abr
20

Governador visita aldeia e anuncia ações em benefício do povo indígena

Governador participa de dança com os índios na Baía da Traição (Zé Marques/Secom-PB)

O governador Ricardo Coutinho visitou nesta terça-feira, 19, a aldeia São Francisco, na Baía da Triação, e participou dos festejos alusivos ao 19 de abril, Dia do Índio. Ricardo foi o primeiro governador a visitar a aldeia nesta data e participar de rituais em memória dos guerreiros potiguaras.

Logo na chegada à aldeia, o governador foi recebido pelo cacique Alcides, que colocou o colar, um cocá e entregou uma lança a Ricardo Coutinho. Após o discurso das autoridades, o governador participou de todo o ritual do Toré ao lado dos caciques, pajé e os índios da aldeia e plantou uma muda de pau-brasil, simbolizando a preservação da natureza e o futuro da nação potiguara. Índios de outras aldeias da região também participaram das festividades, que contou com uma feira de artesanato e culinária indígena.

Ricardo Coutinho disse que a sua presença na aldeia São Francisco significa mais que a celebração do Dia do Índio, que é importante para a preservação da tradição indígena, mas o reconhecimento público do governador de todo o descaso e a segregação com que foram tratados e o compromisso desse governo em dialogar com o povo indígena sobre educação, saúde, segurança e preservação de sua memória.

“Vim aqui para aprender e também construir essa ponte entre o governo do Estado e os povos indígenas. Qualquer governo que queira estar no campo da inclusão tem que reconhecer as diversidades existentes e olhar para os ciganos, os índios, os negros e todos os povos que compõem a diversidade do povo brasileiro”, ressaltou o governador.

Em seu discurso, Ricardo informou que o governo irá construir uma escola indígena na aldeia Brejinho, em Baia da Traição, e reformar outras escolas, além de  solicitar o retorno do curso de licenciatura indígena na UFPB, em Rio Tinto. “Vamos dialogar com a comunidade indígena um método educacional que promova a inclusão das crianças e jovens, mas ao mesmo tempo garanta a preservação da cultura dos seus antepassados”, ressaltou Ricardo.

O governador destacou a importância do Empreender Paraíba no apoio ao artesanato indígena e da agricultura familiar que precisa ser incrementada.  Ele também anunciou que irá criar uma assessoria especial do povo indígena na Secretaria da Mulher e Diversidade Humana para trabalhar as políticas para o índio.

Ricardo informou que se reunirá com a presidente da República Dilma Rousseff e com a direção da Fundação Nacional do Índio (Funai) e representantes indígenas para pedir o retorno do escritório da fundação para a Paraíba, já que ele foi fechado recentemente e está instalado agora no Ceará. “A população indígena da Paraíba é de mais de 15 mil pessoas, uma das maiores e era uma das mais organizadas. Infelizmente a saída da Funai prejudicou muito esse povo”.

O cacique Alcides agradeceu ao deus Tupã uma visita tão ilustre como a do governador Ricardo Coutinho e disse que este foi um momento histórico para a nação Potiguara. Ele destacou que guardará este dia como uma chave para que o governador e os seus secretários não esqueçam o dia e as necessidades do povo indígena.

Dentre as reivindicações dos índios estão a dragagem dos rios Sininbu, a melhoria das escolas, a restauração da igreja São Miguel, que é um monumento histórico que está em ruínas, e a aquisição de um caminhão para o escoamento da produção.

Márcia Lucena, secretária executiva de Educação, ressaltou que as equipes da secretaria estão abrindo diálogo com as comunidades indígenas e estará investindo com recursos do PAR (Plano de Articulação do Governo Federal) em uma escola de 1º e 2º grau. “Estamos discutindo ações pedagógicas com uma comissão executiva para se reunir após a Semana Santa com representantes de escolas indígenas ou não nos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baia da Traição para valorizar e preservar essa cultura”, concluiu.

Para o secretário de Cultura do Estado, Chico César, este é dia especial para todos que são descendentes dos povos indígenas e agora é hora de incorporar essa cultura com a produção de ideias, de artesanato, da cultura, de alimentos. Também estiveram nas festividades os prefeitos de Baia da Traição, José de Oscar; de Capim, Sérgio Lima, e de Marcação, Edfrance Silva.

Via Secom-PB

abr
13

Por uma infância sem racismo

A Unicef lançou uma campanha para combater o racismo na infância (http://www.infanciasemracismo.org.br/). O Ilê Axé Omidewá participa ativamente dessa luta, que deve ser de todo o povo brasileiro. Participe você também! Veja abaixo como divulgar:

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Participe deste debate e  acompanhe a campanha por meio do perfil do UNICEF no Brasil: @unicefbrasil ou de #infanciasemracismo

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Veja os vídeos:

abr
12

A importância do alimento na religião afro-brasileira, fonte de vida e fé

Dividir o alimento com os deuses é prática comum em inúmeras culturas, bem como convidá-los para comer conosco. Em muitas civilizações antigas, os rituais visavam ofertar parte da colheita às suas divindades, de forma litúrgica o alimento tornava-se sagrado. Assim também é no candomblé.
A comida é fundamental, pois é fonte de vida e saúde, ninguém pode viver sem se alimentar. Infelizmente há os que o fazem com precariedade, alguns comem com fartura e desperdício, outros não têm nenhuma opção. Graças aos orixás, essa realidade não é definitiva nas cozinhas e mesas das casas de candomblé, sempre fartas. Certa vez, um irmão de orixá comungava comigo um alimento sagrado e falou: “mãe, a senhora já viu que em nossas casas pode faltar tudo, menos o alimento?”, respondi: “graças aos nossos orixás”. Esta frase me fez voltar ao tempo, quando em minha infância peregrinava em comunidades afro-ameríndias, onde todos sabem que os recursos eram escassos, mas sempre após os cultos sabia que logo chegaria o ajeum (comida sagrada que antes de ser servida aos homens, é ofertada aos nossos deuses). Esse alimento sagrado não supre apenas as necessidades do corpo, mas especialmente as do espírito.
Em nossa religião, tudo começa no mercado, a partir do momento em que adquirimos a matéria prima para o preparo das comidas sagradas. Mercado este que, para nós, também é sagrado, pois o dono do mesmo é Exu, que recebe o título de olóoja (dono do mercado), a quem devemos pedir licença ao adentrarmos à feira. Após as compras, a cozinha é o espaço sagrado de maior destaque e importância, pois é lá onde todo o ritual começa. Nossa religião é iniciática e hierárquica. Existe uma pessoa designada para exercer cada função. No caso da cozinha trata-se da iabassê (senhora respeitável que cozinha), cargo este de grande autoridade do templo e dos deuses, e que jamais pode ser desempenhado por homens. Os atributos da iabassê não incluem apenas o preparo da comida, mas também o zelo com esmero da mesma, observando os preceitos de cada orixá. Estes preceitos são de fundamental importância para a segurança dos membros da comunidade, pois existem alimentos que jamais podem ser ofertados a certos orixás ou pessoas. São para nós chamados de ewós, ou seja, proibições. Oxalá, por exemplo, jamais pode comer azeite de dendê. Existem os ewós individuais e os coletivos, como também os de cada nação. Em Ketu, o caranguejo é a maior proibição. O respeito aos ewós nos possibilita obter bem estar físico e espiritual, e a falta deste nos trás desequilíbrio.
O alimento sagrado é fonte e símbolo de riqueza e vitalidade, bem como um elo fundamental entre o órun (céu) e o aiyê (terra), entre os deuses e os homens. Em todos os terreiros a hora da refeição é momento de confraternização e alegria. Compartilhar o axé, ou o alimento sagrado, é tomar parte da alegria do outro. Contudo, vale ressaltar que a alegria que permeia os rituais não deve ser confundida com a falta de respeito.
Os orixás compartilharam da cozinha do escravo, comeram com eles angus e farinha seca, e jamais os rejeitaram. Conheceram a miséria, a fome e os horrores da escravidão. Sobreviveram e nos deixaram iguarias variadas, resultados de misturas surpreendentes de temperos, raízes, grãos, frutos e azeite. Estas misturas se processaram nos alimentos nativos, e o sabor marcante que chegou aos porões dos navios negreiros, que compõem a famosa comida baiana, expressa a mesma mistura que formou o povo brasileiro, onde se originaram as mais belas e variadas tonalidades que fazem os afro-descendentes desse país.
Nós das comunidades de terreiros sempre nos preocupamos com a segurança e a qualidade dos alimentos. Embasados nisso, devemos exigir maior controle na qualidade e segurança destes, lutando por políticas públicas mais rígidas, fazendo valer nosso direito por uma alimentação saudável.
Quero aqui enaltecer o valor das iabassês dos templos de matriz africana, em especial a Mana d’Ogum, que exerce esta função no Ilê Axé Omidewá, com dedicação e amor aos orixás.
Que Oxossi, o provedor, sob a égide (proteção) de Olorum, mantenha nossas cozinhas fartas de sabores e sabedorias.

Axé!

nov
08

Caminhada contra intolerância acontece na praia do Cabo Branco

Um evento político, sem fins partidários, surpreendeu o público que foi à praia do Cabo Branco, em João Pessoa, neste domingo (7). Cerca de 200 pessoas ligadas ao movimento negro e às religiões afro saíram em caminhada contra a intolerância religiosa praticada no Estado e em defesa do direito da liberdade de culto.

Com o tema: “É direito de todos escolher e praticar sua religião”, os manifestantes saíram às 9h do Busto de Tamandaré e seguiram até a praça de Iemanjá. Um percurso de quase quatro quilômetros, que durou cerca de duas horas de caminhada. Durante todo o trajeto, os participantes entoaram cânticos de matriz afro e falaram da importância do respeito entre as religiões.

Seguindo a tendência de outros Estados, o movimento pioneiro na Paraíba teve uma motivação extra para o seu surgimento: o uso indiscriminado das religiões nas eleições deste ano. O que inicialmente foi usado como difamação na campanha, acabou servindo para incentivar a prática do racismo e da intolerância religiosa.

 

 

Intolerância nas eleições

No segundo turno das eleições para governador, o twitter oficial do comitê jovem do candidato José Maranhão (PMDB) divulgou o link de um vídeo que acusava o seu adversário, Ricardo Coutinho (PSB) de ser membro de religião afro, e que estes cultos eram ligadas ao demônio.

Dias depois, panfletos apócrifos foram espalhados em todo o Estado, reforçando a mesma tese, e usando ainda termos pejorativos, como ‘satanista’ e ‘macumbeiro’. Ainda durante o segundo turno, o Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma nota de repúdio contra as manifestações de intolerância religiosa e racismo praticados na Paraíba.

De acordo com o professor Antonio Novaes, titular do Programa de Pós-Gradação em Ciências das Religiões, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o movimento deu um grande passo na luta por um Estado laico.

“Hoje a comunidade de religiões de matriz africana e afro-indígena viveu um dia de grande importância, pois veio à rua protestar contra os recentes atos de intolerância religiosa vividos durante a campanha eleitoral. A caminhada pela orla é uma veemente forma de protesto de religiosos que convivem diariamente com a intolerância e o preconceito e exigem respeito a sua religião”, disse Novaes.

Matéria publicada no portal Paraíba 1.

 

set
01

Festa do Povo Cigano – Celebração do Feminino











No último sábado de agosto, 28, o Ilê Axé Omidewá realizou a Grande Festa do Povo Cigano, com a presença de Maria de Padilha como grande homenageada, dedicando a festa à todas as mulheres, uma verdadeira celebração para o universo feminino.

 

Antes de iniciar as festividades, Mãe Lúcia reafirmou, em um discurso emocionante, a importância da luta das mulheres contra a violência e a opressão. A festa do Povo Cigano faz parte do calendário de eventos do Ilê Axé Omidewá. Confira acima algumas fotos do último sábado.

 

jul
25

Terceira Caminhada pela Água e pela Vida

Mais de cem pessoas caminharam na manhã de ontem, em João Pessoa, em prol da preservação das águas dos rios. Adeptos de religiões de matriz africana, entre candomblé, umbanda e jurema, seguiram pelas ruas do bairro Valentina de Figueiredo até o rio Cuiá, chamando a atenção da comunidade local.


A Caminhada pela Água e pela Vida é realizada todos os anos pelo Centro de Cultura Afro-brasileira Ilê Axé Omidewá, e pelo terceiro ano consecutivo vem movimentando a luta pelo meio ambiente na capital paraibana. De acordo com Mãe Lúcia, idealizadora do evento, a caminhada serve para acordar a população e as autoridades públicas.


“Precisamos cuidar do nosso planeta. A nossa religião é, de todas, a mais voltada para as causas ambientais. Queremos mostrar à população a importância de se preservar a natureza. Essa luta é de todos nós”, discursou a ialorixá do candomblé.


Dando continuidade ao trabalho iniciado nos anos anteriores, mais 30 mudas de árvores nativas foram plantadas na área próxima ao rio, que agora é reconhecida como Área de Preservação Permanente (APP), onde é proibido desmatar, caçar e construir, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal n° 9.605/1998). As mudas foram doadas pela Secretaria de Meio Ambiente (Seman), da Prefeitura Municipal de João Pessoa.


Além de convocar a população para as causas ambientais, a intenção dos organizadores é que, com o crescimento do evento, seja reconhecida a importância do rio Cuiá para a comunidade. A diretoria do Ilê Axé Omidewá pretende encaminhar para os órgãos públicos um projeto de transformação da área do rio em um parque ambiental.


Os seguidores de religiões de matriz africana aproveitaram o evento para homenagear Oxum, orixá das águas doces. A caminhada terminou com uma grande celebração à beira do rio Cuiá, com cânticos e a entrega dos presentes. Na volta ao Ilê Axé Omidewá, foi servida uma feijoada para os participantes.

dez
28

Feliz 2010

Mais um ano se passou, com muitas realizações e conquistas. Que 2010 seja ainda melhor, cheio de paz, para que o nosso trabalho pelo povo de axé cresça cada vez mais, e que Oxum, com suas águas doces, traga amor aos corações de toda a humanidade.

A família Omidewá deseja a todos um Feliz Ano Novo.

out
18

Ilê Axé Omidewá amplia programa social na Paraíba

O último fim de semana foi de festa para o povo dos terreiros da Grande João Pessoa, mas a conquista, foi de cunho social. O Ilê Axé Omidewá conseguiu, junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), aumentar de 100 para 400 o número de beneficiários no programa Fome Zero, do governo federal, entre as pessoas ligadas às religiões de matriz africana.

A luta pela ampliação era antiga, mas o ministro Patrus Ananias cumpriu o compromisso firmado com Mãe Lúcia quando esteve em João Pessoa. Agora, outras 300 famílias poderão se beneficiar com o programa, uma grande vitória para o povo de axé.

Antes de iniciar a entrega das cestas, Mãe Lúcia palestrou para os mais de cem presentes sobre a importância de manter firme a identidade com a cultura negra, falou da laicidade do Estado e dos direitos conquistados com os avanços das políticas públicas para os sacerdotes das religiões de matriz afro.

Outros pontos foram discutidos, como a discriminação sofrida pelo povo de santo em hospitais e postos de saúde. Para coibir os abusos, foram distribuídos cartazes e panfletos com o telefone da Ouvidoria da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que recomenda a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que se sintam lesados por maus atendimentos, entrem em contato com a ouvidoria para relatar os casos através do telefone 0800 083 5000. A ligação é gratuita.

Além da entrega das cestas, foram cadastradas as famílias da região do Valentina Figueiredo e Planalto da Boa Esperança que serão beneficiadas com o Programa Pão e Leite, do governo do Estado. O Ilê Axé Omidewá funcionará como ponto de distribuição do programa.

set
13

Preservação no rio Cuiá

As ações realizadas pelo Centro de Cultura Afro-Brasileiro Ilê Axé Omidewá já começam a provocar verdadeiras transformações na cidade. Após a segunda edição da Caminhada pela Água e pela Vida, que em 26 de julho deste ano movimentou o bairro do Valentina Figueiredo, acordando a população local e as autoridades públicas para a importância da preservação dos rios, a Prefeitura Municipal de João Pessoa demarcou o rio Cuiá como uma Área de Preservação Permanente (APP).

Além do próprio rio, as 30 mudas plantadas na última caminhada, agora serão protegidas na APP. É proibido caçar, desmatar e construir na área do rio Cuiá, sob pena de um a três anos de detenção e multa de até 360 salários mínimos, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal n° 9.605/1998).

Para Mãe Lúcia, diretora do Ilê Axé Omidewá, e que há anos idealiza a proteção deste rio, a notícia veio como uma grande conquista. “Vencemos essa batalha para proteger o rio Cuiá. Vamos continuar firmes com o trabalho de proteção aos rios e à natureza”, garantiu Mãe Lúcia.

A Caminhada pela Água e pela Vida acontece todos os anos no mês de julho, junto com o presente para as águas doces, em homenagem à Oxum, orixá patrono da casa, mãe de todos os rios e cachoeiras. A organização do evento pretende trazer a comunidade para dentro do movimento em defesa da natureza, beneficiando o próprio bairro. Com o trabalho que vem sendo desenvolvido, em breve, a área deverá ser transformada em um parque ambiental.

set
13

Estatuto da Igualdade Racial representa avanço histórico

Mesmo após dez anos de discussão, o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado na Câmara dos Deputados no último dia 9, continua dividindo entidades do movimento negro. O projeto deve ser aprovado nos próximos dias no Senado e sancionado pelo presidente Lula no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Clique aqui e veja uma análise completa da Lei pelo Portal G1. Abaixo, o texto da assessoria de imprensa da Secretaria Especial de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).


O Estatuto da Igualdade Racial (Projeto de Lei número 6264/2005, do Senado Federal), aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 9 de setembro de 2009, representa um avanço histórico. Entre as várias conquistas, uma merece destaque especial: a instituição de um conjunto de mecanismos legais para organizar e articular as ações voltadas à implementação das políticas e serviços destinados a superar as desigualdades étnico-raciais existentes no país, o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir).

A previsão de fontes de financiamento para a promoção da igualdade racial é outra grande conquista. O Estatuto estabelece, por exemplo, que os orçamentos anuais da União deverão contemplar as políticas de ações afirmativas destinadas ao enfrentamento das desigualdades raciais nas áreas da educação, cultura, esporte e lazer, saúde, trabalho, meios de comunicação de massa, moradia, acesso à terra, segurança, acesso à justiça, financiamentos públicos e outros.

De maneira geral, os 70 artigos do Estatuto criam ou ampliam vários direitos nas áreas econômica, social, política e cultural. Agora o texto aprovado pelos deputados volta para a Casa de origem: o Senado Federal. A expectativa é que a proposta seja apreciada pelos senadores e sancionado pelo presidente Lula até 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.

A seguir, os principais pontos do Estatuto:

Comunidades quilombolas – O texto aprovado reafirma o princípio constitucional de que os moradores das comunidades remanescentes de quilombos têm direito à propriedade definitiva das terras. O Estatuto, assim, fortalece o decreto n º 4.887/2003, que regulamenta o artigo 68 da Constituição Federal, que trata da demarcação de terras quilombolas. Os direitos dessas comunidades estão garantidos ao longo de todo o texto aprovado, de forma transversal. Um dos itens do Estatuto prevê, por exemplo, que para fins de política agrícola, os remanescentes receberão tratamento especial diferenciado, assistência técnica e linhas especiais de financiamento público destinados à realização de atividades produtivas e de infraestrutura.

Cultura – O Poder Público garantirá o reconhecimento das sociedades negras, clubes e outras formas de manifestação coletiva da população negra, com trajetória histórica comprovada, como patrimônio cultural. A capoeira, por exemplo, passa a ser reconhecida como desporto nacional ao ter a garantia de registro e proteção, em todas as suas modalidades.

Descentralização das políticas públicas – O texto institucionaliza o Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (Fipir), coordenado pela Secretaria Especial de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Dentre os estados e municípios, mais de 500 já aderiram ao Fórum. A adesão implica na criação de órgãos locais para cuidar exclusivamente da igualdade racial. Assim, o Fórum estimula a disseminação de políticas de igualdade racial por todo o país. Estados e municípios participantes do Fipir têm prioridade no recebimento de recursos de programas desenvolvidos pela Seppir e ministérios parceiros.

Direitos políticos – Cada partido político ou coligação deverá reservar o mínimo de 10% de vagas para candidaturas de representantes da população negra.

Educação – O Estatuto estabelece parâmetros para a aplicação de ações afirmativas voltadas à população negra, como o sistema de cotas raciais para o acesso ao ensino público. Independentemente do Estatuto, há um projeto de lei tramitando no Senado (PLC 180/2008) que trata especificamente sobre a instituição de cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas. Mesmo sem ter sido aprovado ainda, 79 universidades já criaram políticas de ações afirmativas. Dessas, 59 possuem cotas raciais, conforme dados do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).

Financiamento – O Estatuto prevê fontes de financiamento para programas e ações que visem à promoção da igualdade racial. Os orçamentos anuais da União, por exemplo, deverão contemplar as políticas de ações afirmativas destinadas ao enfrentamento das desigualdades raciais nas áreas da educação, cultura, esporte e lazer, saúde, trabalho, meios de comunicação de massa, moradia, acesso à terra, segurança, acesso à justiça, financiamentos públicos e outros. Outro destaque é que o Poder Público priorizará o repasse dos recursos referentes aos programas e atividades previstos no Estatuto aos estados, Distrito Federal e municípios que tenham criado conselhos de igualdade racial.

Justiça e segurança – O Poder Público Federal instituirá, na forma da lei, e no âmbito dos poderes Legislativo e Executivo, ouvidorias permanentes em defesa da igualdade racial. O texto prevê ainda atenção às mulheres negras em situação de vulnerabilidade, garantindo assistência física, psíquica, social e jurídica. Para a juventude, prevê que o Estado implementará ações de ressocialização e proteção de jovens negros em conflito com a lei e expostos a experiências de exclusão social.

Meios de comunicação – Na produção de filmes, peças publicitárias e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas, deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, ideológica, racial e artística. Além disso, os órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica ou fundacional, as empresas públicas e sociedades de economia mista federais deverão incluir cláusulas de participação de artistas negros nos contratos de realização de filmes, programas ou quaisquer outras peças de caráter publicitário.

Moradia – O Poder Público garantirá a implementação de políticas para assegurar o direito à moradia adequada da população negra que vive nas favelas, cortiços, áreas urbanas subutilizadas ou em processo de degradação. Esse direito inclui, por exemplo, a garantia da infraestrutura urbana e dos equipamentos comunitários e a assistência técnica e jurídica para a construção, a reforma ou a regularização fundiária da habitação. Além disso, os programas, projetos e outras ações governamentais realizadas no âmbito do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), regulado pela lei nº 11.124/2005, devem considerar as peculiaridades sociais, econômicas e culturais da população negra. Os estados, o Distrito Federal e os municípios estimularão e facilitarão a participação de organizações e movimentos representativos da população negra na composição dos conselhos constituídos para fins de aplicação do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS).

Religião – Garante a liberdade para a prática de religiões de matrizes africanas. Além disso, assegura a assistência religiosa aos praticantes internados em hospitais ou em outras instituições de internação coletiva, inclusive os submetidos a pena de privação de liberdade.

Saúde – Cria os marcos legais para a implantação de políticas de saúde voltadas às especificidades da população negra, e para a garantia do acesso igualitário ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta fixa ainda as diretrizes da política nacional de saúde integral da população negra.

SINAPIR – O texto institui o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) como forma de organização e articulação voltadas às implementação do conjunto de políticas e serviços destinados a superar as iniquidades raciais existentes no país, prestadas pelo Poder Público Federal. O estados, DF e municípios poderão participar do Sinapir mediante adesão. O Poder Público Federal incentivará a sociedade e a iniciativa privada a participar do Sinapir.

Terra – Serão assegurados à população negra o acesso à terra, assistência técnica rural, a simplificação do acesso ao crédito agrícola e o fortalecimento da infraestrutura de logística para a comercialização da produção. Aos remanescentes das comunidades quilombolas que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir os títulos respectivos. Para os fins de política agrícola, os remanescentes das comunidades dos quilombos receberão dos órgãos competentes tratamento especial e diferenciado, assistência técnica e linhas especiais de financiamento público, destinados à realização de suas atividades produtivas e de infraestrutura.

Trabalho – Pelo texto aprovado, o Estado vai investir fortemente para inserir o negro no mercado de trabalho, seja no setor público ou privado, por meio de ações afirmativas. Entre as políticas de inclusão, poderá oferecer incentivos a empresas com mais de 20 empregados que contratarem pelo menos 20% de negros. O Estatuto prevê ainda que o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) formulará políticas, programas e projetos voltados para a inclusão da população negra no mercado de trabalho e orientará a destinação de recursos para seu financiamento.

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