os Ebós ou despachos de rua fazermos em folhas de banana ou mamona, ao invés de colocarmos em alguidares, talhas, quartinhas e tigelas. Não é necessário deixarmos garrafas ou copos em encruzilhadas, as velas podem ser acesas nos Pejís antes de sair com a entrega. Toda oferenda pode ser colocada em folhas, que se deterioram e torna-se adubo para a nossa terra, e também não polui. Os Orixás e outras entidades não se alimentam de alguidares, garrafas, etc. Podemos fazer oferendas sem sujar. (Kosi Ewé, Kosi Orixá – Sem folha não há Orixá). Podemos desta maneira cuidar melhor do meio ambiente e darmos bom exemplo.

Não esqueçam: Dependemos da Natureza para mantermos nossa Religião e nossos objetivos religiosos. Se procurarmos respeitar a Natureza, preservando-a, com certeza os nossos Orixás cada vez mais nos abençoará e nos dará mais AXÉ.

O Candomblé é uma religião na qual a Natureza é de grande importância. Dela depende o Axé primordial e deriva todo o panteão dos Orixás, que representam a força de Olodumare.

Adupé

12º Encontro para a Nova Consciência – O Pensamento da Cultura Emergente – Campina Grande / PB

De 28 de Fevereiro a 04 de Março de 2003

FOTO: Ogan Gibson d’Ogum (em 26.05.2013)

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