set
19

DANKÓ

Dankó veio logo após o casal Obatalá e Yemowo (Yemu), veio encabeçando os demais orixás funfun, juntamente de seu irmão Akafojiyan e ambos passaram a habitar o bambuzal branco. Junto com eles vieram Ogiyan, Olufon, Osafuru, Baba Ajala, Olufande, Ikere e os demais funfun. Lembrando que todos eles passaram por Olooke, o grande Orixa da montanha, que foi o primeiro elo entre Orun e Aiyê.

 

Orisá de grande poder e muito necessário para nosso convívio neste sistema, pois é o responsável por transformar as impurezas da terra em energia positiva. O bambu amarelo ou branco o representa e é por este arbusto que Danko realiza sua tarefa, absorvendo por suas raízes e emanando por suas longas hastes. É por este arbusto que Eegun, os ancestrais masculinos, podem entrar e sair de sua morada, dizem que a casa subterrânea e inalcançável dos mortos fica logo abaixo das raízes de Danko, pois atribuímos este mesmo nome ao bambuzal. Este Orisá é ligado a Oya e Osumare.

set
19

VOCÊ SABE O QUE É CONTRA EGUM?

Dentro de todos os rituais do candomblé ele está presente e sua importância é imensa nos nossos preceitos. Mas, o que é contra egum?

É um utilitário trançado a partir da palha da costa. Sua confecção se dá com o corpo limpo das impurezas da carne e com rezas de santo feitas durante todo o tempo em que se está confeccionando o mesmo. Também existe a reza para se colocar o contra egum e para retirá-lo da pessoa. Segundo os mais antigos, ele pertence a Obaluayê e serve para afastar espíritos desencarnados da pessoa que está passando pela obrigação. É de grande significado, pois com suas rezas e posteriormente com sua imantação através de determinados banhos, ele não permite de forma alguma que espíritos de mortos se aproximem de quem o s está usando.

Devemos utilizar os contra eguns mesmo depois de nossos preceitos cumpridos e, sempre que formos a algum hospital, cemitério, delegacias, ou mesmo visitarmos um doente crítico. Dentro de hospitais os utilizamos por ser esse local, um verdadeiro “paraíso” dos mortos, no cemitério dado a ser o local de descanso para nossos entes queridos, e em delegacias e presídios por serem locais infestados de energias negativas.

Algumas pessoas alegam que contra egum pode ser utilizado nos braços, nas pernas ou na cintura, mas isso é um erro. O contra egum somente é utilizado nos braços, o que se usa nas pernas tem outro nome, assim como o que se usa na cintura.

Nas pernas usamos o chaorô (SAORÓ)  que também pertence a Obaluayê e nesse utiliza-se um guizo preso, pois seu barulho espanta os eguns. Já na cintura usa-se o cordão umbilical que representa a ligação direta do iniciado com seu Orixá.

Sempre que tivermos utilizando contra egum, estamos impossibilitados de praticarmos sexo e de consumirmos bebidas alcoólicas, pois, que nessa fase, nosso Orixá está diretamente ligado a nós e como sabemos, essas coisas lhes são completamente estranhas.

SE POR VENTURA VOCÊ ESTIVER USANDO CONTRA-EGUN, NÃO SE ENVERGONHE , AO CONTRÁRIO, TENHA ORGULHO DO MESMO, POIS PERTENCE A UMA RELIGIÃO MUITO MAIS ANTIGA QUE O CRISTIANISMO!

FONTE: Desconhecida

set
18

O RITUAL DO IPADÊ

 

 

O ritual do Ipadê é praticado desde os primórdios pelo povo de Ketu. Por isso, com a constituição do Candomblé aqui no Brasil, este preceito não foi reproduzido nas Casas de origem Jêje.  É bom esclarecer desde logo que o ritual do Ipadê, e o padê de Exu são duas coisas diferentes. O Ipadê é um fundamento da Religião direcionado para saudar os ancestrais; e o padê, é uma comida de Exu.

“Despachar Exu”, como se diz usualmente, também não se confunde com o Ipadê. O ato de despachar Exu, na verdade, atende ao princípio de que esta Divindade deve ser a primeira a ser agradada. Assim, antes do início do Xirê, ou mesmo antes dos demais Orixás serem reverenciados, Exu deve ser o primeiro a receber seus agrados, caso contrário, os praticantes podem ser punidos com as artimanhas dele.  Feitas as distinções necessárias, vamos então falar diretamente sobre o Ipadê.

Esse ritual é necessário em 3 situações: quando são sacrificados animais de 4 patas para Exu; nas Águas de Oxalá e no axexê. O Ipadê só é realizado durante o dia, pois necessita da claridade natural. Portanto, seu melhor horário gira em torno de 14 às 16hs. Só é feito à noite, durante o axexê. No Ipadê, são reverenciados Exu (o mensageiro), os ancestrais masculinos (eguns), femininos (iyá mi), os esás (ancestrais importantes daquele Egbé) e alguns Orixás (conforme a tradição de cada Axé).

Os elementos necessários ao Ipadê são: uma cuia feita de cabaça (representando a cabeça de todos), a acaçá (simbolizando o corpo da comunidade), a cachaça (oti), omi (a água, capaz de acalmar e fertilizar), a farinha de mesa crua (iyefún, significando a fecundidade) e finalmente o dendê ou o limo da costa (conforme o caso).

Este ritual é essencialmente comandado pelas mulheres. No caso, a iyadagán e a iyámorô. A primeira prepara os ingredientes, sentada em frente ao Axé, enquanto a segunda dança em volta da cumeeira e despacha os elementos, acompanhada pelos Ogãns que batem os atabaques e cantam as músicas especiais para esse momento. Tais músicas e rezas não são executadas em nenhum outro ritual, muito menos no xirê.

Quando o Ipadê é realizado nos trabalhos fúnebres de axexê, não são usados os atabaques, mas instrumentos especiais feitos de cabaça.  Todos aqueles que participarem do Ipadê devem ter as cabeças cobertas. Os mais velhos, ficam sentados, e os mais novos, ajoelhados em esteiras, debruçados sobre os apotis. Ninguém fica parado durante o Ipadê, todos devem balançar levemente o corpo, demonstrando que enfrentam vivos aqueles rituais.

A sequência das músicas é repetida durante o preparo e despacho das oferendas, sempre por três vezes. A ordem de reverência é: Exu, egun, esás (alguns fundadores dos primeiros Candomblés, como Obitikô, Oburô, Akesan, Adiro, Ajadi e Akayiodê); os Orixás afinizados (Exu, Ogum, Odé, Omolu, Oxum, Oya, Yemonja, Xangô, Lufã e Guiã); as iyá mi oxorongá e finalmente os próprios membros da comunidade participantes. É um ritual lindíssimo, mas que requer atenção total, meticulosa concentração e extremo respeito, pena que o Ipadê esteja sendo renegado ao esquecimento, o requinte desse preceito litúrgico exige que o egbé (a comunidade) possua elementos com tempo de Santo e preparo suficiente para esse ofício. Em muitas Casas, os iyawôs não podem estar presentes na cerimônia do Ipadê.

A riqueza dessa tradição, antes de tudo, nos indica um ensinamento básico da matriz africana: respeito aos mais velhos e reverenciar os mais velhos (ancestrais masculinos e femininos) consiste nisso! Agradecer, agradar, ofertar àqueles que vieram antes de nós e que, por isso, construíram parte do caminho que hoje seguimos. Devemos a eles! Pedimos então sua proteção, sua licença para trabalhar.

O respeito aos mais velhos é tudo. É a razão de acatarmos a ordem hierárquica, o motivo de aprendermos a obedecer, nos talhando para posteriormente sabermos mandar. Respeitar os mais velhos é aprendermos com a sabedoria e com a experiência dos que viveram mais do que nós. É também a garantia de que no futuro seremos nós próprios respeitados e prestigiados com carinho e solidariedade.

O Ipadê é um pouco disso tudo.

set
13

Mãe Stella comemora 73 anos de iniciação no candomblé

O KU ÒJÓ ÌBÍ (Parabéns Mãe Stella).

O Ilê Axé Opô Afonjá está em festa. A líder religiosa do terreiro, Iyalorixá Maria Stella de Azevedo Santos, completa 73 anos de iniciação religiosa nesta quarta, 12. Mãe Stella, aos 87 anos de idade, integra um seleto grupo de sacerdotisas com mais de 70 anos de consagração ao candomblé. “O aniversário de iniciação religiosa é muito importante. É quando se nasce para uma nova vida. É renascimento”, diz mãe Stella. A consagração foi feita por mãe Senhora, uma das grandes sacerdotisas do candomblé brasileiro, terceira a liderar o Afonjá desde a fundação, em 1910.

set
08

Axogun

É um sacerdote, um dos cargos mais importantes e de muita responsabilidade, ele é um especilista no que faz, é o Ogan encarregado do sacrifício dos animais votivos nas cerimônias do candomblé Jeje e Candomblé Ketu. O Atôaxogun é o seu ajudante e substituto. O cargo de Tata Kivanda no Candomblé Bantu é semelhante ao do Axogun.

Deve ser pessoa de absoluta confiança do líder religioso, precisa ter boa memória, saber as técnicas complexas para a execução de suas tarefas, não pode cometer nenhum erro.

Dependendo do prestígio do Axogun, poderá ser convidado por outros sacerdotes de outras casas para exercer suas funções em caso de grandes obrigações.

 

Axogun

É um sacerdote, um dos cargos mais importantes e de muita responsabilidade, ele é um especilista no que faz, é o Ogan encarregado do sacrifício dos animais votivos nas cerimônias do candomblé Jeje e Candomblé Ketu. O Atôaxogun é o seu ajudante e substituto. O cargo de Tata Kivanda no Candomblé Bantu é semelhante ao do Axogun.

Deve ser pessoa de absoluta confiança do líder religioso, precisa ter boa memória, saber as técnicas complexas para a execução de suas tarefas, não pode cometer nenhum erro.

Dependendo do prestígio do Axogun, poderá ser convidado por outros sacerdotes de outras casas para exercer suas funções em caso de grandes obrigações.

No Candomblé, a maioria das “obrigações” são acompanhadas de “sacrificios” de animais de várias espécies.

Esta cerimónia é uma das mais importantes dentro do preceito Africano. Para ela, são exigidos vários requisitos a quem as pratica.

Por esta razão, dentro da organização de um terreiro, há sempre uma pessoa, especializada para isso. É o Axogun ou o “mão-de-faca”. Dele depende o êxito do sacrifício e a aceitação por parte do Orixá do animal sacrificado.

Um sacrifício mal feito é rejeitado e, muitas vezes o Orixá, a quem ele se destina, cobra-o em dobro, ou em triplo. Assim se pode avaliar a responsabilidade do seu executor.

Por isso também, o Orixa tem o máximo cuidado ao prepará-lo para a função; e é claro, que só poderá ser Axogun uma pessoa que seja “feita”, fazendo parte do seu aprendizado essa parte tão importante.

O Axogun precisa conhecer o modo pelo qual deverá executar o sacrifico para qualquer dos Orixás, bem como, os pontos adequados. É indispensável que saiba o animal que compete a cada Orixá, bem como, a cor e o sexo correspondentes.

Muita gente pensa que, pelo fato de ter “visto” sacrificar algum animal está apta para realizar o mesmo sacrifício. E desanda a fazer “sacrifícios” a torto e a direito!… O resultado é sempre triste, tanto para o executor como para quem se deixar induzir por pessoas de tal irresponsabilidade!

É necessário receber o preceito de “mão-de-faca” dentro do cerimonial adequado. Sem ter “recebido” esse preceito, não poderá em hipótese alguma executar sacrifícios, e muito menos, dar “mão-de-faca” a alguém. Quem poderá dar o que não tem?

Todo aquele que desejar completar a sua “obrigação”, a fim de se tornar de fato sacerdote, terá que receber, indispensavelmente, a sua “mão-de-faca”, sem o que, nunca poderá trabalhar satisfatoriamente.

ago
29

COMO O ETU ADQUIRIU IMPORTÂNCIA NO CULTO AO SER ABENÇOADO POR OBATALÁ

Naquele tempo a galinha d’angola era inteiramente preta e vivia só e infeliz dentro da mata. Para resolver seus problemas de solidão, foi consultar o adivinho de Obatalá para que lhe indicasse um ebó que lhe permitisse conseguir uma companheira como todos os demais bichos possuíam. Chegando à casa do adivinho, o pobre animal não foi por ele recebido porque, sendo completamente preto, não poderia entrar numa casa onde o Orixá do Branco era cultuado, pois a cor preta era considerada como uma grande ofensa.

Desolado, o bicho que apesar de viver só era muito rico, reuniu uma grande quantidade de alimentos e saiu sem rumo, na esperança de encontrar em outro lugar qualquer, alguém que lhe fizesse companhia.

Depois de muito caminhar encontrou, numa clareira, um velho muito estropiado que gemendo, estendeu-lhe as mãos dizendo:

– “DÁ-ME UM POUCO DE COMIDA E DE ÁGUA, POIS ESTOU EXAUSTO E JÁ NÃO POSSO CONSEGUIR ALIMENTO PARA MINHA PRÓPRIA SOBREVIVÊNCIA”.

Condoído, Etú serviu de seu próprio alimento ao velho e saciou-lhe a sede com a água que trazia dentro de uma cabaça.

Logo que acabou de comer, o pobre velho, de tão enfraquecido, caiu em sono profundo e, ao despertar muitas horas depois, deparou com Etú que preocupado, velava por seu sono.

Já refeito, o velho perguntou:

– “QUE FAZES SOZINHO NO INTERIOR DESTA FLORESTA? NÃO SABES QUE ELA É SAGRADA E QUE SÓ OS INICIADOS PODEM ADENTRÁ-LA?”.

– “ANDO SEM DESTINO. NASCI SÓ E SEMPRE VIVI SÓ. MINHA APARÊNCIA É MUITO REPUGNANTE E MINHA FEIÚRA IMPEDE QUE AS PESSOAS PERMITAM QUE ME APROXIME DELAS”. REPLICOU A AVE.

– “TUA FEIÚRA EXTERIOR NADA É, COMPARADA COM TUA BELEZA INTERIOR. APROXIMA-TE MAIS E, COMO RECOMPENSA PELA TUA BONDADE, MODIFICAREI UM POUCO A TUA APARÊNCIA”.

Ordenou o velho.

Pegando pó de efun o velho, que outro não era que o próprio OBATALÁ, soprou sobre o corpo de Etú deixando-o, a partir de então, todo pintalgado. Reunindo alguns elementos sagrados, modelou um cone que colocou no alto de sua cabeça dizendo:

– “A PARTIR DE HOJE, SERÁS O ANIMAL MAIS IMPORTANTE NA RELIGIÃO DOS ORIXÁS, NADA PODERÁ SER FEITO SEM A TUA COLABORAÇÃO E, COMO SINAL DESTA IMPORTÂNCIA, SERÁS O ÚNICO DENTRE OS SERES VIVOS A PORTAR O OXÚ, SÍMBOLO DA ALIANÇA FORMALIZADA ENTRE O INICIADO E SEU ORIXÁ. POSSUIRÁS, ALEM DISTO, TANTAS FÊMEAS QUANTAS QUISERES E TUA PROLE SERÁ NUMEROSA E SE ESPALHARÁ SOBRE A TERRA”.

 

Por este motivo a galinha d’angola possui o corpo coberto de pintas e carrega sobre a cabeça uma crista cônica, assemelhando-se ao neófito durante o ritual da iniciação. Sua presença em todas as cerimônias iniciáticas é indispensável e todos os Orixás a exigem em seus rituais.

POR AWOFA IFAKEMI MIGUEL

ago
25

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NA PELE DÓI. E SE FOSSE COM VOCÊ?

NÃO IMPORTA SUA RAÇA, CRENÇA, COR OU ESCOLARIDADE… O RESPEITO AO PRÓXIMO É UMA COISA QUE NÃO SE APRENDE, SE TEM COMO PARTE DO NOSSO CARÁTER, PESSOAS MÁS SAO MÁS EM QUALQUER SITUAÇAO, NÃO IMPORTA SE SÃO IGNORANTES, SE NÃO RESPEITAM A NATUREZA OU AS ENTIDADES QUE ALI A PROTEGEM, MAS A DESRESPEITAR O PROPRIO SER HUMANO QUE É SUA IMAGEM…. É NO MINIMO COISA D GENTE Q NÃO TEM CÉREBRO NEM CORAÇÃO..POIS OS ANIMAIS O FAZEM COMO MESTRES….INTOLERÂNCIA RELIGIOSA É UMA AÇAO Q DEVERIA ESTAR NAS POLITICAS PÚBLICAS E DEVERIA ESTAR SENDO ABORDADA COM MAIS SERIEDADE, POIS O PAÍS DEVE A NÓS, NEGROS E INDÍGENAS UMA REPARAÇÃO POR TANTOS ANOS SENDO ESCRAVIZADOS CONSTRUINDO ESTE PAÍS..BASTA, NÃO AGUENTO MAIS ESSE TIPO DE COISA, AUTORIDADES, GOVERNANTES, A GENTE CLAMA POR AJUDA, NÃO PODEMOS MAIS PASSAR POR ISTO, É VERGONHOSO PARA TODOS, N PARA NÓS QUE ESTAMOS NO NOSSO CANTO FAZENDO NOSSA PARTE COMO CIDADÃOS, MAS É VERGONHOSO SE FAZER PARTE DE UM SISTEMA QUE NÃO DA O MÍNIMO DE PROTEÇÃO PARA OS SEUS ELEITORES, CONFIAMOS NOSSO VOTO AOS CANDIDATOS PARA QUE POSSAMOS TER VOZ NOS MOMENTOS CHAVE COMO ESTE, DE FAZER VALER NOSSOS DIREITOS, NÓS NÃO ESTAMOS FAZENDO O MAL  A NINGUÉM, A NATUREZA NÃO ESTÁ FAZENDO MAL A NINGUÉM , MUITO PELO CONTRÁRIO, TENHO PENA DE QUANDO ELA DESISTIR DA HUMANIDADE, NÓS SIM QUE DEPENDEMOS DELA, DEVEMOS RESPEITÁ-LA E PRESERVÁ-LA..BASTA DISSO, CHEGA MINHA GENTE, VAMOS FAZER ALGO, JA TA FEIO. SEGUE ABAIXO O DEPOIMENTO DE NOSSA MÃE LÚCIA DE OMIDEWÁ, QUE NOS DIAS DE HOJE, SÉCULO 21, ANO DE 2012, SOFREU INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E AINDA TIVEMOS A ÁRVORE MÃE, SACRALIZADA, DERRUBADA. LEIAM E COMPARTILHEM A DOR E REVOLTA DELA.

Por: Andréa Gisele

“DEPOIS DE SAIR DE UMA ÁREA NOBRE MORANDO EM UMA MANSÃO, DECIDI CONSTRUIR O CENTRO DE CULTURA AFRO BRASILEIRO ILÊ AXÉ OMIDEWÁ NO LOTEAMENTO PLANALTO DA BOA ESPERANÇA, ESTA DECISÃO SE DEU POR O MESMO FUNCIONAR NO BAIRRO DO CRISTO E ESTAVAMOS SENDO CONSTANTEMENTE AVILTADOS POR VIZINHOS E NEOPENTENCOSTAIS, O QUE POSSO PROVAR COM 03 PROCESSOS NA JUSTIÇA, CURADORIA DO CIDADÃO E TBM MEIO AMBIENTE, ENTÃO CANSADA DE SER PERSEGUIDA POR CAUSA DA RELIGIÃO COMPREI 02 LOTES DE 33X30 CADA AS MARGENS DE UM RESTO DE MATA ATLÂNTICA, O QUE FOI CRITICADO POR ALGUNS POIS ERA UM LOCAL MUITO ESMO. MAS NÃO ME IMPORTEI COM ISTO POIS TENHO FÉ EM MEUS ORIXÁS…ACHEI O TERRENO DOS SONHOS PARA UMA CASA DE CANDOMBLÉ!!! LONGE DE CENTROS URBANOS, E MELHOR AO LADO DE UMA MATINHA!!! COMECEI A CONSTRUÇÃO DE UMA CASA DE AXÉ COM 600 MTS DE AREA CONSTRUIDA, QUE DUROU UM ANO PARA SER QUASE TERMINADA, EM 2002 TROUXEMOS O AXÉ DO BAIRRO DO CRISTO PARA CÁ…PLANALTO DA BOA ESPERANÇA!!! QUE O NOME ME VISLUMBRAVA UMA ESPERANÇA EM NÃO SER MAIS INCOMODADA POR VIZINHOS E PESSOAS FUNDAMENTALISTAS… ENGANEI-ME, POIS JÁ NOS PRIMEIROS DIAS NOSSO AXÉ FOI AGREDIDO NA HORA DE UMA REZA POR UM RAPAZ QUE JOGOU UMA BOMBA JUNINA EM NOSSO RECINTO, IDENTIFICO OS PAIS DO ADOLESCENTE E VOU ATÉ SUA CASA PARA UMA CONVERSA, ONDE FUI BEM RECEBIDA PELO GENITOR DO MESMO O QUAL SE DESCULPOU E PROMETEU QUE SEU FILHO NÃO IRIA MAIS NOS INCOMODAR O QUE REALMENTE ATÉ HOJE ESTÁ SENDO CUMPRIDO. MAS PARA MINHA SURPRESA OUTROS VIERAM E ATÉ HOJE NOSSO AXÉ VEZ POR OUTRA É APEDREJADO, NÃO TEM 15 DIAS QUE JOGARAM UMA PEDRA NO PORTÃO DA GARAGEM QUE AMASSOU A ESTRUTURA DE METAL!! DEPOIS AINDA TEM OS EVANGELICOS NEOPENTENCOSTAIS E DE OUTRAS IGREJAS QUE VEM Á NOSSA PORTA PARA TENTAR NOS CONVERTER, AGORA CONSTRUIRAM UMA NA ESQUINA, E OS SEUS ADEPTOS ABORDAM OS NOSSOS QUANDO OS MESMOS ESTÃO VINDO PARA SUAS OBRIGAÇÕES RELIGIOSAS, MAS VOU TENTANDO LEVAR COM A FÉ QUE É MINHA ÚNICA ARMA. BOM, QUANDO TROUXE O AXÉ PARA CÁ FOI NA ESPERANÇA DE AQUI ENCONTRAR PAZ, PURO ENGANO!!! DURANTE O VERÃO A MATA ERA CASTIGADA COM OS INCÊNDIOS, O CORPO DE BOMBEIRO CONSTANTEMENTE CHAMADO. FORA ISTO TIVE QUE ENFRENTAR MAIS UM PROBLEMÃO O TRAFICO E OS SEUS USUARIOS DENTRO DA MATA, TAMBÉM A CONSTANTE MELODIA DO CORTE DO MACHADO DENTRO DA MATA POR PESSOAS QUE VINHAM DERRUBAR ÁRVORES CENTENÁRIAS PARA FAZER CARVÃO, FUI AMEAÇADA ATÉ DE MORTE QUANDO ME DIRIGIA SOZINHA E DENTRO DA MATA PARA CONVERSAR COM ESTAS PESSOAS, CANSADA E ME SENTINDO DESPROTEGIDA APELEI PARA QUEM DE DIREITO…AS FORÇAS DA NATUREZA!!! OS ORIXÁS CABOCLOS E TODOS OS GUARDIÕES DO PLANETA! CONVOQUEI PESSOAS COMPROMETIDAS COM A CAUSA DO MEIO AMBIENTE, E TBM PESSOAS LIGADAS A PRATICAS XAMÂNICAS DAÍ COMEÇAMOS TODO MES UM TRABALHO DENTRO DA MATA SOMENTE PARA PEDIR QUE A MESMA FOSSE PROTEGIDA POR ELES MESMOS…O QUE ACONTECEU POIS OS INCENDIOS ACABARAM E VARIOS FENOMENOS ACONTECERAM OS QUAIS NÃO TENHO PERMISSÃO DE RELATAR AQUI, MAS QUEM NOS ACOMPANHOU NESTA MISSÃO SABE. BEM O FATO É QUE O PARQUE CUIÁ SURGIU COM O PROJETO NA GESTÃO DO ENTÃO PREFEITO RICARDO COUTINHO QUE COMPROMETIDO COM A PRESERVAÇÃO DA NATUREZA DESAPROPRIOU A AREA, QUANDO DO LANÇAMENTO DO PROGETO FUI CONVERSAR COM A ENTÃO SECRETARIA LIGIA TAVARES A QUAL DE PRONTO NOS RECEBEU E DAI ENTÃO PEDI PARA UMA ARVORE QUE DEMOS O NOME DE ARVORE MÃE FOSSE PRESERVADA, POIS ELA HAVIA SIDO SACRALIZADA TORNANDO-SE OBJETO DE NOSSO CULTO, O QUE FOI ACORDADO! OS TECNICOS VIERAM ME PROCURARAM PARA MOSTRAR A ARVORE MÃE E CATALOGARAM-NA, COLOCANDO TBM UMA FAIXA PRETA E AMARELA SINALIZANDO QUE A MESMA NÃO PODERIA SER DERRUBADA. ONTEM PARA MINHA SURPRESA E DESESPERO AO CHEGAR DE UMA AÇÃO ENCONTRO O ENTORNO DA MATA SENDO SACRIFICADO…LOGO PENSEI NA ÁRVORE MÃE, MAS ACREDITANDO QUE ELA SERIA PRESERVADA POIS COMO JÁ DISSE ANTERIORMENTE HOUVE UM ACOSDO PARA QUE ELA NÃO FOSSE DERUBADA, ADENTRO O RECINTO DO AXÉ, SÓ QUE AO OUVIR O BARULHO DA MAQUINA MEU CORAÇÃO D QUE NOSSA ARVORE ESTAVA SENDO SACRIFICADA, SAIO E VEJO-A JÁ INERTE AO CHÃO, FUI FALAR COM O MOTORISTA E O MESMO NÃO QUIZ ME OUVIR, E AINDA DISSE QUE COISA DE MACUMBEIRO TINHA MESMO QUE SER DERRUBADA, QUE IA FAZER SEU TRABALHO , RIU E ESCARNECEU DA RELIGIÃO, DAI FIZ CONTATO COM AS PESSOAS QUE ESTAVÃO NA GESTÃO PASSADA E ACIONEI OS ORGAÕS COMPETENTES, TAIS COMO SEMAM, E POLICIA AMBIENTAL QUE CUMPRIRAM SEU PAPEL. FUI A DELEGACIA PARA REPRESENTAR O RAPAZ QUE DESRESPEITOU O CODIGO AMBIENTAL COMO TBM MINHA RELIGIÃO, CRIME ESTE PREVISTO EM LEI: 7.716 CONHECIDA LEI CAÓ. BEM MEUS AMIGOS(AS) VOU AGORA CONFIAR NA JUSTIÇA DE XANGÔ E DOS HOMENS.”

Iyá Lúcia de Omidewá

ago
24

Itàn sobre Iemanjá

… Yemonja desolada

 

Conta-se no Brasil que Osóssi era o irmão mais jovem de Ogun e Esu, todos três filhos de Yemonjá. Esu, por ser indisciplinado, foi por ela mandado embora. Ogun trabalhava no campo e Osóssi caçava nas florestas vizinhas. A casa encontrava-se, assim, abastecida de produtos agrícolas e caça.

No entanto, um Babalaô alertou Yemonjá para o risco de Ossanyin, aquele que possuía o conhecimento das virtudes das plantas e vivia nas profundezas da floresta, enfeitiçar Osossi e obrigá-lo a ficar em sua companhia. Yemonjá ordenou então ao filho que renunciasse às atividades de caçador.

Ele, porém, de personalidade independente, continuou suas incursões pela floresta. Tendo encontrado Ossanyin, que o convidou a beber uma poção de folhas maceradas, caiu em estado de amnésia. Ficou, pois, vivendo em companhia de Ossanyin, como previra o Babalaô.

Ogun, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta, mas Yemonjá irritada, não quis receber o filho desobediente. Revoltado com a intransigência materna, Ogun recusou-se a continuar em casa. Quanto a Osóssi, este preferiu voltar para a floresta, para perto de Ossanyin.

Yemonjá desesperada por ter perdido os três filhos, transformou-se em um rio.

ago
24

Itàn sobre Oxossi

 

… ele não morreu

 

Diz uma das lendas que certo dia Osóssi chegou a sua aldeia, quase arriando pelo peso da capanga, das cabaças vazias e pelo cansaço de rastrear a caça rara. Osún,  sua mulher e mãe de seu filho, olhou para ele e pensou: só caçou desgraça”. Pois a desgraça para Osóssi foi prevista por Ifá, que ele alertou Osún. Porém, quando ela contou a Osóssi sobre essa previsão, ele disse que a desgraça era a fome, a mulher sem leite e a criança sem carinho. E que desgraça maior era o medo do homem. Quando Osóssi se aproximou de Osún, ela notou que ele trazia algo na capanga, sentiu medo e alegria. Havia caça na capanga do marido e ela imaginou se seria um bicho de pelo ou de pena. Ansiosa, perguntou a ele, que respondeu: “Trago a carne que rasteja na terra e na água, na mata e no rio, o bicho que se enrosca em si mesmo. Falando isto retirou da capanga os pedaços de uma grande Dan (cobra). O bicho revirava a cabeça e os olhos, agitava a língua partida e cantava triste: “Não sou bicho de pena para Osóssi matar”. A grande Dan pertencia a Sàngó e Osóssi não poderia matá-la. Osún fugiu temendo a vingança de Sàngó, indo até Ifá que disse: “A justiça será feita, assim o corpo de Osóssi irá desaparecer, desaparecerá da memória de Ossunmaré e a quizila desaparecerá da vingança de Sàngó”.

Fazia também parte da punição que ele saísse da memória do povo de Ketu. Assim, Osóssi ficou sete anos esquecido. No dia de Orunkó (o nome de santo de cada um), ao ser dado as diginas aos Orixás, o povo de Ketu começou a chorar por não se lembrar do nome de seu rei. Abaixaram os olhos e tentaram compreender por que nunca se lembravam dele. Então, Ifá ensinou-lhes um orô (reza que se faz para o sacrifício de animais):

 

Omo – Odé – Lailai

Omo – Odé – Kosajô

Abaderoco Koisô

Omo – Odé – Kosajô

Após o orô, o povo começou a se lembrar dele. Ifá disse que esse era o orô de Osóssi, o Orixá caçador, corajoso Rei de Ketu e rei da caça, que nada temia e preservava a vida de seus filhos e dos filhos dos filhos de seus filhos.

OSÓSSI não morreu, ele encantou-se para sempre, pois tem medo de frio, por isso não gosta de EKU, a morte.

 

… caçador de uma flechada

A cada ano, apos a colheita, o rei de Ijexá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo a população inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não eram convidadas.

Furiosas com a desconsideração, enviaram a festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.

O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro conhecido como òsótògún tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se, e mandou-o embora. Um segundo caçador conhecido como òsótogí se apresentou, este com quarenta flechas; o fato repetiu-se e o rei mandou prendê-lo. Osótododá, o caçador de 50 flechas, também não foi feliz.

Bem próximo dali vivia òsótokansósó, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer. Ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta aos outros caçadores, a mãe de òsótokansósó, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô que aconselhou que se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, assim ele teria sucesso.

A oferenda consistia em sacrificar uma galinha e na hora da entrega dizer três vezes: que o peito do pássaro receba esta oferenda! Nesse exato momento, òsótokansósó deveria atirar sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito. O povo então gritava: oxó wussi, (oxó é popular) passando a ser conhecido por oxóssi. O rei, agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de ketu, “terra dos panos vermelhos”, onde osóssi  governou até sua morte, tornando-se depois um Orixá.

ago
23

Você já ouviu falar em Orunmilá?

Òrúnmìlà é considerado irmão de Olórun, antes de ser chamado de Òrúnmilá, a grande Divindade do Destino era chamada de Ela, a denominação Òrúnmìlà, advém de “Olórun Mo Ela”, ou seja, “Olórun reconhece Ela”. Abaixo, transcrevemos uma história que fala sobre o assunto:

“Ela era o irmão menor de Olórun, o Deus do céu, que era um comerciante que viajava largamente e negociava muito com escravos. Uma vez, Ela enviou suas crianças para bem longe para negociar com mercadorias e, quando elas alcançaram a fronteira entre o céu e a terra, os escravos de Olórun caíram sobre elas e as despojaram de suas mercadorias. Quando Ela ouviu isso, perguntou quem estava roubando as propriedades dele, que estavam com seus filhos? Pegou seu arco e suas flechas e partiu com outros filhos, seus empregados e seus escravos rumo à fronteira entre o céu e a terra. Quando se encontraram, começaram a lutar. Todo mundo na terra foi em ajuda de Ela, mas a batalha continuava. No sétimo dia caiu uma pesada chuva batendo em ambos os lados, e ambos se retiraram. No dia seguinte, os seguidores de Ela estenderam suas roupas para secarem e os seguidores de Olórun espalharam suas camisas e turbantes. Olórun sentou-se numa cadeira olhando para Ela à distância, e Ela ficou mirando para Olórun, seu irmão mais velho. Nenhum deles reconheceu o outro, afinal, Ela era muito jovem quando Olórun deixou sua casa, mas quando Olórun reconheceu seu irmão, foi até ele e o abraçou. Comeram e beberam juntos, e no dia seguinte, anunciaram que não haveria mais combates. Enquanto os seguidores de Ela ainda retornavam para a terra, encontravam gente que continuava a chegar a fim de ajudá-los, perguntando-lhe porque já voltavam tão cedo. E então replicavam: “Olórun reconheceu Ela ontem” (“Olórun Mo Ela Lana”), e, desde então, Ela foi chamado de Òrúnmìlà”.

Òrúnmìlà é considerado o segundo de Olodúnmarè (Deus), como bem diz um excerto de um Òríkì: “Òrúnmìlà, Elérí Ìpín, Ibìkéjì Olódúnmarè” (Òrúnmìlà, o testemunha do destino, o vice de Olodúnmarè). Para se chegar à Olodúnmarè é necessária a intervenção de Òrúnmìlà ou Èsù (O Òrìsà do Dinamismo) e isso ocorre por meio da Consulta ao Oráculo.

De certo modo, todas as Divindades são dependentes de Òrúnmìlà, é através da consulta ao oráculo que sabemos o que os Òrìsàs desejam comer, vestir, falar, etc. Quando um consulente/omo Òrìsà quer saber como agradar seu Deus, é através de Orunmila, no Jogo de Búzios ou jogo de Ifá, que ele terá essa resposta. Òrúnmilá é o senhor que tudo sabe e que tudo vê, seja no Òrún (céu) seja no Àiyé (terra).

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